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Tudo o que o acaso bom permitiu...

Vem, querido amigo!
Vamos aqui recordar
Aquela história simples
Que o acaso bom fez acontecer
A um homem e uma mulher,
Duas almas perdidas, donas de suas vidas
Perfeitamente desconhecidas
Cada uma em seu lado do mundo
De cujos destinos e caminhos
Se deu  um dia o cruzamento
Numa tarde de um dia frio e cinzento
Como qualquer outro dia de Dezembro,
Que não iria ser apenas mais uma repetição
De muitos outros dias e tardes de solidão.
Tinha-te encontrado!
Naquela tarde, meu querido amigo,
Vieste e devolveste-me a alegria
De que capaz de sentir já não me sabia.
Para o nosso encontro comemorar
Mil e um motivos haviam para justificar.
E assim e por ser Natal,
Champanhe decidimos beber
Pelas taças por ti enchidas
Por nós dois erguidas
Num brinde virtual
Ao  sentimento tão real
Que então crescer se sentia
Com a passagem de cada dia.
Vieste, meu querido amigo,
Eu pedi-te um pé de dança
Tu enlaçaste-me pela cintura
E, no ar bailando a ternura,
Dos teus braços me fizeste voar
Directamente para o paraíso
Ao som de uma música divinal
Que só para nós dois se fazia ouvir
Numa brisa soprando pelo coração
Que coloquei na tua mão.
Vieste, meu querido amigo,
Secar-me, com carinho,
As lágrimas quentes e teimosas,
Segredar-me coisas maravilhosas
Como só tu me soubeste dizer.
Vieste, meu querido amigo,
O meu cabelo solto afagar
No silêncio de um olhar
E na doçura do sentimento
Perdendo a noção do tempo
Acabei por me reencontrar.
Vieste, meu querido amigo,
Pegaste-me nas mãos dormentes
Que não reunia forças para erguer
Para com elas o rosto esconder.
E com o teu pegar das minhas mãos
O meu pressentir da proximidade
Do fim dos longos dias de solidão.
Vieste,  meu querido amigo!
E vieste de sorriso baloiçando no olhar,
Conduzir-me através das sombras
Escondidas pelos cantos da memória
De onde me espreitavam monstros
Para atormentar sempre prontos.
Vieste, meu querido amigo!
Ofereceste-me o conforto do teu abraço
Deixaste que nele repoussasse do cansaço
Enquanto pelas faces silenciosamente me rolava
Todo o ressentimento e insatisfação sentida.
Vieste, meu querido amigo!
Iluminar-me na escuridão dos meus dias
Que todo o sol do mundo não iluminava
Deixaste os teus serem os meus olhos
Indicaste-me o caminho da luz,
Falaste-me, com ternura, do futuro
Disseste-me que sofrer não era a minha cruz.
Vieste, meu querido amigo!
Acabaste-me com todos os medos
E com teu carinho, abriste o meu coração
Ao conforto dos cuidados mútuos.
Vieste, meu querido amigo!
Abriste-me  as portas da esperança
De que quem espera sempre alcança
Para os sonhos seus a realização.
Vieste, meu querido amigo!
Caminhar comigo na chuva,
Falar-me dos dias em que o sol brilhou
Dos momentos em que a sorte virou
Do desejo de bem e melhor viver
Que em nós não deve nunca morrer.
Vieste, meu querido amigo!
E aqueceste o meu mundo frio, frio
Onde dantes chorava e agora apenas sorrio.
Vieste, meu querido amigo!
Ensinaste-me a ser uma pessoa melhor
Do que aquela que tinha sido até ali
Fizeste de mim alguém muito humano
Melhor entendedora de todas as vertentes do amor
Que, tal como tudo o resto, é detentor
De uma dose nunca menor de dor.
Vieste, meu querido amigo!
Indulgentemente, afastaste-me do rosto
O cair destes lisos cabelos despenteados
Entre o nervosismo dos dedos entrelaçados.
Vieste, meu querido amigo!
Mostraste-me que finalmente tinha chegado
O momento por mim há muito esperado
Para amar e ser amada!!!!!

Por: A.F.
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Dezembro 2001
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