A F�brica de Ouro                         Veja 30/08/2000
Americanos encontram na Turquia os restos da primeira casa da moeda da Hist�ria

Os l�dios, povo que habitava a costa mediterr�nea da Turquia h� 2.600 anos, sempre foram um mito para os arque�logos e historiadores. Acredita-se que eram donos de tesouros incalcul�veis, formados principalmente por moedas e j�ias de ouro de uma qualidade excepcional. At� agora nenhum pesquisador conseguiu encontrar vest�gio algum desses grandes ac�mulos de riqueza, mas j� se sabe com certeza que eles de fato existiram. Pesquisadores das universidades americard e Cornell conseguiram reconstituir a maneira como os l�dios produziram o mais puro ouro de seu tempo. A capital do reino, Sardis, tinha uma f�brica onde eram aplicadas inovadoras t�cnicas de separa��o de metais que permitiram aos l�dios, durante o governo do rei Creso, no s�culo VI antes de Cristo, cunhar pela primeira vez moedas de prata e ouro. � um segredo que levou trinta anos para ser totalmente desvendado e que acaba de ser divulgado nos Estados Unidos, em obra assinada pelo arque�logo Andrew Ramage e pelo especialista em metalurgia Paul Craddock, do British Museum.

Desde 1968, os pesquisadores procuravam entender como os l�dios produziam suas moedas. As respostas s� foram encontradas depois de cont�nuas escava��es em uma regi�o que foi habitada sucessivamente pelos persas, gregos, romanos e bizantinos. O processo foi reconstitu�do com base nos instrumentos encontrados no local e nos vest�gios de res�duos qu�micos que eles guardavam. Os l�dios retiravam das margens de um rio pr�ximo a Sardis pepitas de uma liga met�lica composta de ouro, prata e ainda um pouco de cobre. Para separar os metais e produzir a creseida, a moeda criada pelo rei Creso, esse composto era triturado e fundido com chumbo, metal que absorvia o cobre e permitia sua retirada da liga. Para separar o ouro da prata, umedecia-se a mistura, adicionava-se sal e tudo era posto para ferver em potes de barro por v�rios dias. Essa estranha combina��o ficava ali cozinhando at� que uma rea��o qu�mica era desencadeada e gerava um vapor corrosivo que agia sobre a prata, isolando-a. Ambos os metais estavam prontos ent�o para ser usados nas f�rmas. "� impressionante como esse povo conseguia transformar a mat�ria bruta em um material puro e bem acabado", diz Ramage.

Pela posi��o geogr�fica do reino, as moedas l�dias se espalharam rapidamente e exerceram grande influ�ncia em todo o com�rcio do Mediterr�neo. O uso de moeda era sinal de alto grau de civiliza��o. Entre os caldeus, ass�rios, hebreus e outros povos, as transa��es comerciais se faziam por meio de pequenas barras e placas de metais preciosos. A creseida, com seu le�o estilizado em uma das faces, inspirou todo o dinheiro produzido posteriormente. Sardis, segundo as mais recentes descobertas arqueol�gicas, era uma cidade muito segura cercada por dois imensos muros, com 20 metros de espessura e pelo menos 6 de altura. A mesma equipe americana que decifrou o enigma da f�brica de moedas encontrou tamb�m uma casa dessa �poca. L� acharam at� um aparelho de jantar e v�rios utens�lios dom�sticos de uso di�rio. Tudo quase intacto, coisa bastante rara na arqueologia. Provavelmente foram esquecidos pelos moradores afoitos que abandonaram a cidade quando ela foi invadida pelos persas e o imp�rio l�dio destru�do para sempre no final do s�culo VI a.C.
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