Trem Fantasma Veja 18/11/1998 Atrasos e concorr�ncia do avi�o p�em fim ao Trem de Prata, entre Rio e S�o Paulo
O Trem de Prata, lend�ria composi��o noturna de passageiros no trajeto entre S�o Paulo e Rio de Janeiro, ressuscitada em 1994, est� acabando pela segunda vez. Ser� desativado no final deste m�s, pelo cons�rcio que o administra, formado pela Portobello, rede de hot�is de Angra dos Reis, e pela �til, companhia de transportes rodovi�rios. As duas empresas, que alugam por 50.000 reais mensais os trilhos da Flumitrens e da Malha Sudeste, para permitir o tr�nsito de suas duas composi��es, decidiram que n�o vale mais a pena manter o servi�o por m�ltiplas raz�es. Uma delas � a concorr�ncia com a ponte a�rea, cujos pre�os ca�ram muito desde que as companhias de avia��o come�aram a se engalfinhar numa disputa por passageiros em mar�o deste ano. Hoje, um bilhete do Trem de Prata custa 96 reais. �s sextas-feiras, quando a procura � maior, a tarifa sobe para 120 reais. Enquanto isso, � poss�vel encontrar lugar na ponte a�rea Rio�S�o Paulo por cerca de 60 reais. E a viagem n�o leva cinq�enta minutos, contra nove horas da ferrovia.
Desde que voltou a funcionar, o Trem de Prata procurou recuperar a aura que teve nos velhos tempos. Foi equipado de cabines duplas, chuveiro de �gua quente nos banheiros, carro-restaurante, com decora��o fiel � original, al�m de carro-bar, onde os passageiros passam parte da viagem conversando e ouvindo m�sica. Mesmo incluindo no pre�o o jantar e o caf� da manh�, a id�ia n�o funcionou como se imaginava. O Trem de Prata come�ou a sofrer atrasos freq�entes, em virtude de obras de manuten��o nos trilhos ou do descarrilamento de outros trens. Algumas viagens chegavam a atrasar quatro horas, e n�o foram raros casos em que os passageiros tiveram de descer do trem, no meio da madrugada, para completar o percurso de �nibus, quando a linha f�rrea estava interrompida por um acidente. Dessa forma, os clientes sumiram. H� um ano, o Trem de Prata, que tem lota��o de 76 lugares, sa�a de domingo a quarta-feira com cerca de trinta passageiros. Nos �ltimos meses, levava em m�dia apenas sete.
Bom e barato � O desmanche do Trem de Prata n�o significa que o transporte ferrovi�rio de passageiros � invi�vel no Brasil. Em pa�ses europeus � um servi�o de qualidade, barato e muito procurado. A diferen�a � que l� o sistema ferrovi�rio n�o passou pelo abandono em que se encontra aqui. Pelo contr�rio, s�o feitos investimentos milion�rios em moderniza��o e constru��o de novas linhas. � essa a virada esperada a partir deste momento, em que toda a malha ferrovi�ria brasileira acaba de ser privatizada (veja quadro acima), embora por enquanto o transporte de passageiros n�o seja uma prioridade. Na semana passada, a �ltima estatal que restava no ramo, a Fepasa, foi arrematada por 245 milh�es de reais, por um cons�rcio formado pela Companhia Vale do Rio Doce e por fundos de pens�o. Esse � um dos poucos setores em que a privatiza��o ainda n�o deu os resultados esperados. Pelas metas firmadas perante o governo, a Ferrovia Novoeste, por exemplo, deveria ter transportado 2 bilh�es de toneladas de carga por quil�metro ao ano entre a cidade paulista de Bauru e Corumb�, no Mato Grosso do Sul. Chegou a apenas 1,5 bilh�o. No caso da Fepasa, foram prometidos investimentos de 250 milh�es de reais nos pr�ximos cinco anos.
O Trem de Prata: mais caro e demorado que os avi�es da ponte a�rea, ser� desativado pela segunda vez |