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FUI ABANDONADO!

Pergunta:

“Estou passando por um momento difícil e que não consigo superar. Namorava com uma garota legal, que estava sempre ao meu lado.

Fiquei com ela durante um ano e três meses e acabei me apaixonando demais. Repentinamente, ela veio com uma história de que gostaria de terminar o relacionamento, porque iria casar-se com um rapaz que ela havia conhecido uns dois meses antes.

Não é preciso dizer que fiquei e ainda estou arrasado com tudo isto que aconteceu. Ando meio perdido na vida, e dizem que fiquei muito esquisito. Preciso de incentivo. O que eu faço?”

Resposta:

Existem dois ditados populares que no final das contas querem dizer a mesma coisa. O primeiro ditado diz o seguinte: "Cada pessoa que passa pela nossa vida, deixa um pouquinho dela conosco e leva um pouquinho da gente com ela". O segundo ditado diz a mesma coisa, mas com palavras diferentes e mais apropriadas: "Cada pessoa que passa pela nossa vida, deixa um pedaço dela conosco e leva um pedaço da gente com ela".

Porque o segundo ditado é mais apropriado ao seu caso? É simples. Quando falamos em “pedaço” estamos definindo tamanho, quantidade.

Algumas pessoas deixam um pedaço tão pequeno ou levam tão pouco de nós que rapidamente nos esquecemos delas. Entretanto, existem pessoas que deixam um pedaço tão grande ou levam tanta coisa de nós, que ficamos marcados ou deixamos estas pessoas marcadas, por muitos anos, às vezes, para sempre. Quando alguém nos leva um pedaço, fica um “vazio”, cujo tamanho é diretamente proporcional ao pedaço que foi retirado de nós.

Enganam-se todos aqueles que pensam que só nos sentimos vazios quando perdemos coisas boas. Muitas coisas, aparentemente "ruins", podem deixar vazios "enormes" quando terminam ou vão embora. Uma história bem simples pode mostrar como isso acontece.

Numa cidade, localizada em alguma parte de nosso país, dois rapazes disputavam o amor da mesma moça. Ela era muito bonita, prendada e amorosa. Os rapazes por sua vez eram simpáticos, responsáveis e trabalhadores.

A competição não era boa para nenhum dos três. Os rapazes não se gostavam por serem adversários, e a moça sofria, por não saber qual dos dois escolher, já que ambos possuíam muitas qualidades.

Um belo dia, porém, aconteceu uma coisa ruim. Um dos rapazes faleceu em um acidente de carro. Todas as pessoas da cidade que conheciam a disputa dos dois rapazes pela moça, passaram a comentar:

"Agora que o outro morreu, vai ser muito fácil, para aquele que ficou vivo, conquistar o amor da moça".

Entretanto, não foi isso que aconteceu. O rapaz e a moça, ao invés de se aproximarem mais, foram distanciando-se um do outro, até não se falarem mais. E nunca mais houve nada entre eles. Ninguém conseguiu entender o que aconteceu. Todos perguntavam o porquê de tudo isso. Como alguém podia lutar tanto, para, depois que o inimigo foi embora, abandonar tudo?

Eis a resposta para a pergunta, "o inimigo, o concorrente". Quando um rapaz morreu, a sua ausência promoveu um vazio no outro, que ficou sem saber como agir, já que não havia ninguém para competir.

Já a moça perdeu o interesse, uma vez que a competição acirrada fazia com que ela se sentisse "desejada" e fosse o centro das atenções.

Algum tempo depois, tanto o rapaz como a moça, "sobreviventes" daquele triângulo amoroso, conheceram outra moça e outro rapaz, pela qual apaixonaram-se e com os quais casaram-se.

Esta história serve para mostrar-nos que podemos sentir um vazio quando perdemos alguém que "amamos" ou mesmo quando perdemos alguém que "odiamos". Tudo depende da forma como as coisas acontecem.

Resta como "moral da história" dizer que todo vazio acaba sendo preenchido com o tempo. O problema é que nós, seres humanos, com nosso egoísmo eterno e cego, nos recusamos a enxergar aqueles que estão próximos (às vezes bem próximos mesmo), esperando uma oportunidade de “preencher” o “nosso” vazio.

Basta a cada um de nós “aprender" a aceitar aquilo que “não pode” ser mudado, e continuar nossa caminhada. Só pode enxergar a beleza do mundo, aquele que aceita abrir os olhos "da alma".

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