Infinito e Eterno Veja 03/05/2000 Imagens do universo rec�m-formado mostram que sua expans�o pode continuar para sempre
Uma das quest�es essenciais da ci�ncia � a natureza e o destino do universo � ganhou nova teoria na semana passada. Com base em observa��es de um telesc�pio a bordo de um bal�o sobre a Ant�rtica, uma equipe internacional de pesquisadores acredita ter conseguido captar raios emitidos h� quase 12 bilh�es de anos, per�odo relativamente pr�ximo da grande explos�o, o Big Bang, que criou o universo. Ao analisar os sinais daqueles instantes primordiais, eles conclu�ram que o destino perene do cosmo estava tra�ado desde o nascimento. A teoria � sensacional e mexe com convic��es bem estabelecidas no mundo cient�fico. Ao contr�rio do que se temia, � bem mais prov�vel que o macrocosmo (isto �, o conjunto de tudo o que existe, incluindo as gal�xias e toda a mat�ria disseminada no espa�o) seja eterno. "� uma novidade excitante, que mudar� todos os livros que contam a hist�ria do universo", entusiasma-se Peter Ade, da Universidade de Londres e um dos pesquisadores da equipe.
O universo vem se expandindo continuamente desde o Big Bang. As gal�xias est�o se afastando umas das outras, e sempre se discutiu a exist�ncia de um limite para esse crescimento. Suspeitava-se que em determinado momento a for�a de expans�o se tornaria mais fraca que a press�o da gravidade, e o movimento seria invertido. Ocorreria ent�o o chamado Big Crunch, com o universo comprimindo-se, esmagando planetas, estrelas e gal�xias. As novas imagens permitiram aos cientistas estimar a densidade do universo no Big Bang. Com isso, foi poss�vel concluir que n�o h� mat�ria suficiente no espa�o para interromper o processo de expans�o. Significa que, al�m de infinito, o universo vai durar para sempre. Em quest�es de tal magnitude nenhuma resposta deve ser tomada como a palavra final. N�o se explicou de modo razo�vel, por exemplo, sobre qual espa�o avan�a um universo que �, por defini��o, infinito.
A imagem do universo rec�m-formado � o resultado de um projeto ambicioso, chamado de Boomerang, organizado por dezesseis universidades e organiza��es da It�lia, da Inglaterra, do Canad� e dos Estados Unidos. O telesc�pio de 2 toneladas e instrumentos de alta sensibilidade montado num bal�o atmosf�rico sobrevoou a Ant�rtica a 37.000 metros de altitude e rastreou um trecho correspondente a 3% do c�u. O que captou n�o foi a luz solar, mas a chamada radia��o c�smica de fundo, as part�culas luminosas resultantes do Big Bang. A imagem � de um universo imensamente menor e mais quente que hoje. Planetas e estrelas ainda n�o haviam nascido nem os �tomos se tinham formado. Tudo o que existia era um plasma mais quente e denso que o interior do Sol. A radia��o remanescente est� por toda parte, a ponto de ser considerada respons�vel por 1% da interfer�ncia nas transmiss�es de TV. |