APÓSTOLO PAULO

 

 

VIDA, SUA ÉPOCA E MINISTÉRIO DO GRANDE

APÓSTOLO DE CRISTO

 

Para falarmos da vida, do tempo e do ministério do apóstolo Paulo, do grande apóstolo de Cristo para os gentios, precisamos considerar fatores imprescindíveis, que vão nos dar a real história desse Homem fenomenal, que deixou o Espirito de Deus dirigir sua vida de forma brilhante e inigualável.

TARSO, cidade onde nasceu e foi criado, era a capital e principal cidade da Cilícia. Era uma das maiores cidades do Império Romano. Hoje não passa de uma insignificante cidadezinha turca. Hoje só podemos olhar as ruínas e os registros históricos da cidade que abrigou o apóstolo Paulo em sua infância e juventude, e imaginar a influência que suas escolas, academias e ginásios exerceram sobre ele. A cidade de Tarso não era conhecida por sua antigüidade, mesmo sendo fundada antes de Atenas e Roma, mas se comparada a Damasco e Jerusalém, a cidade não passava de uma criança.

Tarso possuía inúmeros prédios públicos, além de palácios e claro, de casas também humildes. Havia ali um enorme teatro ao ar livre, construído para acomodar milhares de pessoas. Havia apresentação de músicas da época, peças gregas eram encenadas.

A cidade era tão famosa e também muito importante para a economia do Império Romano( ficava na província da Cilícia, no mar Mediterrâneo, que significa Meio da Terra – rota de Navios pelo rio Cnido), que personalidades como o famoso general romano MARCO ANTÔNIO, morava lá. Esse general gostava tanto da cidade, que lhe deu total autonomia.

Até mesmo o famoso Barco Dourado de Cléopatra, a lendária rainha do Egito, que fora ali para seduzir o general Marco Antônio, navegou no imenso rio Cnido, que margeava a Cidade de Tarso.

Três nações da época foram suficientemente grandes e fortes para deixar sua marca sobre todas as outras: Roma, Grécia e Israel.

Bom, podemos Ter uma idéia de como era essa cidade praieira, movimentadíssima, com seu imenso porto, pessoas de toda a redondeza levando suas mercadorias para a comercialização.

Bem, o grande apóstolo nasceu por volta do ano três de nossa era, no lar de um piedoso casal, no bairro judeu de Tarso. As ruas eram estreitas e as casas pobres, mas aquele dia foi de imensa felicidade para a família. Mesmo vivendo numa cidade gentia ( Tarso – Cidade Grega de domínio do Império Romano), seus pais decidiram dedicá-lo ao Serviço de Deus, fazendo tudo que estivesse em seu alcance para educá-lo como um verdadeiro Israelita.

O pai pertencia à tribo de Benjamim, e em homenagem ao primeiro Rei de Israel, Rei Saul, que também era benjamita, ao oitavo dia de seu nascimento, deu-lhe o bom nome hebreu de Saulo. A cerimônia foi seguida de uma ceia e os pais convidaram todos os amigos e parentes, que trouxeram presentes para o menino.

Mas como viviam no mundo romano, usaram também a forma latina do nome – PAULO. Nos negócios, ele era PAULO, por que isso impressionava os gentios, mas a mãe sempre o chamava de SAULO, porque esse nome agradava-lhe o coração.

O mais importante da história dos judeus é a seguinte: Mesmo morando em outros lugares, todos consideravam as montanhas orientais da Palestina o seu verdadeiro lar. Para eles (judeus), Jerusalém era a cidade mais bela do mundo, pois ali estava a CASA DE DEUS, eles mandavam ofertas para os reparos do Templo. E todo ano, esforçavam-se o máximo, para visitar a Cidade Santa por ocasião da Páscoa.

O pai de Saulo era muito severo, e como fariseu, acreditava que os mandamentos de Moisés, como interpretados pelos rabinos e escribas, deveriam ser cumpridos a risca.

A medida que Saulo ia crescendo, sua mãe ensinava-o a ajoelhar-se com o rosto voltado à distante Jerusalém e, com as mãos cruzadas à frente, já fazia uma oração pela manhã e outra à noite, pois foi ensinado que deveria ser assim porque o Santo Templo, estava ali e no Lugar Santo, por trás da grande cortina vermelha (alto véu púrpuro), Deus habitava no meio de seu povo.

