Pedra Preciosa Veja 13/05/1998 Jazida de f�sseis no Cear� ganha prote��o com museu
A terra �rida da Chapada do Araripe, �rea de 200 quil�metros quadrados na fronteira entre os Estados de Pernambuco, Cear�, Para�ba e Piau�, abriga a maior concentra��o mundial de f�sseis do per�odo cret�ceo, entre 140 milh�es e 65 milh�es de anos atr�s. Esse tesouro cient�fico, no entanto, vem sendo dilapidado h� d�cadas pelo com�rcio ilegal de f�sseis e pela explora��o de calc�rio, uma das principais fontes de renda da regi�o. H� duas semanas, com a reinaugura��o do Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri, depois de dois anos de reforma, criou-se nova esperan�a de preserva��o desse patrim�nio milenar. No Araripe, existem f�sseis das primeiras plantas com flores no planeta e de in�meros insetos, peixes, anf�bios e r�pteis, como o pterossauro, animal ao mesmo tempo voador e marinho que viveu do per�odo tri�sico ao cret�ceo. Recentemente, descobriu-se ali um f�ssil de tartaruga que se imagina ser o mais antigo do mundo, com 110 milh�es de anos.
A riqueza da Chapada do Araripe � resultado de uma combina��o rara de fatores. "H� milh�es de anos, a regi�o era repleta de lagos de �gua doce e salgada com baixa oxigena��o", explica o fundador do museu, Pl�cido Cidade Nuvens. O pouco oxig�nio existente naquele ambiente foi insuficiente para oxidar preciosidades para os cientistas como ossos de animais, escamas de peixes e corpos inteiros de insetos, que permaneceram conservados. "� a maior jazida paleontol�gica do mundo", afirma John Maisey, cientista do Museu Americano de Hist�ria Natural, em Nova York. As pe�as mais significativas coletadas est�o no acervo do museu cearense, localizado na cidade de Santana de Cariri, 600 quil�metros ao sul de Fortaleza, que mostra uma interessante retrospectiva da hist�ria ecol�gica da regi�o.
A import�ncia maior da reabertura do museu � o impacto que deve causar na luta contra o com�rcio ilegal de f�sseis. Com 16.000 habitantes, a maior parte vivendo de agricultura de subsist�ncia e da extra��o de argila e calc�rio, Santana do Cariri transformou-se no para�so dos contrabandistas de f�sseis. Trambiqueiros internacionais pagam os moradores pelas pilhas de ossos que coletam e depois as vendem para cientistas europeus e americanos. Al�m disso, h� o problema da destrui��o dos f�sseis durante o processo de extra��o do calc�rio laminado usado na fabrica��o de pisos � � na camada de calc�rio que se encontram os f�sseis. Agora, um grupo de pesquisadores est� ensinando os funcion�rios das mineradoras a identificar f�sseis nas placas de calc�rio para ser encaminhados aos cientistas do museu. Alunos da universidade tamb�m desenvolveram um aparelho de extra��o que reduz em 70% o desperd�cio do mineral e ajuda a conservar os f�sseis.
F�sseis das primeiras plantas com flores e de peixes: tesouros |