O Martelo de Deus Veja 17/02/1999 Noruegueses acham no fundo do mar cratera gigantesca feita por um meteoro
Ge�logos de uma companhia norueguesa rastreavam o fundo do Mar �rtico em busca de reservas de petr�leo e g�s natural quando se depararam com uma estranha altera��o no relevo submarino. Ao analis�-lo em detalhes, conclu�ram que estavam diante de uma cratera com 40 quil�metros de di�metro. Ela foi produzida pela queda de um meteoro gigantesco cerca de 150 milh�es de anos atr�s, numa �poca em que a Terra ainda era habitada pelos dinossauros. Segundo c�lculos de cientistas da Universidade de Oslo, o rochedo tinha aproximadamente 2 quil�metros de di�metro, maior que o maci�o formado pelo P�o de A��car e o Morro da Urca, no Rio de Janeiro. O impacto com a superf�cie, a 30.000 quil�metros por hora, foi t�o violento que a temperatura nas imedia��es pulou para 10.000 graus Celsius. Ondas gigantescas varreram toda a regi�o entre a R�ssia e o Canad�. Do fundo do mar, peda�os de rochas se desprenderam e voaram rumo � atmosfera. Quando o maremoto cessou, a regi�o ficou no breu. Uma camada de poeira e part�culas bloqueou a luz do Sol por um longo per�odo.
Crateras que surgem com choques de meteoros ou cometas s�o dif�ceis de ser localizadas nos oceanos. At� agora, os cientistas j� haviam catalogado 160 delas na superf�cie dos continentes, mas s� sete nas profundezas do mar. A descoberta dos noruegueses tamb�m indica que esses eventos ocorreram a intervalos mais regulares na hist�ria do planeta do que se supunha. Cada uma dessas colis�es alterou de forma dr�stica a evolu��o da vida na Terra, extinguindo milhares de esp�cies e criando condi��es para que outras surgissem. J� se sabia, por exemplo, que a causa mais prov�vel da extin��o dos dinossauros teria sido a queda de um meteoro na Pen�nsula de Yucat�n, na costa do M�xico, 65 milh�es de anos atr�s. O que ningu�m imaginava, at� a semana passada, � que cerca de 100 milh�es de anos antes os dinossauros j� tinham enfrentado um cataclismo parecido � e, milagrosamente, sobrevivido a ele. "Todas as crateras que vemos na superf�cie da Lua foram provocadas por impactos de meteoros", disse Henning Dypvik, l�der da equipe que descobriu a cratera no Mar �rtico, � revista cient�fica norueguesa Gemini. "Com a Terra aconteceu a mesma coisa, com a diferen�a de que os rios, as montanhas e a vegeta��o disfar�am as evid�ncias."
Vizinhos perigosos � Na escala de tempo medida pela presen�a dos seres humanos na Terra, cerca de 2 milh�es de anos, a probabilidade de um choque c�smico dessas propor��es � relativamente pequena. Isso n�o significa que jamais venha a se repetir. Aproximadamente 2.000 aster�ides com mais de 1 quil�metro de di�metro cruzam ou se aproximam regularmente da �rbita do nosso planeta. At� hoje os cientistas s� conhecem com exatid�o a trajet�ria de 200 deles. Al�m desses objetos mais avantajados, estima-se que viajem nas redondezas da Terra mais de 100 milh�es de outros rochedos com di�metros entre 90 metros (tamanho de um edif�cio de trinta andares) e 20 metros (comprimento de dois �nibus enfileirados). Mesmo esses aster�ides pequenos poderiam destruir cidades inteiras e matar milhares de pessoas, dependendo da regi�o atingida. Acredita-se que, em 1908, um deles explodiu sobre a regi�o de Tunguska, na Sib�ria. S� n�o foi uma trag�dia maior porque a regi�o era desabitada. Outra amea�a s�o os cometas. Apenas quatro anos atr�s um deles se chocou com J�piter, produzindo uma mancha do tamanho da Terra que at� hoje pode ser observada na superf�cie do planeta.
Em mar�o de 1998, um erro de c�lculo do Smithsonian Astrophysical Observatory, de Massachusetts, fez com que durante 24 horas os cientistas acreditassem que um aster�ide de 1,5 quil�metro de di�metro atingiria a Terra no ano de 2028. As contas, refeitas no dia seguinte, mostraram que o aster�ide passaria a 960.000 quil�metros do planeta. A amea�a que esses corpos celestes representam para o futuro da humanidade, por�m, � bastante real. Por isso a Nasa, a ag�ncia espacial americana, decidiu estud�-los de perto. O projeto inclui o envio de pequenas naves para fotografar e analisar alguns aster�ides. A primeira delas foi lan�ada em 1996, em dire��o a Eros, aster�ide de 30 quil�metros de comprimento e 14 de largura, situado entre a �rbita da Terra e de Marte. A meta � fotografar o objeto a 15 quil�metros de dist�ncia. Essas imagens devem come�ar a chegar � Terra no in�cio do ano que vem. O objetivo seguinte � enviar uma nave-rob�, que pousar� em Eros.
O temor do choque de um aster�ide com a Terra se tornou tema recorrente na fic��o cient�fica. No romance O Martelo de Deus, de Arthur Clarke, o planeta � salvo pela tripula��o de uma nave estacionada entre a �rbita de Marte e a de J�piter com a tarefa de vigiar esses corpos celestes. Na hist�ria imaginada por Clarke, a nave consegue plantar um foguete na superf�cie do aster�ide e alterar sua rota antes que alcan�asse a atmosfera terrestre. No ano passado, Hollywood produziu dois filmes com roteiro semelhante. Em Armageddon, Bruce Willis � enviado � superf�cie de um meteoro para tentar deton�-lo antes de este antingir a Terra. Em Impacto Profundo, o papel de salvador da humanidade � desempenhado por Robert Duvall. O que ningu�m sabe � se, na hip�tese de uma amea�a real, a tarefa de espantar o fim do mundo seria t�o bem-sucedida. |