A mãe contava-lhe como o profeta Daniel, exilado numa nação gentia, jamais esquecera de abrir as janelas e em direção a Cidade Santa, falar com Deus, três vezes ao dia. Quando foi proibido de orar, recusou-se a obedecer o edito do rei Dário e, como castigo, foi lançado à cova dos leões. Mas as feras não lhe fizeram mal algum, porque Deus, fechara-lhes a boca.

E contou muitas outras histórias, como a vida de José no Egito, e como Deus fizera para livrar o seu povo da grande fome, a opressão no Egito e como Deus libertara o povo da mão de Faraó, através de Moisés, e ela nunca cansava de mencionar Saul, rei de quem o filho levava o nome, e como ele fora o mais alto, belo e majestoso benjamita de todos os homens de Israel. De igual modo contou sobre Abraão, pai de seu povo, Moisés, grande legislador, Gideão, Sansão, a rainha Ester, e muitos outros.

Nenhuma mãe tinha uma reserva tão grande de histórias, nem jamais contara com tanto orgulho e convicção.

Pois bem, o menino crescia, e com ele todo o ensinamento de um verdadeiro judeu. Ao atingir a idade apropriada, a mãe o levava a sinagoga.

Ao chegarem na sinagoga, lavaram os pés empoeirados e depois sentaram-se na seção de mulheres e crianças, separada dos homens adultos por uma treliça de pedra.

Através da treliça, ele podia ver o pai sentado no chão com os homens, ouvindo enquanto o rabino lia a Lei Mosaica:

Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás pois o Senhor teu deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder. E essas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por esteiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas. (DT 6.4-9)

E assim Saulo foi crescendo sendo ensinado pela mãe até os cinco anos, e após os cinco anos, ensinado pelo pai, e grande parte da educação RESUMIA-SE A DECORAR TEXTOS DA LEI.

Aos seis anos de idade, seus pais colocaram-no no Colégio Interno dos Rabinos, que era diferente das escolas gregas, pois não havia aula de desenho, nem de pintura. Traçar a figura de um homem, pássaro ou animal era proibido pela Lei.  Os jogos e esportes gregos ( Olimpíadas ), também não tinham espaço nas escolas rabínicas, diziam ser costumes pagãos desprezados pelos eruditos judeus.

Aprendeu a língua tanto hebraico quanto grego. Pois se na sinagoga o hebraico era falado e lido, em casa e nas ruas, até os judeus falavam o grego.

Saulo foi influenciado pelos gentios (Gregos), pois ao norte da cidade ficava a pista onde eram disputadas as provas de atletismo. A cidade inteira comparecia para apreciar tais eventos. Menino algum que crescesse em Tarso, poderia fugir à influência desse lugar.

Todos os jovens da Grécia e de Roma, eram estimulados a praticar esporte, mais precisamente o atletismo, que davam a isso tamanha importância, que um vencedor tornava-se herói nacional, e tinha uma estátua erguida em sua honra.

Saulo foi tão influenciado por essa pista de corrida que, mais tarde, em seus escritos, comparou a vida cristã a uma prova atlética. Considerou que a vida em Cristo tem um ponto de partida, uma pista e uma alvo. O Cristão não é alguém sem rumo; tem um alvo diante de si e concentra-se na busca do prêmio. No final de sua vida, sua mente voltava para á pista em Tarso, tanto que escreve à Timóteo: “Completei a Carreira...” (2 TM 4.7)

Quando Saulo completou 13 anos, houve uma mudança completa e total em sua vida. Seus pais disseram que até aquele ponto da vida, ele estivera aprendendo a Lei, e que agora havia chegado a hora de Obedecê-la.

No entanto, Saulo não ficou só aprendendo a Lei nesses 13 anos de vida, e como afirma o ditado rabínico: “ O homem que não ensina um ofício ao filho, quer que ele se torne ladrão, pois quem não trabalha para ganhar o próprio pão, o come de outro.” Porém o seu pai ensinou-o uma profissão. Ele era fabricante de tendas e fora morar em Tarso atraída pela fama de seus tecelões. Essa reputação devia-se ao fato de o CILICIUM, um tipo especial de tecido, ser um produto da província. Esse material era considerado o melhor material para tendas, pois de tão duro, tornava-se quase impermeável. Também faziam lonas, velas para Navios e barcos, trajes externos para pescadores e marinheiros.

Havia uma pequena oficina nos fundos da casa de Saulo. Era um barracão comprido e baixo, aberto dos lados, contendo um tear, rodas para tecer o fio, caldeirões para tingir o pêlo da cabra, e um bancada para cortar o couro e costurar as tendas.

