Ralo c�smico                                    Veja 14/01/1998
Cientistas comprovam a exist�ncia de um buraco negro gigante no centro da Via L�ctea

Astr�nomos alem�es e americanos apresentaram na semana passada as primeiras provas de que h� um gigantesco buraco negro no centro da Via L�ctea, a gal�xia onde est� o sistema solar. � a comprova��o de uma das hip�teses mais instigantes da astronomia. Buracos negros s�o ralos c�smicos que engolem as estrelas e toda a mat�ria existente nas proximidades. S�o campos gravitacionais t�o descomunais que nada, nem mesmo a luz, consegue escapar � sua atra��o. Desde os anos 60, os cientistas imaginavam que o centro da gal�xia est� ocupado por um devorador de estrelas, mas nunca tiveram ind�cios t�o fortes quanto os divulgados durante o Congresso da Sociedade Americana de Astronomia, em Washington. Com o uso de radiotelesc�pios, os cientistas acompanharam as estrelas da regi�o de Sagit�rio e fizeram uma infinidade de c�lculos at� concluir que o buraco negro tem o tamanho do sistema solar e massa inacreditavelmente maior, igual � de 2,6 milh�es de estrelas do tamanho do Sol. Est� situado a 26.000 anos-luz da Terra (um ano-luz � igual a 9,4 trilh�es de quil�metros  a dist�ncia percorrida pela luz durante um ano).

Previstos pela teoria da relatividade, de Albert Einstein, e um dos assuntos que trouxeram a fama ao cosmologista ingl�s Stephen Hawking, os buracos negros n�o podem ser vistos ou fotografados porque n�o refletem luminosidade. Para provar a sua exist�ncia, os astr�nomos t�m de se basear apenas em ind�cios. S�o pistas que a presen�a de um buraco negro imprime na regi�o do universo em que est� situado. Uma dessas pistas � a velocidade das estrelas na vizinhan�a. A regi�o de Sagit�rio � considerada muito calma para os n�veis gal�cticos. Mesmo assim, l� as estrelas gravitam numa velocidade de 3,5 milh�es de quil�metros por hora. � sinal de que est�o sendo sugadas pelo redemoinho do buraco negro, como bolhas de espuma no ralo de uma banheira. Outra pista � a grande quantidade de sinais de raios X descobertos na regi�o. Emiss�es de raios X s�o como suspiros da mat�ria agonizante, antes de ser engolida pelo buraco negro. "N�o h� outra explica��o plaus�vel para tudo isso a n�o ser a exist�ncia de um buraco negro", diz o pesquisador alem�o Andreas Eckart, do Instituto Max Planck de F�sica Extraterrestre. "Mas vamos continuar procurando novas provas para que n�o haja nenhuma d�vida."

Batida do cora��o 
At� o s�culo XVII havia poucas d�vidas de que a Terra era o centro do universo. S� depois das pesquisas de Nicolau Cop�rnico e Galileu Galilei, a ci�ncia avan�ou para reconhecer que o Sol era o eixo da �rbita da Terra. Com o aprimoramento dos telesc�pios, descobriu-se que o Sol na realidade est� a dois ter�os do cora��o da Via L�ctea. No centro da gal�xia est�o bilh�es de estrelas e uma enorme quantidade de nuvens de poeira e gases. Formam uma estrutura que lembra um redemoinho, s� vis�vel atrav�s de telesc�pios infravermelhos e radiotelesc�pios. Agora as pesquisas do Instituto Max Planck e da universidade americana Harvard apontam para um panorama mais detalhado. O buraco negro rec�m-descoberto funcionaria como a grande �ncora gravitacional da gal�xia e poderia explicar a forma espiral da Via L�ctea.

Os cientistas reunidos em Washington tamb�m anunciaram a descoberta de um segundo buraco negro. Ele fica a 40.000 anos-luz do Sol e expele um plasma do resto da estrela que engoliu. Nos momentos mais ativos, esse buraco negro chega a cuspir gases e poeira com uma massa equivalente � do Monte Everest a cada trinta minutos, segundo os c�lculos aproximados dos pesquisadores. Por causa da regularidade, ele foi batizado de "velho fiel", o nome do mais conhecido e pontual g�iser dos Estados Unidos. Usando as informa��es dos telesc�pios, os cientistas imaginaram at� o ru�do que seria provocado nessas erup��es, caso o som se propagasse no vazio do espa�o. � um som que lembra a batida de um cora��o.
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