Os Novos Titanic Veja 17/06/1998 Uma gera��o de supertransatl�nticos resgata o fasc�nio das viagens mar�timas Na foto abaixo: Grand Princess: lan�ado no m�s passado, � maior e muito mais confort�vel que o Titanic original
Caso a hist�ria do filme Titanic fosse transportada para o maior navio do mundo em 1998, Jack (Leonardo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet) poderiam se amar com muito mais tranq�ilidade. A come�ar pelo primeiro encontro. Ele poderia acontecer, por exemplo, numa discoteca envidra�ada a 46 metros de altura. Ela ocupa o �ltimo peda�o do tombadilho no Grand Princess, lan�ado ao mar no final do m�s passado. O casal poderia tamb�m fugir do noivo dela e esconder-se com muito mais facilidade, j� que o Grand Princess � muito maior. Com capacidade para 2.600 passageiros, duas vezes mais que a do Titanic, o novo transatl�ntico tem n�meros grandiosos. Pesa 109.000 toneladas, � mais alto que a Est�tua da Liberdade e mais comprido do que quatro Boeing 747 enfileirados (veja desenhos). Nos seus dezoito andares h� butiques, restaurantes, treze piscinas, um spa, quadra poliesportiva, pista de cooper, um pequeno campo de golfe com nove buracos, biblioteca, um centro de divers�es virtuais e o maior cassino flutuante do planeta. Al�m de uma providencial capela, para o caso de os Jack e Rose de hoje resolverem se casar. O barco, que custou quase meio bilh�o de d�lares, � tamb�m um sucesso de p�blico. Ao zarpar pela primeira vez, no �ltimo dia 26, j� tinha reservas esgotadas por seis meses.
Transatl�nticos de grande porte, com muita divers�o a bordo, nunca estiveram t�o em moda. No ano passado, 5 milh�es de pessoas fizeram cruzeiros em todo o mundo, um n�mero dez vezes maior que o de vinte anos atr�s. As maiores empresas do ramo, a Carnival, a Royal Caribbean e a Princess, disputam no momento quem faz o maior barco. O Grand Princess superou o Destiny, �ltimo tit� dos mares da Carnival, um gigante de 101.000 toneladas. A Royal Caribbean quer passar ambos para tr�s com o Eagle, de 136.000 toneladas, a ser lan�ado no ano 2000. As tr�s empresas j� encomendaram mais dezenove barcos, que, em quatro anos, somar�o 40.000 novas cabines. Elas v�o aumentar em 50% seu atual n�mero de lugares.
At� a Disney entrou para valer nessa batalha naval. Sua subsidi�ria mar�tima, a Disney Cruise Line, investiu 720 milh�es de d�lares na constru��o de dois navios de 1.760 passageiros cada um. O primeiro, o Disney Magic, deve zarpar pela primeira vez no pr�ximo dia 30 de julho. Far� viagens de uma semana levando os turistas da Disney na Fl�rida para as Bahamas, incluindo parada em Nassau e numa ilha particular da pr�pria Disney � a Castaway Cay, com tr�s praias e uma lagoa para mergulho. No ano que vem, ser� a vez do Disney Wonder, ainda em constru��o. A Carnival, que acaba de lan�ar o Elation ao custo de 330 milh�es de d�lares, anuncia para novembro pr�ximo a inaugura��o de um navio exclusivo para n�o fumantes, o Paradise. Nem os oper�rios que trabalham na constru��o do barco podem dar suas baforadas no estaleiro. O Paradise inaugura nova fase da empresa, batizada de Fun Ships, com navios gigantescos de mais de 100.000 toneladas e o m�ximo poss�vel de atividades, para que nenhum viajante fique parado.
"Cada vez mais os cruzeiros lotam com bastante anteced�ncia", diz Martin Jensen, diretor da operadora Queensberry, que vende passagens para a linha Princess no Brasil. Em boa parte, o sucesso recente dos cruzeiros se deve ao esfor�o das ag�ncias de viagem para mostrar que um passeio pelo mar n�o � mais um passatempo caro e entediante, um estigma que prejudicou o neg�cio num passado recente. Os transatl�nticos modernos s�o verdadeiros resorts flutuantes, com lojas, quadras poliesportivas, recrea��o infantil, shows, restaurantes, bares e intensa atividade social. Com exce��o de itiner�rios espec�ficos, podem custar at� menos do que hot�is de luxo em terra firme. Viajar durante uma semana pelo Alasca num navio como o Rhapsody of the Seas, da Royal Caribbean, por exemplo, custa no Brasil 3.113 d�lares por pessoa em cabine dupla, incluindo parte a�rea (at� Vancouver, de onde sai o barco, mais tr�s noites de hotel e seguro). Est�o inclu�das todas as refei��es e os servi�os do barco. Com 400 d�lares, mesmo pre�o da di�ria num bom hotel, � poss�vel fazer um cruzeiro de tr�s noites com pens�o completa no Caribe.