Essa profissão, mais tarde, estará presente na vida do apóstolo Paulo.

Os feriados judeus eram muitíssimo respeitados. Havia a Festa da colheita, o Purim, o Dia da Expiação, porém o mais importante era a semana da Páscoa.

Como já citado neste trabalho, todos os judeus, em especial os homens, se esforçavam o máximo o ano todo, para chegando na semana da Páscoa, poderem passar essa sagrada Semana da Páscoa na Cidade Santa, em Jerusalém.

E era do agrado de seu Pai enviá-lo a escola de Jerusalém, para ser o rabino mais respeitado na sinagoga de Tarso.

E nada menos que isso, ele foi matriculado na Escola do grande Gamaliel, um dos mais sábios fariseus de Jerusalém, com grande reputação de sua sabedoria e bondade.

A sinagoga de Tarso muito se orgulhou ao saber que um de seus rapazes iria estudar com os grandes rabinos de Jerusalém. E não era só um de seus rapazes, Saulo era o melhor, o mais dedicado, o mais esforçado da sinagoga.

Não era por menos que Deus o escolheu para ser o apóstolo de Cristo.

Dentre os ensinamentos de Gamaliel, Saulo aprendera que a vinda do Messias tinha sido mencionada pelos profetas há mais de mil anos. E só Gamaliel, batia nesta tecla do Messias, contando como seria e como julgaria as Nações, dizendo que Ele esmagaria o mal e reinaria com justiça.

Saulo, bem provavelmente, havia ido para Jerusalém, com aproximadamente 14 anos, e exigia-se que para ser professor nas sinagogas, eram necessários 10 anos de estudos bem dedicados, para poderem lecionar. Depois disso, era necessário muito tempo para se construir boa reputação e falar com autoridade. Saulo, antes dos 25 anos volta para a sua casa na cidade de Tarso.

De todas as lições, mesmo diante de várias opiniões a respeito do Messias, Saulo tinha a certeza de uma coisa: a única esperança para a sua nação era a vinda do Messias. Pois não agüentavam mais as imposições do Império Romano, suas arbitrariedades, cobrança de impostos e injustiças.

Por outro lado, Jesus de Nazaré, 03 anos mais velho que Saulo, chega ao seu tempo, e começa a pregar nas sinagogas com autoridade, pregando ser Ele o filho de Deus, operando maravilhas e prodígios, confrontando os rabinos dentro da Lei.

Como podemos observar, era exigido um mínimo de 10 anos de estudo no Colégio de Jerusalém, pois os rabinos achavam-se dono da verdade e da lei, e quem não fizesse esse estudo com os rabinos, não era digno de pregar na sinagoga.

Essa era a bronca maior dos fariseus, saduceus e todos mais da sinagoga de Jerusalém. Como podia um homem que nunca freqüentou nenhum colégio farisaico, falar com tanta autoridade, dizer que era filho de Deus. Queriam, hoje em nossa linguagem, processar a Jesus, por estar lecionando (pregando) sem autorização, exercer atividade sem autorização para a mesma. Diziam que Jesus de Nazaré, com essas atitudes, profanava a sinagoga e portanto era digno de morte. Só não pegaram Jesus antes, por temerem represália do povo, pois esse Jesus, tão criticado, fazia milagres, como transformar água em vinho, cego enxergar, paralítico andar, alimentar uma multidão com apenas 05 pães e 02 peixinhos, e muito mais.

Não podemos simplesmente apedrejar Saulo por ser um implacável perseguidor da Igreja Primitiva. Temos que considerar todos esses fatores, sua educação, a convicção de que o que havia aprendido a vida toda era absolutamente correto.

Hoje, seria muito difícil se alguém, hoje chegar até nós, e dizer em alto e bom som, que esse Jesus é uma farsa. Eu, provavelmente, entraria em desespero.

Foi justamente isso que aconteceu com Saulo. A crescente propagação do evangelho após a crucificação de Jesus de Nazaré, que eles julgavam farsante, colocou um ódio profundo em seu coração, transformando-o num implacável e temido perseguidor dos apóstolos, diáconos e seguidores de Jesus de Nazaré.

Mas, observe como o Deus da verdade faz as coisas maravilhosamente. Os discípulos haviam ficado em Jerusalém, pregando apenas para judeus, mas com as perseguições, foram obrigados a fugir para Samaria e para outras regiões, fora da jurisprudência de Jerusalém, pregando aos gentios.

