Vulc�es no C�u                     Veja 13/10/1999
Em sua �ltima miss�o, sonda Galileo examina erup��es em lua de J�piter

Na foto abaixo, erup��o em Io (destaque): jatos vis�veis da Terra

Viajando no espa�o j� h� dez anos, a sonda Galileo enfrentar� agora sua miss�o mais perigosa. Nesta ter�a-feira vai se aproximar at� 600 quil�metros de dist�ncia de Io, um dos sat�lites de J�piter. Com o tamanho da Lua, � cravejado com cerca de 100 vulc�es em plena atividade e tamanho de p�r no chinelo seus cong�neres terrestres. Os vulc�es de Io cospem aos c�us jatos com mais de 400 quil�metros de altura. S�o jorros t�o espetaculares que podem ser vistos por telesc�pios instalados na Terra, a 630 milh�es de quil�metros de dist�ncia. Io � um mundo hostil, digno da mais delirante fic��o cient�fica. Gelado, envolto em enxofre e outros gases venenosos. Galileo passar� raspando por esse inferno e poder� ter seus equipamentos definitivamente danificados pelas emana��es vulc�nicas. Os pesquisadores da miss�o acham que o risco vale a pena porque esperam conseguir imagens nunca antes vistas da luazinha de J�piter. As fotos existentes de Io t�m resolu��o m�xima de 1 quil�metro. Com o equipamento da Galileo ser� poss�vel tirar fotos com uma resolu��o de 7 metros.

Exceto pela Terra, Io � o �nico corpo do sistema solar a abrigar vulc�es em atividade. "Marte, V�nus e a pr�pria Lua tamb�m tiveram vulc�es no passado, mas todos j� se extinguiram devido ao resfriamento", diz a brasileira Rosaly Lopes-Gautier, uma das respons�veis pelo estudo dos vulc�es na miss�o Galileo (veja quadro). Rosaly e seus colegas da Nasa, a ag�ncia espacial americana, acreditam que toda essa imensa atividade vulc�nica seja causada pela brutal atra��o gravitacional exercida por J�piter e duas de suas luas � Europa e Ganimedes � sobre o sat�lite. Esse fen�meno provocaria o aquecimento de seu n�cleo e a atividade vulc�nica mesmo a uma dist�ncia t�o grande do Sol. A cientista brasileira j� descobriu quase trinta vulc�es novos em Io. Dois deles foram batizados com nomes inspirados em divindades ind�genas brasileiras: Tupan, deus do trov�o, e Monan, deus do fogo.

Fogo e trov�o n�o faltam em Io. Devido � intensa atividade vulc�nica, a superf�cie do sat�lite est� em constante muta��o. L� se encontra a lava mais quente do sistema solar: 1.400 graus Celsius, ou um ter�o da temperatura na superf�cie do Sol. Crateras de centenas de quil�metros abrigam lagos de enxofre fumegante. Uma �nica explos�o do vulc�o Pillan, ocorrida em 1996, cobriu com uma subst�ncia cinzenta uma �rea de cerca de 300.000 quil�metros, maior que o Estado de S�o Paulo. Apesar de tanto conhecimento, os cientistas ainda n�o chegaram a uma conclus�o sobre o tipo de material expelido pelos vulc�es do sat�lite. Acredita-se que em alguns a lava seja do tipo bas�ltica, como ocorre na Terra, mas certas imagens sugerem a exist�ncia de correntes de enxofre borbulhante na superf�cie da lua. Outro mist�rio � a elevada temperatura da lava. A da Terra j� atingiu temperaturas similares, mas isso ocorreu h� bilh�es de anos. Por alguma raz�o misteriosa, a passagem do tempo n�o arrefeceu a temperatura em Io. A curiosidade � que, naquele ambiente de pesadelo, a temperatura na superf�cie est� abaixo de 150 graus negativos. � t�o frio que os gases come�am a congelar e virar neve t�o logo saem da boca do vulc�o.
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