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Horizonte
a única sala
disponível do
sonho universal

O das duas criações
a primeira a que fica,
a segunda a que passa,
não passasse sempre tudo
e nada mesmo se quedasse
mas por aqui nada passa.

… nada passa
que não tenha
incessantemente
passado sob as nuvens do céu,
nas asas de um tufão

Nas asas de um tufão me levaram as palavras, cujas
Letras soletro como o vento em turbilhão.
Quem as traz, quem as leva?
Partimos ou ficamos?


Não há partida nem chegada
A viagem é longa
e sem retorno
A alma voa
sem fronteiras
Ventos contrários
Tufões malditos
A hora nunca chegará!

Oxalá não chegue … se for a hora da
partida.
Deixar Macau, não é desejo.
Deixar Macau não é projecto,
Nem é sonho, nem vontade …
Nem será fatalidade…
Ah! Mas se for a hora de
chegar …
Se for a hora de sentir nas
ruas os sons inconfundíveis
desta cidade onde respiro
a brisa estranha e familiar
da terra que me conquistou,
então será com ansiedade,
será com alegria que a
saudarei.


É sempre com alegria que saudamos
o que de bom
a vida tem para nos dar…mas, por vezes,
a vida também nos dá
a decepção e nos prega partidas em
cada esquina.
O que é importante é estarmos bem
connosco e também com os outros.
Se nos dermos as mãos construiremos,
com certeza,
Um mundo onde é possível encontrar a plenitude…

O que é a plenitude…
A plenitude é o nosso desejo de
viver.

A plenitude é inesgotável porque
entre o céu e a terra
é o vazio

Entre o céu e a terra é o vazio…

De Lao Tze até ao presunto, que é
aquilo que fica entre as duas fatias
de pão.
Os poetas ficam entre o Céu e a
Terra - mais ao pé do Céu? -
não será água nem ar, talvez espuma.
Fica sempre entre qualquer coisa -
"entre" no seu sentido ascendente -
presunto, portanto.
Como é bom estar no presunto,
ser presunto.

Sobretudo presunto de "pata negra",
colocado na posição cimeira dos

Presuntos.
POEMA COLECTIVO

No dia 4 de Outubro (de 2000) realizou-se um encontro de poetas de Língua Portuguesa de Macau com a presença de Alberto Estima de Oliveira, Yao Jingming, Henrique de Senna Fernandes, Carlos Marreiros, Carlos Morais José, Fernando Sales Lopes, Silveira Machado, Fernanda Dias e ainda com a participação de Miguel Senna Fernandes que declamou Adé e Amílcar Martins que leu Camilo Pessanha e um texto seu. Deste encontro que encheu a Galeria da Livraria Portuguesa resultou o poema colectivo que segue.
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Por: Alexa (Paradise)
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Abril 2001
Instituto Português do Oriente (IPOR)
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