Saulo toma as dores dos seus velhos professores de Jerusalém, e sai a caçar seguidores de Jesus de Nazaré.

Um dos primeiros a cair na mão de Saulo, foi o diácono Estevão. O diácono mais dedicado, fiel a Deus. Foi apedrejado com consentimento de Saulo, que segurava as vestes dos apedrejadores. O que Saulo não conseguia entender, como era que alguém não negava a fé, mesmo diante da morte, e ainda ficava com um brilho no rosto, difícil de encarar os olhos, e antes de morrer, Estevão ainda fala: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (AT.7.60).

Porém, Saulo estava superando essas confusões de sua cabeça. As vezes se perguntava se não estava lutando contra Deus. Mas logo tinha a convicção, que os seguidores de Jesus, bem como esse Jesus de Nazaré, eram fanáticos e farsantes.

No entanto Saulo enfrentava uma nova dificuldade. Embora houvesse dispersado os nazarenos da Cidade de Jerusalém, recebeu diversos relatórios de que estes continuavam espalhando seus ensinamentos. A igreja, em vez de diminuir, crescia mais e mais. Ele então começou a se perguntar se todo o seu trabalho seria um fracasso ou não. Será que o seu velho professor Gamaliel tinha razão ao dizer que, se a seita dos nazarenos fosse de Deus, nem o Sinédrio nem um poderoso exército iria detê-la ?

Seria realmente uma obra divina ? Estaria Saulo lutando contra Deus ? É certo que havia sido derrotado na discussão com os nazarenos, mesmo tendo estudado em Jerusalém, pois estes conheciam as escrituras e fizeram-no calar-se na sinagoga. Estevão certamente vencera os perseguidores, pois na hora de sua execução, um estranho poder o possuíra, impressionando profundamente a Saulo. E os nazarenos que seguiam para a morte com uma expressão de vitória estampada no rosto ? Até aquele ponto Gamaliel acertara : A perseguição só ajudará a propagar o novo ensinamento.

As cenas se sucediam na mente de Saulo. Ele pensou em sua educação farisaica e em todas as regras que aprendera. Acreditava que, seguindo-as, receberia a vida eterna. Mas agora tinha de admitir: sua vida era vazia. Quanto aos ensinamentos rabínicos, não seriam suficientes sem a presença do Messias. Neste ponto, Saulo surpreendeu-se pensando no Messias; desejava que Ele viesse logo.

Tinha certeza de que os nazarenos pregavam um falso messias. Todavia, tinha sensação de que o grande e misterioso poder que nEle se achava viera sobre homens como Estevão.

Saulo perguntou a si mesmo porque tais homens, a quem condenara à morte, estavam dispostos a morrer pela nova religião. Ele sempre acreditara que as pessoas defendiam coisas falsas enquanto lucrassem com isso; mas, quando a espada era posta em suas gargantas, desistiam imediatamente. Mas por que os seguidores de Jesus agarravam-se à sua fé como se esta lhes fosse mais preciosa que a própria vida ?

Mesmo estando colecionando lembranças amargas, com a consciência pesada, Saulo decidira continuar a luta contra os chamados nazarenos. Irritado com a expansão da Igreja de Jesus Cristo, prepara uma expedição de homens da sinagoga, (que estavam dispostos a matar em “nome de Deus”)para a cidade de Damasco, onde, segundo ouvira falar, vários nazarenos haviam se refugiado por causa da perseguição desencadeada em Jerusalém.

Precisamos fazer uma rápida observação: Saulo estava indo para Damasco. Damasco era uma cidade fora da jurisdição de Jerusalém, aproximadamente 240km distante. Essa estrada marcou muito as passagens da Bíblia, como por exemplo, Dois mil anos antes, Elieser, o damasceno, tornara-se servo de Abraão e viajara por aquela mesma estrada. Naamã, a sunamita, passara por aquele caminho quando fora Ter com o profeta Eliseu, no monte Carmelo. Mas Saulo não queria saber de paisagem bonita ou relembrar as passagens do seu povo por todo esse tempo. O negócio era exterminar os nazarenos.

Era por esse motivo, que os nazarenos haviam se refugiado para Damasco, com medo da grande perseguição dos homens da sinagoga.

