Pontos com N� Veja 17/06/1998 A renda do Cear� ganha cores e desenhos modernos e enfeita at� tamancos
A ousadia das cores escuras, padronagens e recortes modernos: renova��o d� mais alento ao of�cio da mulher rendeira
As turistas que desembarcam no Cear� com sede de consumo e se frustram depois de comprar a terceira toalha de renda j� podem ficar mais tranq�ilas. O tradicional artesanato cearense come�a a oferecer mais op��es. Coloridas e modernas, as rendas est�o de cara nova. Com isso, saem da esfera exclusiva das feiras de artesanato e da briga com fios sint�ticos, pousam na prancheta de estilistas fashion e d�o novo alento a um of�cio que caminhava para a extin��o � at� a exporta��o das rendas ganhou um certo impulso, com arrecada��o anual de 180.000 reais. Por tr�s dessa revolu��o dos teares est� a Ethos, oficina que as psic�logas Bia Castro e L�cia Neves transformaram em uma esp�cie de laborat�rio de moderniza��o da renda e escola de rendeiras. "Criamos novos desenhos, aplicamos as rendas em pe�as diferentes, investimos no preto. Foi uma redescoberta", diz L�cia.
Toalha de labirinto, tamanco de plataforma e jogo americano de renda e croch�, a estrela do novo estilo: tradi��o repaginada
Encampado pela Central de Artesanato do Cear�, Ceart, �rg�o vinculado ao governo, o trabalho pioneiro de Bia e L�cia se ampliou. Em quatro anos, formou 20.000 artes�os e produziu mais de 1 milh�o de pe�as. Muito enxoval e muitos joguinhos de mesa, como � de praxe. Mas tamb�m xales, pare�s e vestidos colorid�ssimos, com misturas impens�veis de pontos e investidas no preto, que nunca teve vez na tradicional renda cearense, al�m dos tamancos de plataforma, esculpidos a m�o, com tiras de renda de labirinto e forro de cetim colorido. Repaginada, a renda � toque constante nas roupas do estilista Lino Villaventura, o imaginativo paraense criado no Cear�, hoje morando em S�o Paulo. "Fa�o bordados e aplica��es nas rendas para diferenciar o resultado, mas tomo o cuidado de nunca descaracterizar o trabalho, que � muito refinado", elogia.
Villaventura tamb�m faz parceria com a Ceart no esfor�o para "recuperar o que j� n�o se fazia mais": a renda de origem portuguesa e holandesa com tempero ind�gena que � s�mbolo do Cear�, tecida em ponto de labirinto (mais fechada), bilro (renda furadinha, com flores) e fil� (aberta, tipo rede de pesca). Embora as cores e padronagens modernas chamem mais a aten��o, a renda branca tradicional tamb�m se beneficia dos novos ares. Do ateli� de Ethel Whitehurst, carioca radicada em Fortaleza e coordenadora de cursos na Ceart, saiu recentemente um ba� de roupas de beb� � parte do monumental enxoval de Sasha, a filha ainda em gesta��o da apresentadora Xuxa. |