Sa�da para o Caribe
Veja 02/12/1998
Fica pronta a estrada que liga o Brasil � Venezuela e tira Roraima do isolamento

Ligar o Brasil ao Caribe, por uma estrada que passa pela Venezuela, � um sonho antigo dos moradores nos dois lados da fronteira. Ele se concretizou na semana passada com a inaugura��o da BR-174, uma rodovia de 970 quil�metros, asfaltada e bem sinalizada. A l�ngua de asfalto come�a em Manaus, corta o Estado de Roraima, passando pela capital Boa Vista, e segue at� a cidade de Santa Elena, ao sul da Venezuela. De l�, liga-se � capital venezuelana, Caracas, � beira do mar caribenho, por uma estrada de 1.130 quil�metros j� existente. Os dois pa�ses festejaram o acontecimento. Para os venezuelanos, a BR-174 representa a porta de entrada para um novo e grande mercado consumidor. Para o Brasil � um caminho alternativo n�o s� para o vizinho do norte mas tamb�m para a Europa e os Estados Unidos.

Os efeitos positivos da nova liga��o come�aram antes mesmo de a obra estar completamente pronta. O com�rcio entre Brasil e Venezuela deu um salto de 800 milh�es de reais em 1994 para 1,9 bilh�o no ano passado. Agora com o percurso todo asfaltado, a perspectiva � que o interc�mbio comercial entre os dois pa�ses ultrapasse 2,4 bilh�es no ano que vem � o triplo de quatro anos atr�s. A Zona Franca de Manaus aposta na conclus�o da rodovia para sobreviver � crise. H� dois anos, a Venezuela comprava 1,8% das exporta��es da Zona Franca. Hoje compra 20%, onze vezes mais. Para Roraima, a BR-174 � ainda mais importante, pois representa a �nica liga��o terrestre do Estado com o resto do pa�s e do mundo. A estrada tamb�m diminuir� significativamente os custos da exporta��o de produtos brasileiros da regi�o.

Ped�gio ind�gena � As expectativas de neg�cios s�o t�o boas que a inaugura��o da estrada reuniu o presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente venezuelano, Rafael Caldera, no marco BV-8, um ponto que indica o limite entre os dois pa�ses. A BR-174 come�ou a ser constru�da na mesma �poca da BR-230, o sonho megal�mano do governo militar batizado de Transamaz�nica que hoje n�o passa de uma trilha na selva. Embora o projeto inicial tenha sido do governo federal, foram os governos dos Estados do Amazonas e de Roraima que tiveram de abrir os cofres para que a BR-174 n�o se transformasse em outra estrada fantasma. Do total de 170 milh�es de reais investidos na obra, o governo federal bancou menos de 10%. O governo de Roraima arcou com cerca de 42 milh�es de reais (25% do total) e o do Amazonas, com 28 milh�es de reais. A maior import�ncia, no entanto, n�o saiu do Brasil. A Corporaci�n Andina de Fomento, uma institui��o financeira dos pa�ses andinos, entrou com 84 milh�es de reais, quase 50% do custo da obra.

Uma parcela da verba dos governos estaduais foi destinada � Funai. Os �ndios vaimiri-atroari, cuja reserva ocupa parte do sul de Roraima e norte do Amazonas, exigiram o pagamento de 4,5 milh�es de reais para permitir que a estrada fosse asfaltada nos trechos que lhes pertencem. Agora os Estados da Regi�o Norte esperam a conclus�o de outras duas estradas h� muito sonhadas. A do Arco Norte, que liga o Amap� e Roraima, passando pelo Suriname e Guianas, e a rodovia que criaria uma sa�da do Acre para o Oceano Pac�fico, por territ�rio peruano.
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