An�is de Poeira Veja 23/09/1998 Cientistas descobrem que J�piter � cercado por um bambol� de detritos siderais
Saturno � famoso pelos an�is, mas J�piter, o maior planeta do sistema solar, tamb�m possui os seus. Eram dois, que n�o podem ser vistos com telesc�pios a partir da Terra, e s� sa�ram do anonimato em 1979, quando foram fotografados pela sonda espacial Voyager I. Havia suspeitas da exist�ncia de um terceiro anel, que aumentava a curiosidade dos astr�nomos: de onde eles viriam? Na semana passada, depois da an�lise de dados colhidos pela sonda Galileu, colocada para orbitar o planeta nos �ltimos dois anos, uma equipe de cientistas americanos finalmente matou a charada. De acordo com astr�nomos da Universidade Cornell e do Observat�rio Nacional de Astronomia �tica de Tucson, nos Estados Unidos, o terceiro anel de J�piter na verdade subdivide-se em dois, quase transparentes, que giram como um bambol� em torno do planeta. Segundo eles, esses an�is s�o a reuni�o de uma gigantesca quantidade de poeira espacial. Ao contr�rio dos an�is de Saturno, n�o cont�m gelo. Foram formados por detritos lan�ados no espa�o em colis�es de meteoros com quatro luas de J�piter: Teba, Amaltea, Adrastea e Metis.
Os quatro sat�lites, os mais pr�ximos do planeta entre os dezesseis que ele possui, s�o constantemente atingidos por meteoros que viajam a 40 quil�metros por segundo, velocidade 100 vezes maior que a da bala de um rev�lver calibre 22. Como as luas t�m baix�ssima gravidade, milhares de part�culas, menores que a poeira que se junta dentro de casa, acabam lan�adas ao espa�o. O campo gravitacional de J�piter atrai esse p� c�smico, formando os quatro an�is. Eles ficam a 240.000 quil�metros do planeta e a apenas 27 metros um do outro. Pela sua composi��o, s�o di�fanos como teias de aranha, algo n�o imaginado anteriormente pelos cientistas. "Esses an�is s�o laborat�rios din�micos que podem ajudar-nos a entender a forma��o do universo", explica Joseph Burns, um dos astr�nomos de Cornell que coordenaram a pesquisa. O cientista diz que, embora em constante transforma��o, os an�is nunca mudam de tamanho e densidade porque as min�sculas part�culas de poeira t�m vida curta e s�o sempre substitu�das por outras. O fen�meno, analisado gra�as a imagens coletadas pela Galileu em 1996 e 1997, j� � considerado a descoberta mais importante at� o momento da sonda espacial. |