Esses ditos nazarenos, não se resumiam mais apenas nos doze discípulos. Haviam fariseus convertidos, rabinos que se convertera ao cristianismo e muitas outras pessoas importantes da época, eram judeus, gregos, romanos, damascenos e outros, que quando eram perseguidos, tinham que sair correndo, deixando os bens, casa, móveis, emprego, tinham suas famílias separadas, eram reduzidas a pobreza absoluta e a maioria das vezes a morte. A comitiva de Saulo e de outros indignados com a expansão da Igreja, acorrentavam, levavam para Jerusalém, eram julgados pelo Sinédrio e condenados a morte. E matavam sem piedade, e o que é pior, era em honra e defesa do nome de Deus.

Bom, Saulo vai para Damasco, com o objetivo de pegar, nada mais nada menos, que ANANIAS. Ananias foi destacado, em sua sinagoga,  como homem piedoso e que obedecia à Lei de Moisés com o rigor de um fariseu.

Porém ao descerem o monte, um raio de luz, mais brilhante que o sol em todo o seu esplendor, veio subitamente sobre o grupo. Sua radiância era tanta que o sol pareceu enfraquecer. Caíram em terra, ofuscados pelo brilho. Entreolharam-se e viram o seu chefe, Saulo, caído por terra, o animal parado, assustado, ao seu lado. Saulo estava falando com alguém, mas eles não viam seu interlocutor.

Saulo tremia da cabeça aos pés, e no chão, sem nada ver, ouviu uma voz que lhe falava:

“ Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões” (AT 26.14)

E Saulo ousou perguntar: “Quem és tu, Senhor? (AT 26.15)

“EU SOU JESUS, A QUEM TU PERSEGUES” (AT 26.15)

Todo o orgulho de sua origem farisaica, toda a dignidade do cargo e toda a arrogância advinda de sua reputação como o principal perseguidor do Cristianismo, desmoronaram enquanto se achava ali, indefeso , na estrada de Damasco.

Sua visão física lhe fora tirada para que sua alma pudesse enxergar.

Essa foi a grande crise da vida de Saulo. Ele encontrou-se face a face com o Messias, e viu-se forçado a reconhecer que estava errado, e os nazarenos, certos: JESUS DE NAZARÉ ERA O CRISTO, O MESSIAS TÃO ESPERADO PELOS JUDEUS.  

Naquele momento, toda a sua luta cessou. Foi rendição completa. Porém sua alma estava finalmente em paz.

Saulo é levado pelo seu grupo até Damasco, na casa de Judas, na rua chamada Direita, e ele, Saulo, pediu que o deixassem a sós, precisava de tempo para pensar, estava atravessando uma crise de existência inacreditável.

Do outro lado, Ananias, teve uma visão e o Senhor ordenou assim: “ Levanta-te. E vai à rua chamada Direita. E pergunta em cada de Judas, por um homem de Tarso chamado Saulo; pois é que ele está orando, e numa visão ele viu que entrava um homem chamado Ananias, e punha sobre ele a mão, para que tornasse a ver” (AT 9.11,12)

Ananias protestou imediatamente. Pois era esse mesmo Saulo que perseguia e matava os nazarenos. Alias, os cristãos não havia orado pedindo a Deus o livramento desses perseguidores? Mas Jesus disse amavelmente a Ananias: “Vai, porque esse é para mim um vaso escolhido para levar o Meu nome diante dos gentios e dos reis, dos filhos de Israel” (At 9.15)

Ananias entra no quarto, chama Saulo de “irmão”, e impondo-lhe a mão sobre sua cabeça, disse –lhe em voz baixa: “Irmão Saulo, o Senhor Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espirito Santo” (At 9.17)

 Saulo ajoelha com Ananias, ora ao Senhor, reconhecendo ser um pecador, pedindo-lhe perdão dos seus pecados em nome de Jesus, fazendo igualzinho aos nazarenos que tanto ele perseguia.

Saulo sabia que o batismo era o sinal nazareno do arrependimento. A seguir, Ananias, o batizou, marcando definitivamente a sua entrada na nova vida.

 

O MINISTÉRIO DE PAULO

 

Antes de falarmos do ministério de Paulo, precisamos deixar bem claro, que após ser batizado por Ananias, ele não saiu feito maluco, pregando o evangelho de Jesus. Absolutamente, precisou colocar seus pensamentos no lugar. E para isso, seguiu para o deserto da Arábia, na quietude da Arábia, andou com Deus. O próprio senhor revelou a Saulo as grandes verdades que viriam a ser as âncoras de sua pregação. O próprio Senhor entregou o apostolado a Saulo. E é por isso que ele é chamado o grande apóstolo de Cristo.

