O Sol Est� a Mil                        Veja 08/09/1999
Astr�nomos flagram os primeiros sinais do per�odo de atividade solar m�xima

Na foto abaixo, manchas solares e labaredas que engoliriam dez Terras: explos�es di�rias amea�am sat�lites

Quem admira a tranq�ilidade de um p�r-do-sol neste final de inverno n�o pode imaginar o que realmente est� acontecendo no seu miolo. A superf�cie do Sol, uma fornalha de 6.000 graus em constante atividade, vem passando por uma ebuli��o descomunal. Num fen�meno que acontece a cada onze anos, a estrela est� entrando em um processo de atividade m�xima nos pr�ximos meses. Durante esse per�odo, que chega a seu �pice em junho do ano que vem, aumenta o n�mero de manchas sobre a superf�cie solar, que emite gigantescas labaredas de g�s. As maiores s�o grandes o bastante para engolir dezenas de planetas do tamanho da Terra. S�o espasmos t�o violentos que jogam no espa�o o equivalente a 1 bilh�o de toneladas de hidrog�nio, a uma velocidade de 2 milh�es de quil�metros por hora. Os efeitos dessas violentas descargas de energia s�o temidos pelos cientistas. Podem afetar todos os sat�lites, as comunica��es por r�dio e o pr�prio campo magn�tico do nosso planeta. Na semana passada, astr�nomos de todo o mundo flagraram uma dessas l�nguas de fogo. Ela foi classificada como uma das mais fortes j� observadas. Se estivesse na mira da Terra, poderia causar pane em redes el�tricas de todo o planeta e matar astronautas em �rbita. Foi s� um susto, mas serviu para dar uma id�ia do que pode acontecer em breve.

O que os cientistas mais temem n�o s�o apenas as labaredas de hidrog�nio. Pior do que elas, s�o as ondas de pr�tons e part�culas que o Sol emite no rastro da explos�o de g�s. Enquanto as primeiras levam dias para chegar � Terra, as ondas cortam o espa�o em, no m�ximo, duas horas. � um tempo �nfimo para proteger a frota de sat�lites que orbita em torno do planeta. A maioria deles possui pain�is de capta��o da radia��o solar para se manter em funcionamento. A sobrecarga s�bita de energia, causada pelas ondas de part�culas, � capaz de queimar seus circuitos e inutiliz�-los. Al�m dos danos nos sat�lites, os avi�es tamb�m seriam afetados. Sem comunica��o por r�dio, os pilotos n�o teriam como contatar as torres de comando para ter orienta��es durante o pouso.

Os estudos das manchas do Sol e de seus ciclos de atividade remontam a Galileu Galilei, mas ainda hoje essas varia��es s�o um mist�rio. Os cientistas calculam que, se fosse poss�vel armazenar toda a energia que o Sol emite nessas ocasi�es, a humanidade teria reservas de energia para milhares e milhares de anos. At� dezembro, as descargas solares dever�o se tornar mais freq�entes. Durante o per�odo de pico, previsto para durar pelo menos um ano, os pesquisadores esperam registrar explos�es quase di�rias. "Esses eventos s�o um lembrete de que o Sol n�o � um objeto inanimado no centro do sistema solar", diz Ron Zwickl, diretor-assistente da Administra��o Oce�nica e Atmosf�rica Nacional, dos Estados Unidos. "Ele se parece mais com um animal selvagem que ocasionalmente acorda furioso."
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