O Vazio est� Cheio Veja 17/06/1998 Em vez de v�cuo, o espa�o � uma mat�ria negra que, dizem os cientistas, tem massa
Um experimento realizado por 120 cientistas num tanque de a�o inoxid�vel, colocado em uma mina de zinco pr�xima � cidade de Takayama, no Jap�o, pode ajudar a entender o que existe na escurid�o do universo. Eles conseguiram provar que o neutrino, uma das mais misteriosas part�culas subat�micas, tem massa. Criados a partir do processo de desagrega��o do n�cleo do �tomo, os neutrinos podem ser milh�es de vezes menores do que um el�tron, at� hoje a part�cula com menor massa conhecida. S�o t�o pequenos que n�o possuem carga el�trica e podem passar atrav�s de objetos s�lidos, inclusive pelo corpo humano � felizmente, sem causar nenhum dano. H� muito tempo os cientistas suspeitavam que a imensa �rea escura do espa�o, que os leigos entendem como v�cuo, na verdade � ocupada por mat�ria escura formada por part�culas t�o min�sculas que n�o refletem luz. Em outras palavras, esse imenso espa�o vazio est� repleto de mat�ria, da mesma forma que um copo aparentemente vazio est� cheio de ar. O problema � que ningu�m sabia dizer que tipo de mat�ria era essa. Agora, o mist�rio come�a a ser decifrado.
Com a descoberta de massa no neutrino, as teorias a respeito do espa�o podem mudar. Se sua massa, ainda n�o mensurada, for consider�vel, os neutrinos podem no conjunto exercer uma for�a gravitacional capaz de diminuir a velocidade da expans�o do universo, iniciada no chamado Big Bang. Poderiam at� mesmo revert�-la, levando o universo a uma cat�strofe c�smica, batizada de Big Crunch (Grande Esmagamento). Para a humanidade, no entanto, isso n�o seria motivo de grande preocupa��o, pois s� ocorreria daqui a bilh�es e bilh�es de anos. "Mesmo que os neutrinos tenham massa min�scula, podem fazer diferen�a, j� que ocupam a grande parte do espa�o", diz o cientista Art McDonald, do Observat�rio de Neutrinos de Sudbury, no Canad�. Para comprovar que os neutrinos possuem massa, foi realizada a observa��o de um tanque de �gua ultrapurificada, em condi��es de estabilidade absoluta, no observat�rio japon�s Super-Kamiokande. Por vezes, neutrinos colidem com mol�culas de �gua, produzindo lampejos azulados. A varia��o dos flashes de luz mostrou que os neutrinos mudam de forma. Por essa raz�o, os cientistas conclu�ram que tamb�m possuem massa. O achado ainda dar� muita dor de cabe�a aos f�sicos, que agora precisam repensar todas as teorias sobre as estruturas menores que o �tomo.
Cientistas criam novo raio laser Em 1960, o cientista americano Theodore H. Maiman anunciou uma das maiores inven��es do s�culo: o primeiro aparelho de raio laser, sigla que, em ingl�s, significa amplifica��o da luz pela emiss�o de radia��o estimulada. Hoje o raio laser � empregado em atividades t�o diversas quanto medicina, computa��o, qu�mica, f�sica e telecomunica��es. Agora, um novo e largo passo foi dado nessa �rea. Uma equipe de cientistas anunciou na semana passada a cria��o de microlasers. Mil vezes mais potentes que o laser convencional, eles consomem menos energia e s�o bem mais f�ceis de ser controlados. Para a humanidade, � um avan�o e tanto. Com raios mais poderosos e precisos, ser� poss�vel, por exemplo, fazer cirurgias ainda mais delicadas, baratear tarifas telef�nicas e aumentar o tr�fego da Internet de maneira radical.
Embora seja um raio de luz concentrado, o laser convencional � formado por ondas que se refletem de modo desordenado. Sua propaga��o se d� como ecos de voz dentro de uma igreja, o que desperdi�a energia e diminui a efici�ncia do raio. O grande m�rito dos pesquisadores da Universidade Yale e do Bell Labs, nos Estados Unidos, junto ao Instituto Max-Planck, da Alemanha, foi descobrir que essa amplifica��o da luz, sob um certo padr�o de emiss�o, pode seguir caminhos mais disciplinados. O microlaser experimental baseia-se em um novo emissor no formato de um cilindro, capaz de sofrer menos reflex�o interna e ordenar a emiss�o dos raios. Em vez de ecos, o aparelho produz raios direcionados que chegam mais longe. � o mesmo efeito que se obt�m com o som em uma concha ac�stica. Os microlasers s�o t�o pequenos que centenas deles caberiam na cabe�a de um alfinete. Embora bem-sucedido, o prot�tipo do microlaser ainda � uma m�quina de laborat�rio, sem data para entrar em produ��o comercial. |