Reestudou as Escrituras, meditou sobre as grandes doutrinas que iria em breve ensinar em todas as Igrejas. Aprendeu o valor da comunhão com Deus, tornando-se-lhe sensível à vontade. Na Arábia, permaneceu em consagração por 03 anos seguidos. Saulo deixou o deserto plenamente convicto e preparado  para apresentar as razões de sua fé.

Saulo volta da Arábia, diretamente para Damasco, onde começa seu ministério com os demais cristãos.

Saulo viaja para Jerusalém, é perseguido e expulso da cidade após, apenas 15 dias de sua chegada. De volta para casa, tomou a estrada costeira em direção a Cesaréia, capital romana da Palestina. Em Cesaréia, Saulo foi para o porto, e procurou um navio, entre muitos que ali se achavam ancorados, que o levasse para Tarso.

Como as coisas haviam mudado desde a época em que tinha poder e achava-se armado com a autoridade do sumo sacerdote! Não passava agora de um fugitivo, expulso de cidade em cidade, perseguido e odiado, tendo de disfarçar-se, e quase sem amigos. Mas, no seu coração, havia uma leveza e alegria que não conhecera antes. Era a alegria de Cristo.

Saulo permanece em Tarso, em um período de inatividade durante uns sete ou oito anos. Foram anos de espera, disciplina e paciência. Saulo provavelmente, necessitasse desse tempo para fortalecer-se e descobrir o segredo de esperar pacientemente no Senhor. Ele tinha uma missão, mas faltava-lhe a oportunidade.

No plano de deus, para quem o tempo não existe, aquele período haveria de amenizar o rancor dos rabinos.

Saulo, talvez, tenha permanecido em Tarso, enfrentando a oposição da comunidade judia, dos rabinos e dos próprios pais, trabalhando e sustentando-se na loja de tendas, até que Deus completasse mais um grande estádio na história da Igreja. Deus coloca no coração de Pedro e dos demais apóstolos, a conscientização de que a Igreja não era exclusividade para os judeus.

Saulo já havia sido chamado por Deus, para ser o apóstolo dos gentios.

O movimento de Antioquia cresceu tanto que um sinal de alarme foi enviado à igreja-mãe. Em Jerusalém, após deliberações, Barnabé, com sua mente aberta e esclarecida, foi investigar a autenticidade das proclamadas conversões dos gentios em Antioquia.

Ao perceber a obra esplêndida que se poderia realizar em Antioquia, Barnabé só pôde pensar num único homem para ajudá-lo, alguém que encontrara em Jerusalém, que fora criado numa cidade gentia, e que possuía muitas das qualificações exigidas para uma grande liderança. E mais que isso: O Senhor Jesus lhe colocara no coração o ministério para os gentios. Na mente de Barnabé formou-se a imagem de Saulo de Tarso. Barnabé percorreu os 25km até o porto de Selêucia, tomou um barco, e depois de um dia inteiro de viagem, chegou ao rio Cnido, pegando um outro barco para a cidade de Tarso.

Antioquia da Síria, era uma cidade com meio milhão de habitante, a terceira maior metrópole do Império Romano. O povo era idólatra, adoravam as estrelas e erguiam vários ídolos.

Em todo o império romano, era intensa a busca pelo prazer e ociosidade. Antioquia não fugia à regra.

Saulo foi levado à cidade. O Evangelho de Jesus Cristo penetrara em alguns corações e o poder do Espírito Santo operava nos judeus e gentios igualmente. A cidade de Antioquia era muito grande e sua população faminta e necessitada do amor de Cristo.

 

A PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA

 

Depois de várias reuniões e muita oração, os líderes da Igreja entenderam que era a vontade de Deus que enviassem Barnabé e Saulo nessa missão. Haveria alguém mais bem qualificado para a missão? Provavelmente não. Estavam capacitados pelo Espírito Santo a representar a Cristo; para isto haviam sido chamados.

