Tesouros sem Fim
14/01/1998
Novas t�cnicas ampliam descobertas e lan�am luzes sobre a vida cotidiana no Egito antigo

Arqueologia Durante quase 5.000 anos de hist�ria cont�nua, os antigos eg�pcios constru�ram para a eternidade. Erguidas com s�lido granito e m�rmore, as pir�mides, os pal�cios, os templos e as est�tuas de fara�s, rainhas e deuses espalharam-se em tal profus�o que no Egito de hoje ainda � complicado abrir o mais reles buraco sem trope�ar numa preciosidade do passado. As mais impressionantes descobertas arqueol�gicas recentes, contudo, n�o est�o encobertas pela areia, mas no fundo do Mediterr�neo, sob as �guas polu�das do Porto de Alexandria, a segunda maior cidade do pa�s. Ali, nos �ltimos dois anos, os arque�logos est�o encontrando os elementos ligados a um dos trechos da longa hist�ria eg�pcia que mais arrebata a imagina��o moderna, como as ru�nas do que podem ter sido o Farol de Alexandria e o pal�cio de Cle�patra. A ca�a a essas maravilhas vem acontecendo gra�as ao casamento da sofistica��o tecnol�gica com a pressa para se antecipar � destrui��o causada pela urbaniza��o desordenada do pa�s.

Ainda � cedo para confirmar se todos os peda�os de granito e m�rmore perdidos no lodo do Mediterr�neo pertencem efetivamente ao per�odo helen�stico (323 a.C. a 86 a.C, quando a expans�o de outra civiliza��o espetacular, a grega, chegou ao norte da �frica) ou s�o destro�os posteriores  o certo � que, em raz�o da �gua turva, poucas dessas pe�as poderiam ter sido localizadas e fotografadas sem rastreadores submarinos acoplados a computadores, uma tecnologia s� agora dispon�vel para a arqueologia. Dois anos atr�s, uma equipe de trinta mergulhadores comandada pelo arque�logo franc�s Jean-Yves Empereur mapeou 2 hectares de ru�nas submarinas da antiga Alexandria e catalogou 2.000 objetos, mas s� i�ou 34 para terra com guindastes especiais. A descoberta mais sensacional � um bloco de 40 toneladas que ele sup�e ser um peda�o do Farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Com 135 metros de altura, o farol foi constru�do em 280 a.C. e desabou sob um forte terremoto no ano de 1307 da era crist�.

Necr�pole no caminho  H� pouco mais de um ano, outro franc�s dedicado �s emo��es da arqueologia submarina, Frank Goddio, anunciou ter encontrado as ru�nas do que se acredita ser o pal�cio de Cle�patra, a rainha que seduziu J�lio C�sar e Marco Ant�nio. O fato � que quem procura com certeza vai encontrar, pois a atual Alexandria, uma confusa e polu�da metr�pole com 5 milh�es de habitantes, foi constru�da sobre a cidade dos Ptolomeos, a dinastia que terminou com Cle�patra. A constru��o de uma via expressa precisou ser interrompida quando se abriu o teto de uma imensa necr�pole. Descrita pelo historiador grego Estrab�o no ano 25 a.C., a necr�pole s� foi identificada pela equipe de Empereur sete meses atr�s. O cemit�rio, com os mortos sepultados em pequenos alv�olos, dispostos uns sobre os outros em paredes de at� sete andares, funcionou ininterruptamente durante dez s�culos.

Fascinado pelos despojos dos fara�s, s� nas �ltimas duas d�cadas egipt�logos e arque�logos come�aram a dar aten��o � vida da gente comum, redirecionando suas pesquisas e reexaminando antigas descobertas � luz dos avan�os tecnol�gicos. O resultado tem sido um mergulho de arrepiar na rotina di�ria de uma cultura desaparecida h� 2.000 anos. O exame de res�duos e murais permitiu, por exemplo, preparar com receitas originais a cerveja e o p�o consumidos pelos trabalhadores na constru��o das pir�mides. Estes, ao contr�rio do que a maioria imagina, n�o eram todos escravos. Boa parte era de camponeses convocados para a empreitada ou artes�os assalariados.

O trabalho do arque�logo eg�pcio Zahi Hawas, diretor do Museu do Cairo e das Pir�mides, confirma a tend�ncia atual da egiptologia que aponta para uma civiliza��o diferente  n�o mais a vis�o tradicional de uma sociedade dominada por fara�s obcecados pelo pr�prio destino al�m-t�mulo, mas uma cultura constru�da de baixo para cima, cimentada pelo esfor�o coletivo de erguer as pir�mides. "A id�ia do escravo massacrado pelo fara� est� dando lugar � compreens�o de um sistema mais sofisticado e funcional", diz o egipt�logo brasileiro Antonio Brancaglion. "Sabe-se que o oper�rio era dono de suas pr�prias ferramentas de trabalho, o que permite supor certa autonomia."

Paci�ncia e tecnologia  No mesmo s�tio arqueol�gico de Saqqara, a 20 quil�metros do Cairo, onde Hawass escavou os t�mulos dos trabalhadores, o arque�logo franc�s Alain Zivie descobriu no m�s passado a tumba da ama-de-leite de Tutankamon, o jovem fara� que viveu 1300 anos a.C. Zivie � o paradigma do arque�logo que sabe aliar a paci�ncia, requisito n�mero 1 do of�cio, com a alta tecnologia.

S�o tantas as antiguidades incessantemente encontradas  desenterrou-se no ano passado uma est�tua inacabada de Rams�s II com 3,5 toneladas, que tinha passado despercebida ao lado da pir�mide de Miquerinos  que o arque�logo Hawas sustenta que o pa�s n�o precisa mais de descobertas e sim "de m�todos modernos para estudar e preservar o j� descoberto". O restauro de sarc�fagos, est�tuas, murais e afrescos eg�pcios deu realmente um salto gra�as a uma nova gera��o de resinas e ao uso de computadores. S�o, contudo, processos lentos e caros: s� a restaura��o da tumba da rainha Nefertari, uma das esposas de Rams�s II, demorou oito anos e consumiu 4 milh�es de d�lares. O trabalho exigiu a fabrica��o de uma tinta praticamente igual � usada pelos artistas que pintaram o mural original. Valeu a pena. Reaberta no ano passado, a tumba � magn�fica.
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