O Porrete da Nasa Veja 21/07/1999 Americanos v�o derrubar uma nave na Lua e arremessar outra contra o n�cleo de um cometa
A nave Lunar Prospector
Quem observa a lista de experimentos planejados pela Nasa tem a impress�o de que Mike Tyson assumiu a dire��o da ag�ncia espacial americana. Algumas de suas naves lan�adas recentemente v�o botar para quebrar nas vizinhan�as da Terra. No dia 31 deste m�s, os cientistas v�o arremessar a nave Lunar Prospector, de 160 quilos, contra uma cratera escura do p�lo sul da Lua. Eles esperam que o choque levante uma nuvem de part�culas e que, a partir do seu estudo, seja poss�vel provar, de uma vez por todas, a exist�ncia de �gua no sat�lite da Terra. Numa segunda experi�ncia, anunciada na semana passada, a Nasa vai construir uma nave equipada com um artefato de cobre de 500 quilos especialmente para atir�-lo contra um cometa, em 4 de julho de 2005, dia em que se comemora a independ�ncia americana.
O choque desse trambolho vai produzir no cometa um rombo da largura de um campo de futebol e de profundidade equivalente � altura de um pr�dio de sete andares. A v�tima da miss�o Deep Impact � nome de inspira��o hollywoodiana � ser� o cometa Tempel 1. O objetivo, de acordo com os cientistas do Laborat�rio de Propuls�o a Jato da Nasa, � usar as an�lises do entulho espacial produzido pelo choque como informa��es adicionais na longa pesquisa que procura decifrar as origens do universo. Acredita-se que o n�cleo dos cometas contenha material que permanece inalterado desde a forma��o do sistema solar.
Para lan�ar o proj�til, os Estados Unidos v�o investir 240 milh�es de d�lares. Durante um ano e meio, uma nave vai vagar pelo sistema solar em dire��o ao cometa. Formado por rochas, gelo e gases congelados, o n�cleo do Tempel 1 tem 5 quil�metros de largura. Da Terra, os cientistas da Nasa escolher�o o ponto de impacto para acionar o gatilho. O proj�til ser� lan�ado a 36.000 quil�metros por hora e mergulhar� no alvo espalhando no espa�o part�culas do cora��o do cometa. Observat�rios na Terra e c�maras colocadas na pr�pria nave v�o analisar os detritos.
As chamadas miss�es de impacto n�o s�o novidade. Elas ocorriam com freq��ncia na primeira metade da d�cada de 60, com as sondas americanas Ranger mandadas � Lua para fotografar o sat�lite. Sem tecnologia para fazer aterrissagens, as sondas faziam fotos at� se espatifar diante do modelo focado. Com as naves sovi�ticas da s�rie Luna acontecia o mesmo. O fim da Lunar Prospector, embora na apar�ncia igualmente tr�gico, ser� bem mais nobre. Sua miss�o derradeira pode entrar para a Hist�ria.
Chance de sucesso � As simula��es computadorizadas sugerem que a nuvem de part�culas resultante do impacto deve alcan�ar 500 quil�metros de altura cerca de dezessete minutos ap�s o choque. Assim que ultrapassar a borda da cratera, ela ser� iluminada pela luz solar. Cientistas v�o usar o telesc�pio espacial Hubble e outros telesc�pios baseados na Terra para examinar essa luz depois de decomposta por espectr�metros, na tentativa de detectar �gua. Se isso n�o der certo, h� ainda uma segunda possibilidade. Como a luz tamb�m faz com que as mol�culas de �gua se quebrem, haver�, na nuvem, �tomos de hidrog�nio e mol�culas de hidroxila, que s�o f�ceis de reconhecer com os aparelhos. S� quando o choque acontecer ser� poss�vel saber se o objetivo foi mesmo alcan�ado. A chance te�rica de sucesso � de apenas 10%. Confirmado, teremos o in�cio de uma nova temporada de trombadas celestiais. |