Trag�dia Conhecida Veja 22/04/1998 Guerra civil e seca prolongada amea�am matar de fome 4 milh�es de sudaneses
O mundo j� viu em outras ocasi�es imagens terr�veis de mulheres em pele e osso, com beb�s subnutridos nos bra�os, v�timas de uma fome al�m de qualquer esperan�a � em cada nova crise do g�nero num pa�s miser�vel, a ajuda sempre parece chegar tarde demais para impedir a morte de milhares, algumas vezes milh�es, de pessoas. O ciclo est� se repetindo no Sud�o, o maior e um dos mais pobres pa�ses da �frica. Devido � guerra civil que se arrasta h� d�cadas, o sul do pa�s depende da ajuda internacional para alimentar sua popula��o. Uma combina��o perversa de seca prolongada, acirramento dos combates e falta de dinheiro no caixa da Opera��o Linha da Vida, o grupo de organismos humanit�rios coordenado pela ONU que opera no pa�s, est� transformando a fome habitual numa cat�strofe de propor��es assustadoras. Milhares de sudaneses morreram de fome nas �ltimas semanas e 350.000 est�o � beira da completa inani��o. No total, mais de 4 milh�es de pessoas est�o amea�adas pela pior crise de alimentos que o pa�s j� atravessou.
O alerta soou no m�s passado, quando a ONU lan�ou um apelo � comunidade internacional pedindo uma ajuda financeira de 109 milh�es de d�lares para enfrentar a previs�vel situa��o de emerg�ncia � o resultado foi uma coleta minguada, incapaz de garantir comida para mais de um par de semanas. O Sud�o vive em guerra cr�nica. Os mu�ulmanos, convertidos h� s�culos por influ�ncia �rabe e concentrados no norte do pa�s, t�m o poder. Combatem sem piedade os "inimigos da f�": crist�os e animistas, da Regi�o Sul. N�o h� solu��o � vista. O governo, dominado por fundamentalistas isl�micos, n�o aceita nenhum tipo de autonomia para o Sul, e os rebeldes sulistas s�o incapazes de uma vit�ria decisiva.
A conseq��ncia do conflito foi a cria��o de um mundo de horrores que se imaginava banido da Hist�ria da humanidade. Estima-se que 25.000 crian�as, na maioria crist�s, foram raptadas e vendidas como escravas, a 5 d�lares por cabe�a, s� nesta d�cada. Tornou-se comum, na vizinha Uganda, seq�estrar crian�as e vend�-las como recrutas �s mil�cias sudanesas. A mis�ria no Sul, uma regi�o des�rtica e de economia tribal, foi agravada por milhares de refugiados que escaparam da imposi��o da sharia, a lei isl�mica. O acirramento da guerra civil nos �ltimos meses (o governo decretou a mobiliza��o em massa da popula��o mu�ulmana, que representa 75% dos 28 milh�es de sudaneses) paralisou atividades agr�colas e amea�a o plantio da nova safra. N�o h� sementes em quantidade suficiente e os organismos internacionais hesitam em envi�-las enquanto o problema da fome n�o for aliviado. O temor � que os agricultores prefiram com�-las, comprometendo a pr�xima safra e prolongando a fome dos sudaneses. |