Tiro ao Alvo Veja 09/12/1998 Delicada opera��o inicia a montagem da esta��o orbital
Na sexta-feira passada, o �nibus espacial Endeavour decolou na Fl�rida para dar in�cio ao que a Nasa, a ag�ncia espacial americana, considera a mais complexa opera��o no espa�o desde que colocou o primeiro homem na Lua. No compartimento de carga, o Endeavour leva o segundo m�dulo da futura esta��o orbital internacional, que funcionar� como um grande laborat�rio cient�fico, a mais de 300 quil�metros da superf�cie terrestre. � um projeto de propor��es siderais: custar� 40 bilh�es de d�lares, envolver� a jun��o de 50.000 pe�as enviadas ao espa�o e levar� cinco anos para ser conclu�do. A montagem desse gigantesco quebra-cabe�a come�ou h� duas semanas, quando um foguete russo despachou para a �rbita da Terra o m�dulo Zarya, que ser� o captador de energia e transmissor de comunica��es da futura esta��o. A tarefa dos astronautas do Endeavour � capturar o Zarya no espa�o, com a ajuda de uma pin�a robotizada, e acoplar nele o segundo m�dulo. Batizada de Unity, essa nova pe�a, com seis conex�es para novos m�dulos, ser� um elo entre o Zarya e o resto da esta��o orbital.
Um exemplo da complexidade da opera��o apareceu j� no lan�amento do Endeavour, previsto inicialmente para a quinta-feira passada, quando uma multid�o de curiosos e autoridades do governo americano acordou de madrugada para assistir � sa�da do foguete, no Cabo Canaveral. Para que o Endeavour pudesse alcan�ar o m�dulo Zarya em tempo e �ngulo corretos, os cientistas calcularam que precisavam lan�ar o �nibus num intervalo de apenas dez minutos, a partir das 3h30 da manh�, com o tempo em perfeitas condi��es. Na quinta-feira, um alarme assustou os t�cnicos, que abortaram a opera��o, a apenas dezenove segundos do lan�amento. No dia seguinte, no mesmo hor�rio, o Endeavour conseguiu partir. Para chegar at� o Zarya, calculava-se que o �nibus espacial teria de fazer uma s�rie de evolu��es, durante dois dias, at� que o m�dulo russo ficasse ao alcance de seu bra�o mec�nico.
Em seguida, come�aria o trabalho de acoplar o Zarya � Unity. Quando as duas unidades estiverem juntas, dois astronautas deixar�o por tr�s vezes o �nibus espacial para fazer pelo lado de fora liga��es e ajustes manuais. Ao todo, a miss�o levar� doze dias. Al�m da delicadeza t�cnica, a constru��o da esta��o orbital sofre de outras complica��es. J� come�ou a ser montada com um ano de atraso, em raz�o da crise econ�mica russa. Em apenas duas semanas ao redor da Terra, o m�dulo russo come�ou a pifar aqui e ali. Uma de suas oito baterias entrou em pane, bem como os componentes de uma das antenas. A umidade na cabine subiu acima do normal. Segundo o diretor da ag�ncia espacial russa Yuri Koptev, nenhum dos imprevistos afeta o v�o do m�dulo ou compromete a montagem da esta��o. � o que esperam os contribuintes dos dezesseis pa�ses participantes do projeto, entre eles o Brasil. |