Centenário
da Imagem de Nossa Senhora dos Remédios
A
devoção a NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS, foi introduzida
em Portugal pelos religiosos franceses da Ordem
hospitalar da Santíssima Trindade, que estiveram em
Lisboa no início do século XIII.

A finalidade desta
Ordem era a Redenção dos cativos no oriente e sua
padroeira era NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS. Esta
confraria espalhou-se pela Europa especialmente pela Península
Ibérica (Portugal e Espanha).

Até o século XVIII já
havia libertado mais de 900.000 prisioneiros. Os irmãos
da Santíssima Trindade trouxeram para o Brasil a mesma
devoção, provavelmente junto com o imperador D. João
VI, que era devoto d a Santa, erguendo capelas em honra
em várias províncias do Brasil, nas regiões barrocas
de Minas Gerais e do Nordeste. No entanto, os santuários
mais famosos se encontram em Paraty, no estado do RJ e
Fernando de Noronha, no litoral nordestino. Além de
Cruzeta, outras cidades como Souza, na Paraíba e
Piripiri, no estado do Piau, veneram uma bela imagem de
Nossa Senhora dos Remédios, vestida de azul e branco,
com o menino Jesus no colo, como remediadora dos males,
mãe do povo simples e pobres ms, rico em fé e esperança.
Antes
da imagem que está atualmente na Igreja Matriz, havia
outra imagem de N. Sra dos Remédios, trazida pelo
fundador da cidade Pe. Freitas, que atualmente se
encontra no convento franciscano , desta paróquia de
Piripiri.

A
Saudosa escritora Judith Santana, em seu livro
“Piripiri”, 1972, retrata muito bem essa
história. Na página 169, com o escrito intitulado de
“O Santo Antonio de D. Ritinha”, a escritora
conta-nos que:
“Na
praça da Bandeira, principal logradouro, residiam
várias famílias. Entre os atuais prédios 167 e 191
havia um beco.ali quebraram uma pedra e o material
retirado foi utilizado em várias construções.
Ligado a essa pedra há um fato digno de nota: a
cabeça de um Santo Antonio galante e misterioso
encontrado entre os escombros”. Aconteceu, acreditem
!!!.
A
escritora continua a contar: “Mas o certo é que o
objeto encontrado foi entregue a D. Ritinha, esposa de
seu Bugy”. D. Ritinha mandou confeccionar um corpo
para a imagem. Alguns dias depois o Santo Antonio
seria entronizado no oratório da família, atraindo
inúmeros devotos “.
O
certo é que, com as ofertas feitas ao Santo uma parte
do dinheiro foi destinado à reforma da antiga matriz
de 1884 e outra parte foi para a aquisição de uma
nova imagem de N.Sra dos Remédios, para substituir a
primitiva que passaria a ter um altarzinho na Capela
de N. Sra. Do Rosário, com a função de percorrer as
ruas de Piripiri, uma vez por ano, na festa de
outubro. Naquela época recuada de 1909, o importante
foi feito. A imagem media 1,70m. desembarcou em
Parnaíba. Como não houvesse ainda facilidade de
transporte que hoje conhecemos, seria difícil a
condução da imagem em lombo de animal ou mesmo em
braços de homens. Mas a comissão encarregada não
encontrou esta dificuldade. Contou com a boa vontade
dos fiéis. Não houve atraso e nem pernoites durante
a viagem.
Foi uma procissão contínua. Em cada ponto do caminho
havia um grupo disposto a dar a sua ajuda acompanhando
o cortejo até a habitação seguinte onde havia um
grupo de devotos. Assim foi feito o percurso
Parnaíba/Piripiri. A recepção foi uma coisa
maravilhosa de fé. A multidão vibrava dado vivas a
N.sra. Dos Remédios. Aplausos atestavam o
contentamento do povo.
No
livro de tombo da Paróquia esta registrada no verso
da folha: “A imagem que orna o altar mor desta
Matriz adquirida por iniciativa de uma pessoa piedosa
auxiliada pelo povo, substituiu a antiga padroeira de
vulto menor e muito imperfeita. Foi benta solenemente
no Domingo de Pentecostes, 30 de maio de 1909.
Freguesia de N. Sra dos Remédios, 1 de junho de
1909”.