Lagarto de 40 milh�es
Lagarto de 40 milh�es de anos e novos f�sseis ajudam a explicar a evolu��o da vida

As descobertas de dois grupos de f�sseis, anunciadas na semana passada, prometem iluminar as pesquisas de alguns dos per�odos menos conhecidos da evolu��o da vida na Terra. O primeiro lote inclui dezenas de embri�es microsc�picos de uma esp�cie de animal marinho que viveu h� quase 600 milh�es de anos. Eles foram encontrados em dep�sitos de fosfato na regi�o Sudeste da China e ganharam destaque nas edi��es das duas principais revistas cient�ficas do mundo, a inglesa Nature e a americana Science. As primeiras an�lises mostram que s�o os mais antigos registros j� encontrados de animais bilaterais, ou seja, com lados direito e esquerdo diferenciados  categoria em que hoje se encaixam todas as esp�cies de vida mais evolu�das, como a dos seres humanos. O segundo achado � um lagarto do tamanho de uma caixa de f�sforos que, durante 40 milh�es de anos, ficou preservado numa c�psula natural de �mbar, a resina de uma esp�cie j� extinta de pinheiro. � a primeira vez que se encontra um animal t�o antigo e t�o bem conservado.

Com o tamanho de um gr�o de areia, os f�sseis de embri�es encontrados na China foram saudados como a maior descoberta da paleontologia do �ltimo meio s�culo. O motivo � que eles pertencem ao per�odo pr�-cambriano. At� agora, acreditava-se que, nessa �poca, a Terra era habitada por esp�cies unicelulares. Somente na era cambriana, entre 560 milh�es e 500 milh�es de anos atr�s, � que houve uma explos�o evolutiva que gerou os antepassados das conchas e animais multicelulares. Outra linha de cientistas acreditava que essa evolu��o j� vinha ocorrendo antes. O problema � que esses seres n�o tinham esqueleto e n�o deixaram registros f�sseis. Por isso, at� agora n�o havia provas dessa teoria. A pesquisa na China mudou isso. Os embri�es ficaram preservados durante todos esses milh�es de anos pelo fosfato, abundante no local das escava��es, que antes era uma mina de fertilizantes agr�colas. "Essa descoberta � maravilhosa", disse ao jornal The New York Times um dos papas do estudo sobre biologia evolutiva, o americano Stephen Jay Gould. "Abriu-se um novo caminho para os estudos de como a vida evoluiu na Terra."

Parque dos dinossauros 

Nos �ltimos anos, o ramo da ci�ncia que mais avan�ou para explicar essa evolu��o foi a biologia celular. Comparando o tipo e o tamanho das estruturas gen�ticas de esp�cies diferentes, alguns cientistas conseguiram estimar que as primeiras formas de vida unicelular surgiram no planeta h� 3,6 bilh�es de anos, cerca de 1 bilh�o de anos depois da forma��o da Terra. Com a descoberta dos f�sseis, essas pesquisas ficam muito mais f�ceis. Por meio de microsc�pios superpotentes, ser� poss�vel, por exemplo, descobrir como eram a estrutura celular, a forma de reprodu��o e o aparelho digestivo desses antepassados dos moluscos. "Agora ser� poss�vel entender melhor quais foram os est�gios evolutivos entre os seres mais elementares e os multicelulares", diz o bi�logo Gregory Wray, da universidade estadual de Nova York. "Com certeza vai haver uma corrida atr�s de dep�sitos de fosfato por todo o mundo em busca de f�sseis ainda mais antigos."

O pequeno lagarto imerso numa bolha de �mbar servir� para outra linha de pesquisa. Achado em junho do ano passado por um casal de colecionadores numa floresta pr�xima a Gdansk, na Pol�nia, o r�ptil ter� seu DNA extra�do para compara��o com seus parentes atuais. Dessa maneira, os cientistas esperam entender que tipo de mudan�a ocorreu entre os r�pteis desde que surgiram na Terra as primeiras esp�cies de primata. A descoberta polonesa tamb�m alimenta o imagin�rio de uma fa�anha tecnicamente imposs�vel hoje: a recria��o de esp�cies extintas atrav�s da reprodu��o do DNA  o argumento dos filmes Parque dos Dinossauros e O Mundo Perdido, de Steven Spielberg.
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