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crônicas
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| O presidente estava lendo o resultado das últimas pesquisas quando o suor começou a brotar na sua testa. Levantou-se imediatamente e passou a andar pelo gabinete. Inútil esforço: o suor agora escorria pelo pescoço. "Não tem outro jeito", pensou. O telefone era a única alternativa para aquele momento de extrema agonia. — É do FMI? — perguntou ele. Uma voz feminina, quente e sensual, respondeu do outro lado: — Yes, é sim. Quem deseja falar? Suando em bicas, o presidente gemeu: — É FHC, do Brasil! A voz tornou a perguntar: — Who? — Fernando Henrique, presidente do Brasil!!! — Oh, good. E quer falar com quem, brother? — Preciso falar imediatamente com o chefe. A voz quente e sensual se encheu de tédio: — O boss tá ocupado atendendo a Argentina. Vermelho, à beira de um ataque de nervos, o presidente implorou: — Pelamordedeus, senhorita: é um assunto urgente! A segurança nacional tá em jogo! — Não posso fazer nada, mister. — Uma catástrofe pode acontecer em breve! — Sem chance. — Se eu não for atendido agora, não vou honrar os compromissos do Brasil! A voz feminina fez uma longa pausa do outro lado da linha. Já curvado, a camisa ensopada de suor, o presidente era a própria imagem da desolação. — Mister president — tornou a voz, agora com renovado calor. — A Argentina acabou de ser despachada. O boss tá à sua inteira disposição. Uma voz masculina trovejou: — What é que tá pegando, Cardoso? — Preciso fazer um pedido — disse o presidente. — No money now! — Que mané money! O que eu preciso é muito mais importante que isso! — E o que é que pode ser mais importante que money, honey? — Banheiro. Preciso da sua autorização para ir ao banheiro, senão eu me borro todo! O boss foi curto e grosso: — Borre-se! — e encerrou a conversa. Vai ver é por isso que o Planalto tá cheirando tão mal ultimamente. |