 

(Atos 13.1-14.28)

 

Com as mochilas cheias de mantimentos e presentes dados pelos membros da igreja, e após serem abençoados pelos líderes, oração com imposição de mãos, os missionários Saulo e Barnabé, levaram consigo o jovem Marcos. Quando a primavera chegou aos montes da Síria, os três partiram; muitos irmãos estavam lá para despedirem deles. Os missionários caminharam pela longa estrada pavimentada que os levaria ao porto de Selêucia, onde havia grande atividade. Navios mercantes chegavam e partiam para outros portos em todo o Mediterrâneo. Muitos barcos de pequeno porte, levando frutas de Chipre, distante dali cerca de 113km, navegavam regularmente pela estreita faixa de água azulada, num pequeno percurso de seis horas, com o vento favorável. Como Barnabé era de Chipre, eles certamente seriam bem acolhidos na cidade. Além disso, havia na ilha alguns cristãos que tinham sido expulsos da perseguição geral.

A grande importância dessa primeira viagem para Antioquia, é que Deus estivera trabalhando. O plano de pregar o Evangelho até os confins da terra estava se cumprindo com tremendo sucesso. A semente fora plantada e regada, não só em Jerusalém e Antioquia, mas também na Ásia Menor e em Chipre. Agora estava crescendo e produzindo frutos. Um dos novos crentes era o jovem Timóteo. Os cristãos oravam e regozijavam-se por serem embaixadores a serviço de deus, arrancando homens e mulheres de suas vidas vazias e trazendo-os para a vida abundante; da morte para a vida eterna.

Paulo ficou vários meses em Antioquia, trabalhando na fabricação e comércio de Tendas, enquanto expunha as grandes verdades do Evangelho. Falava especialmente da justiça de Deus, que não pode ser obtida pela guarda da Lei, mas recebida como um Dom da sua maravilhosa graça.

 

A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA

 

Barnabé e Marcos embarcaram num navio, enquanto Paulo e Silas foram por terra ao longo da estrada dos mercadores, atravessando as altas serranias de Listra. O zelo demonstrado por Silas em Antioquia impressionara Paulo e dera-lhe a certeza de que Deus honraria o seu testemunho onde quer que ele fosse. Silas, como Paulo, era cidadão romano. Juntos, pensou Paulo, poderiam realizar grandes coisas para Deus, enquanto visitavam as cidades gentias.

Com as mochilas às costas, e os jumentos carregados de provisões, despediram-se dos irmãos e partiram para o monte Tauro. Foi por esta estrada que Paulo viajava com seu pai quando ia para Jerusalém. Paulo conhecia bem a Síria e a Cilícia.

As igrejas precisavam realmente dessa visita. Não tinham o Novo Testamento para orientá-las na vida cristã e, às vezes, as ondas da perseguição eram enormes. Receber a visita do apóstolo Paulo, conhecer Silas que viera da igreja-mãe, e ouvir sobre os cristãos de outras cidades, era sem dúvida de grande ajuda.

 

(Atos 15.36-18.22)

 

A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA

 

Já fazia um ano que Paulo prometera aos judeus de Éfeso voltar e continuar ali o seu ministério. O apóstolo pensava muito neles e em Áquila e Priscila que lá ficaram testemunhando. Durante todo o inverno, e até fins do verão seguinte, ele permaneceu em Antioquia. Sabia que se tivesse de viajar para a Ásia Menor, seria necessário partir antes que as neves do inverno bloqueassem as passagens das montanhas.

Quando os cristãos de Antioquia souberam que o apóstolo Paulo estava planejando uma terceira viagem, não ficaram surpresos. Entristeceram-se, porém, ao despedir-se dele mais uma vez. Já haviam compreendido que Deus prepara Paulo, melhor que qualquer outro, para levar o Evangelho às terras distantes. Numa reunião de despedida, entregaram-no aos cuidados de Deus; depois de lhe darem dinheiro e provisões para o caminho, levaram-no até os portões da cidade. Ficaram então olhando e acenando em despedida até que desaparecesse numa curva da montanha. Não sabiam eles que esse fora o último adeus. O rosto de Paulo não mais seria visto na amada igreja de Antioquia. Aproximava-se o momento em que o Apóstolo dos gentios encerraria suas viagens.

Pela terceira vez, Paulo encaminhou-se aos Portões da Cilícia, que o levariam a Tarso e Derbe, Listra e Icônio. As coisas tinham mudado com o passar do tempo. Em cada cidade havia agora igrejas estabelecidas; milhares haviam sido atraídos a Cristo.

Foi grande a alegria do apóstolo ao ver o progresso dos cristãos. Ele pensou naqueles primeiros dias, quando não havia uma única voz levantada para o Senhor em todas as cidades. Ao deixar cada lugar, Paulo elevava o coração em fervoroso agradecimento por cada igreja e cada crente.

