Pesadelo Sideral Veja 18/03/1998 Erro de c�lculo faz o mundo entrar em alerta contra aster�ide em rota de colis�o
Durante 24 horas, na semana passada, a humanidade viveu � espera do fim do mundo. Quarta-feira era um dia normal de trabalho no laborat�rio astron�mico do Smithsonian Astrophysical Observatory, em Cambridge, Massachusetts, quando o computador entrou em pane. Detectara um aster�ide, o 1 997 XF11, viajando em dire��o � Terra. O diretor, o astr�nomo Brian G. Marsden, ficou alarmado. "A m�quina pifou porque n�o estava ajustada para calcular rotas que chegassem t�o perto", contou mais tarde. "Quando o computador travou, dissemos: bateu!" Pelas proje��es, em 2028 o XF11 passaria a cerca de 50.000 quil�metros da Terra, muito mais perto do que a Lua, que fica a 384.000 quil�metros. Um rasp�o, em escala astron�mica. Ainda assim, era um c�lculo otimista. Como havia uma margem de erro de 290.000 quil�metros, Marsden n�o descartava que o aster�ide viesse at� a colidir com a Terra. Seria uma cat�strofe. Com pelo menos 1,5 quil�metro de di�metro, o XF11 atingiria a Terra a uma velocidade de 27.000 quil�metros por hora. O impacto, igual � detona��o de 2 milh�es de bombas at�micas, abriria uma cratera de 32 quil�metros de di�metro e mataria bilh�es de pessoas. Uau!
No mesmo dia, o cientista exortou os astr�nomos de todo o mundo a ajud�-lo a refazer os c�lculos. Na quinta-feira, todos apontaram seus telesc�pios para aquele pontinho no c�u. Para sorte da esp�cie humana, as contas de Marsden foram trituradas. Pelas medi��es da Nasa, a ag�ncia espacial americana, em 2028 o aster�ide passar� a, pelo menos, 960.000 quil�metros da Terra � perto, mas bem longe de representar amea�a. "A probabilidade de esse aster�ide trombar conosco � zero", anunciou o diretor do Laborat�rio de Propuls�o a Jato da Nasa, Donald Yeomans. Assim, o XF11 continuar� a ser um velho vizinho da Terra. Circula ao redor do Sol a cada 21 meses, numa �rbita mais ampla que a nossa. Embora decepcionante para os catastrofistas, o epis�dio mostrou quanto a astronomia se popularizou, depois da melhoria dos telesc�pios, das informa��es de sondas espaciais e dos esfor�os em desvendar fen�menos como os buracos negros e a presen�a de �gua em luas do sistema solar. Hoje aster�ides s�o ca�ados como ETs. Na Universidade do Arizona existe at� o servi�o de "patrulhamento do espa�o", que monitora o movimento de 108 aster�ides considerados "potencialmente perigosos".
Os cientistas ainda n�o sabem ao certo como s�o os aster�ides, pintados pela fic��o antigamente como bolas incandescentes e, agora, como batatas siderais. Nenhum telesc�pio ainda tem a pot�ncia necess�ria para fixar com exatid�o esses fragmentos de rocha que erram pelo cosmo. No Congresso americano, tentou-se aprovar um programa batizado de Clementine, para encontrar meios de captur�-los e destru�-los no espa�o em caso de urg�ncia. O projeto, defendido pelo deputado James Sensenbrenner, foi pulverizado no meio do caminho entre outros vetos or�ament�rios do presidente Bill Clinton em outubro passado. Nessa �rea, restou a fantasia. No pr�ximo ver�o americano devem ser lan�ados dois filmes � Armageddon, com Bruce Willis, e Deep Impact, com Morgan Freeman �, baseados no mesmo roteiro: na imin�ncia da queda de um aster�ide fatal, um grupo � enviado ao espa�o para bombarde�-lo antes que chegue � Terra. Felizmente na vida real n�o ser� preciso � pelo menos por enquanto. |