Barato Controlado                               Veja 20/05/1998
Prefeito de Amsterd� fecha bares autorizados a vender maconha, a grande atra��o da cidade

Algumas cidades s�o reconhecidas pela beleza natural. Outras, por seus monumentos. Amsterd�, a pacata cidade holandesa cortada por canais, tornou-se famosa pela toler�ncia com o consumo de drogas e a ind�stria do sexo. Jovens de nacionalidades variadas re�nem-se na cidade para fumar maconha sem ser incomodados pela pol�cia, em bares especiais, chamados coffee shops, onde a venda de pequenas quantidades � permitida. Na zona de prostitui��o, 200 bord�is exibem mulheres em vitrines. A popula��o holandesa, mais que acostumada, n�o liga muito. A maioria dos consumidores � de estrangeiros, atra�dos pela peculiar experi�ncia de fumar maconha legalmente. Desde o in�cio do ano, entretanto, o prefeito Schelto Patijn decidiu p�r freio nesse para�so de perdi��o e fechou quase a metade dos 400 bares especializados nas diferentes variedades de Cannabis, alegando que desrespeitaram o limite legal de 5 gramas por usu�rio. No caso dos bord�is, o prefeito dur�o alegou m�s condi��es de higiene para fechar uma d�zia de estabelecimentos. "Encontramos prostitutas menores de idade e coffee shops vendendo drogas pesadas", acusa Patijn.

A investida cortou o barato de muita gente � e n�o s� nos c�rculos adeptos do fumac�. Cidade portu�ria, Amsterd� h� s�culos se notabiliza pela liberalidade de costumes, que ganhou os contornos atuais na era hippie. A repress�o �s drogas e � prostitui��o afeta diretamente essa fama e atrapalha o turismo, uma das principais fontes de receita. "Muita gente vai a Amsterd� fazer narcoturismo. Os coffee shops que vendem maconha s�o o melhor programa da cidade", diz o empres�rio paulista Emerson Pollice, que voltou h� pouco da Holanda.

O fechamento dos coffee shops de Amsterd� coincidiu com a entrada em vigor de uma nova lei de �mbito nacional que reduz para 5 gramas a quantidade de maconha admitida para venda, incluindo bolos e doces feitos com a erva. At� janeiro, autorizavam-se 30 gramas por usu�rio. A restri��o foi uma resposta �s cr�ticas de pa�ses vizinhos, como B�lgica, Fran�a e Inglaterra, que reclamam do tr�nsito de turistas que voltam da Holanda trazendo drogas. "As iniciativas de Patijn n�o combatem o crime. Sua decis�o � pol�tica e foi tomada sob press�o da Uni�o Europ�ia", queixa-se o agr�nomo ingl�s Tim Hoskin, residente na cidade h� nove anos. Prevendo dias piores, a Associa��o dos Varejistas de Cannabis, que re�ne donos de coffee shops, lan�ou um guia com dicas para orientar os usu�rios sobre os novos dispositivos legais.

Embora a Holanda pro�ba formalmente todas as drogas, sua legisla��o faz diferen�a entre drogas leves (maconha e haxixe) e pesadas (hero�na e coca�na). A autoriza��o para venda e consumo de pequenas quantidades das leves exclusivamente em coffee shops tem por objetivo evitar o contato de seus usu�rios com o mercado de drogas pesadas. Segundo estat�sticas do Minist�rio da Sa�de, os holandeses est�o entre os que menos usam t�xicos em toda a Europa, o que endossaria a pol�tica de manuten��o dos coffee shops. O pr�prio prefeito nega que esteja querendo mudar a imagem de Amsterd�. "Esta � uma cidade liberal e continuar� sendo. N�o perten�o a nenhuma seita que queira acabar com o pecado do mundo", salienta Patijn. Mas que cortou, cortou.
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