Na Fronteira Final Veja 29/03/2000 A recep��o dos sinais enviados pela Pioneer 10, nave lan�ada h� 28 anos.
Os t�cnicos da Nasa est�o comemorando um feito not�vel. Conseguiram concluir com �xito uma complexa opera��o para melhorar a recep��o dos sinais enviados pela Pioneer 10, nave lan�ada h� 28 anos e atualmente a mais de 11 bilh�es de quil�metros da Terra. Com o ajuste, espera-se contar com seus transmissores por mais dois anos. Essa sobrevida � importante porque pode contribuir para um acontecimento ansiosamente aguardado pelos cientistas: a Pioneer 10 � uma das quatro sondas espaciais que nos pr�ximos anos devem deixar o sistema solar. Manter a comunica��o com as naves � essencial para que os cientistas possam finalmente tra�ar a fronteira de nosso sistema. Pouco se sabe sobre a regi�o onde a influ�ncia solar � suplantada pela radia��o que chega dos confins do espa�o interestelar. Mesmo sua localiza��o � estimativa, entre 16 bilh�es e 24 bilh�es de quil�metros. Mais velozes e modernas, mantendo comunica��o com a base, as sondas Voyager 1 e 2 tamb�m seguem em dire��o a esse ponto turbulento do espa�o. Uma quarta nave, a Pioneer 11, vai pelo mesmo caminho, mas � incapaz de transmitir sinais para a Terra.
O destino dessas sondas � uma jornada de fic��o cient�fica. V�o vagar indefinidamente pelos confins da gal�xia, levando uma mensagem da humanidade para um destinat�rio desconhecido. "Elas se transformar�o numa esp�cie de testamento da humanidade, durando muito mais tempo do que a exist�ncia de nossa civiliza��o", diz Lawrence Lasher, diretor do programa Pioneer em Mountain View, na Calif�rnia. Tecnicamente, as sondas interestelares da Nasa s� t�m uma limita��o, as baterias. Quando o gerador movido a energia at�mica se esgotar, as naves perder�o a capacidade de se comunicar com a Terra. Foi o que ocorreu com a Pioneer 11, hoje vagando muda pelo espa�o. De resto, as quatro n�o t�m prazo de validade. V�o continuar voando num v�cuo livre de obst�culos por milh�es de anos. A possibilidade de choques com aster�ides ou outros corpos celestes � praticamente inexistente al�m dos limites do sistema solar. A maior amea�a � a explos�o inesperada de alguma estrela. A expectativa dos cientistas americanos � de que as naves ainda existam quando o Sol inchar sob a forma de uma estrela vermelha gigante e incinerar os planetas que giram em sua �rbita, daqui a cinco bilh�es de anos. At� l� as sondas dever�o ter passado por dezenas de estrelas viajando a uma velocidade entre 40.000 e 60.000 quil�metros por hora.
Os pesquisadores consideram as sondas uma esp�cie de embaixadoras da Terra no cosmos e antes do lan�amento trataram de colocar em cada uma delas sinais da civiliza��o que as construiu. A Pioneer 10 leva uma placa folhada a ouro com desenhos feitos pelos astr�nomos Frank Drake e Carl Sagan. L� est�o gravados um esquema simplificado da nave, um mapa do sistema solar, a trajet�ria percorrida desde a sa�da da Terra e ainda as figuras de um homem e uma mulher. As sondas Voyager carregam discos de cobre com grava��es de imagens e sons da Terra, incluindo sauda��es em 55 idiomas. Os discos est�o acondicionados em compartimentos de alum�nio, acompanhados por uma c�psula e uma agulha pr�prias para toc�-los, caso sejam encontrados por extraterrestres.
As sondas interestelares Pioneer e Voyager pertencem a duas gera��es bem distintas de artefatos espaciais constru�dos para explorar os planetas mais distantes do sistema solar. As Pioneer, projetadas na d�cada de 60, s�o os �ltimos exemplares de uma s�rie de oito naves que come�ou explorando os limites da atmosfera terrestre. O modelo 10 foi o primeiro a passar por J�piter e a cruzar o cintur�o de aster�ides de Kuiper, localizado al�m da �rbita do �ltimo planeta do sistema solar, Plut�o. Curiosamente, o projeto inicial era uma miss�o cient�fica de apenas dois anos. Hoje, os sinais da nave velhusca levam dez horas para chegar � Terra. Mesmo fraco, � um assombro perto do desempenho dos modelos anteriores. A Pioneer 11 teve vida �til bem mais curta. Os �ltimos sinais foram enviados para a Terra em 1995. Ainda assim, foi uma carreira e tanto. Lan�ada em 1973, a nave passeou pelos arredores de J�piter, Urano e Saturno. Os t�cnicos da Nasa estimam que esteja hoje a uma dist�ncia de 8 bilh�es de quil�metros do Sol, voando em dire��o � Constela��o de �guia. "Nunca imaginamos que essa nave iria durar tanto", disse Lasher.
As duas Voyager, de tecnologia mais recente, devem continuar operando at� 2020, o suficiente para enviar dados da primeira etapa de seu v�o interestelar. A Voyager 1, lan�ada em setembro de 1977, � hoje a mais r�pida das quatro sondas, viajando a uma velocidade de 60 000 quil�metros por hora. Desde 1998, quando ultrapassou a Pioneer 10, ela det�m a gl�ria de ser o objeto fabricado pelo homem que est� mais distante do Sol. No ritmo atual, deve ser tamb�m a primeira nave a ingressar no espa�o interestelar. Depois de explorar J�piter, Urano e Saturno e cruzar a �rbita de Plut�o, coube-lhe fazer uma das mais belas fotos j� tiradas do sistema solar, em 1990. Na imagem, um perfeito retrato de fam�lia, v�-se o Sol ao fundo com seis planetas alinhados: V�nus, Terra, J�piter, Saturno, Urano e Netuno. Foi seu �ltimo olhar para o sistema solar. Os t�cnicos desligaram a m�quina fotogr�fica pouco depois. |