Agita��o e compras � Para os brasileiros, o Caribe � o lugar preferido para uma viagem mar�tima. "Os cruzeiros caribenhos s�o mais informais, t�m charme, programa��o intensa e ainda param em Miami, para as compras", diz Mariz Leiman, da Nascimento Turismo, que representa a Royal Caribbean, segunda maior empresa de cruzeiros do mundo. Neste ano, a empresa j� vendeu 5.430 passagens a brasileiros, 25% mais que no ano passado. A operadora Oremar, que vende cruzeiros pela Carnival, dona da maior frota de navios de passeio no mundo, com 37 transatl�nticos, sendo doze da sua Cruise Line, estima vender 15.000 passagens no Brasil at� o fim do ano. At� mesmo navios de luxo v�m sendo mais procurados. A Queensberry pretende colocar neste ano 2.000 brasileiros no mar a bordo dos navios Seabourn (pre�os de 6.000 d�lares em m�dia por pessoa em su�te dupla, por uma semana), Windstar (grandes veleiros a 3.000 d�lares por semana em su�te dupla, por pessoa) e Princess (pre�o m�dio de 2.000 d�lares por pessoa em cabine dupla). "Os brasileiros est�o aprendendo a viajar de navio", diz Martin Jensen, da Queensberry. "S� precisam aprender a fazer reservas com meses de anteced�ncia, para garantir lugares nos melhores barcos."
Embora a disputa seja grande, brasileiros j� est�o comprando bilhetes para o Grand Princess. Em dezembro do ano passado, a Queensberry j� havia vendido 160 cabines para 320 passageiros nos nove cruzeiros que o navio est� fazendo pelo Mediterr�neo. Doze brasileiros estavam no primeiro cruzeiro do Grand Princess, que chegou a Barcelona no �ltimo dia 6. Mais 300 pessoas reservaram lugar no pa�s para a temporada caribenha, que come�a em outubro. Para um cruzeiro de doze dias no Grand Princess na cabine mais simples, sem vista para o mar, o pre�o � de 2.895 d�lares por pessoa em cabine dupla. S� h� lugares a partir de 4 de outubro, quando o navio come�ar� sua rota pelo Caribe. No caso do barco da Disney, as vendas ainda n�o come�aram, de acordo com a Stella Barros Turismo. Motivo: o lan�amento do Disney Magic j� foi adiado tr�s vezes. Com a entrada da Disney, o mercado deve mudar de perfil, inventando roteiros espec�ficos para viajantes bem mais jovens do que o habitual nos itiner�rios mar�timos. O barco de 85.000 toneladas, com o Mickey Mouse estampado no casco, promete uma programa��o t�o animada quanto um giro pela DisneyWorld. No restaurante Animator's Palate, os passageiros entram para jantar num sal�o preto e branco que aos poucos � colorido com anima��o. Depois do jantar, todos s�o convidados para brincar dentro de um verdadeiro est�dio de TV. Para as crian�as, clubes com atividades espec�ficas, desde escaladas at� jogos interativos de computador. � um cruzeiro s� delas.
Viagens luxuosas � A preocupa��o com o lazer e o conforto dentro dos grandes cruzeiros � maior do que nunca. O Sovereign of the Seas, da Royal Caribbean, que faz a rota das Bahamas, oferece shows di�rios e, para quem quer descanso, tem uma bela biblioteca. A Costa, outra linha da corpora��o Carnival, oferece viagens luxuosas, com um projeto arquitet�nico que faz lembrar um hotel cinco estrelas, de vista panor�mica e cabines espa�osas. No Grand Princess, a qualquer hora do dia h� no m�nimo tr�s atra��es sendo oferecidas em algum lugar do barco. Nove de suas treze piscinas s�o de hidromassagem e h� uma especial para exerc�cios que permite nadar com correnteza contr�ria. At� mesmo quem desejar entrar no filme Titanic e dan�ar de fato com Jack e Rose pode faz�-lo brincando com a tela de v�deo, que permite recortar sua imagem e inseri-la no filme: uma divers�o como no filme A Rosa P�rpura do Cairo.
No futuro Eagle, que ter� capacidade para 3.100 passageiros, haver� espa�o para o primeiro rinque de gelo no mar, a primeira pista de patins in-line, cabines internas com varanda (e vista para o interior do navio), pared�o para escaladas e at� um est�dio de TV. O que mais falta inventar para os Titanic do terceiro mil�nio? Uma r�plica do original. Esse � o projeto ambicioso da US Swiss, que pretende gastar 500 milh�es de d�lares na constru��o de um Titanic para zarpar em 2002, no anivers�rio de noventa anos da viagem que acabou mal. Com a promessa de um servi�o a bordo similar ao do navio de Jack e Rose, por�m com botes salva-vidas suficientes para todos os 2.000 passageiros. |