 

(Atos 18.23-21.16)

 

A QUARTA E ÚLTIMA VIAGEM MISSIONÁRIA

 

O outono estava no fim quando Festo reuniu um grupo de prisioneiros e enviou-os a Roma. Em sua maioria, eram presos políticos que, por terem desafiado alguma lei romana, eram chamados de criminosos. Estavam sendo enviados à corte suprema, e se condenados, teriam de lutar com as feras no Coliseu e morrer diante da multidão insensível, num feriado, conforme determinara o imperador Nero.

A maior parte dos navios com destino a Roma haviam sido carregados mais cedo e seguido para o mar ocidental. Todo o marinheiro sabia que os ventos equinocais tornavam perigosas as longas viagens e, em breve, os barcos seriam forçados a lançar âncora durante o inverno. Festo não consegui encontrar um navio para Roma, mas querendo livrar-se dos prisioneiros, colocou-os numa pequena embarcação que fazia viagens comerciais pela costa, do Egito até adramítio, um porto da Mísia, perto da cidade de Trôade.

Os prisioneiros, a cargo de um centurião de nome Júlio e de uma escolta de soldados romanos, iriam até onde fosse possível com o navio, na expectativa de encontrarem, em algum porto da Ásia, outro barco com destino a Roma. Festo deu instruções completas a Júlio, encarregando-o de guardar os homens como sua própria vida e entregá-los a Roma.

O Centurião sabia que Paulo não era perigoso, pois Festo lhe contara que o levavam para Roma a seu próprio pedido. Tratava-se de uma questão religiosa sobre a qual estava sendo julgado. Júlio o tratou com grande respeito e bondade, chegando até conceder-lhe privilégios em certos portos em que desembarcaram.

Lucas acompanhou Paulo como assistente e companheiro. Aristarco, um crente de Tessalônica, que levara uma oferta à igreja de Jerusalém, estava também entre os passageiros.

Quando o vento forte soprou do Ocidente, as cordas foram retiradas e os longos remos levaram a embarcação para além do quebra-mar, em direção ao mar alto. Os marinheiros desfraldaram a vela branca; o capitão estabeleceu o curso, e navegaram por entre as ondas na direção norte, para o porto de Sidom.

 

(Atos 21.17-28.31)

 

Houve dois julgamentos ao apóstolo Paulo, O segundo, logo após o primeiro, não havia ninguém para defendê-lo ou apoiá-lo. Ele fora acusado de ser o líder dos cristãos, contra quem o ressentimento público era grande. Alexandre, o latoeiro, e os demais acusadores venceram. Sob os olhos desatentos de Nero, foi feita a votação. Era uma sentença de morte. Por ser um cidadão romano, Paulo não seria crucificado, mas decapitado.

Com o rosto pálido, porém cabeça erguida, o apóstolo foi levado para fora dos muros da cidade. Ali, em meio a uma multidão hostil, ávida pela execução, o velho missionário da cruz levantou os olhos para orar. Muitas e muitas vezes o Senhor o livrara de um momento como aquele. Contudo, muitos outros santos haviam enfrentado a morte, e a graça de Deus seria suficiente a Paulo também. O Senhor Jesus sofrera uma morte gloriosa a todo cristão. Enquanto Paulo pensava na ressurreição, um riso de triunfo dançou-lhe nos olhos e brincou-lhe nos cantos da boca. Sua face estava radiante, brilhando com a luz de um outro mundo.

O Capitão da guarda ordenou que parassem. O ar frio do inverno esfriara o cepo junto ao qual Paulo ajoelhou-se. COMBATI O BOM COMBATE, ACABEI A CARREIRA, GUARDEI A FÉ. DESDE AGORA, A COROA DA JUSTIÇA ME ESTÁ GUARDADA. A lâmina da espada brilhou ao sol. Paulo fechou os olhos para a multidão ruidosa, e quando abriu-os de novo, estava na presença de Jesus de Nazaré, onde há plenitude de alegria e em cuja destra há prazeres eternos. (Sl.16.11)

 

Fonte Bíblia Sagrada, Livro A Vida e os

Tempos do Apóstolo Paulo, escritor Charles

Ferguson Ball, da Casa Publicadora das

Assembléias de Deus, 1ª edição, Rio de Janeiro,

 1998, Livro o Espírito Santo na Vida do Apóstolo Paulo

 

 

Trabalho elaborado por Eber Rodrigues Novetti

 

 

Fim

Paulínia, 09/03/01

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