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| As Tarefas e agendas da Reconstrução |
| Jorginho da CUT e Plínio de Arruda Sampaio Jr. |
| PALAVRA CRUZADA - 14/09 |
O PT, enquanto instrumento de transformação social acabou! Construído para ser a expressão dos explorados pelo sistema capitalista que lutam pelo socialismo, o PT se propunha a combinar tarefas de organização e de ação direta dos trabalhadores, no movimento sindical, popular, estudantil. Na concepção original do partido, a conquista de espaço institucional era um meio a mais no combate às mazelas do capital. Com o tempo, tornou-se sua prioridade absoluta. Imaginava-se que, a partir da acumulação de forças, através da constituição de governos democráticos e populares seriam criadas bases para uma ruptura com a ordem existente. O loteamento de cargos no governo e até em Conselhos de empresas privadas, com raras exceções, teve outros objetivos. Nada que se aproxime da organização e mobilização daqueles possíveis atores das mudanças estruturais. O cretinismo parlamentar provocou uma verdadeira contra-revolução ideológica sobre a consciência dos trabalhadores. Esse último período revela o verdadeiro vale tudo para ganhar espaço e estrutura de “poder”, prática que igualou o partido na mesma lógica e nas mesmas regras dos partidos da ordem tanto no plano econômico, como organizativo. A degeneração expressa no processo de eleições internas (PED) revela que a adesão do PT à ordem não tem volta. A generalização do recurso a práticas eleitorais espúrias, como a utilização, em pleno século XXI, de currais eleitorais que causariam inveja aos coronéis do século XIX, demonstra que a retórica da reconstrução do partido é uma balela. NOSSA SAÍDA DO PT e os Núcleos de Ação e Reflexão Socialista Durante o Fórum Social Mundial, um grupo de uma centena de companheiros decidiu sair do PT. Nossa saída estava, naquele momento, centrada na avaliação de que a política econômica do governo não teria alterações de fundo e, portanto, que não havia mais razão para continuar no Partido. O que aconteceu desde então parece nos dar razão. Antes de definir nossa saída do PT, optamos pela construção dos Núcleos de Ação e Reflexão Socialista, uma experiência que tem, apesar de todas as dificuldades, se mostrado mais que necessária, fundamental no sentido de não permitir a dispersão da militância. Os núcleos se constituíram em várias cidades e regiões. A proposta da realização da ASSEMBLÉIA POPULAR, que será realizada nos dias 24 e 25 de setembro na cidade de São Paulo foi feita por esses núcleos. Reorganizar e reconstruir as forças da esquerda socialista e combativa O desafio principal desta nova situação, deste novo ciclo histórico que se abre é buscar todas as formas de reunificar as forças combativas dos movimentos sociais, das classes trabalhadoras, da juventude que não podem ficar a mercê da desmoralização, do ceticismo e podem aderir ao projeto de resgatar as bandeiras históricas do povo trabalhador. Os trabalhadores esperam que sua vanguarda seja capaz de apontar caminhos para saída da crise sob ponto de vista dos trabalhadores. Este é o objetivo geral da ASSEMBLÉIA POPULAR em curso. Nestes 25 anos acumulamos experiência para a luta e mobilização. Sabemos o quê não queremos: personalismo, burocratização e o afastamento das lutas sociais. Queremos manter a autonomia e independência dos movimentos sociais, com relação aos governos e patrões. Queremos reunir os lutadores socialistas, queremos evitar a dispersão e construir uma nova agenda na qual investir toda nossa energia no próximo período. O fracasso do PT não significa que a forma Partido deixe de ser ferramenta importante para a reaglutinação da esquerda socialista. Fundamental é reconstruir uma organização que seja capaz de unificar todas as organizações de esquerda do país. Várias e importantes iniciativa estão em curso, com diversas concepções sobre qual ou quais caminhos percorrer. O ano de 2006, com todos os limites impostos ao debate da esquerda brasileira, face ao desastre do governo Lula com sua política econômica e as denúncias de corrupção praticadas pelo Partido, será um momento importante. Um momento de reafirmar valores socialistas na forma de fazer política e de debate programático sob ponto de vista da agitação das bandeiras socialistas, abandonadas pelo PT e pelo governo Lula, o que deixa parte significativa dos trabalhadores sem alternativa. Estamos apostando na constituição de uma AMPLA FRENTE SOCIAL, posto que o processo eleitoral de 2006 terá grande importância, tanto no que diz respeito a disputa geral como no campo das idéias para agitação de uma plataforma socialista para o Brasil ou como na construção do novo processo de reorganização da esquerda brasileira. Caso na disputa de 2006, não se viabilize a Frente Social preconizada por Chico de Oliveira, nem mesmo a constituição da plataforma socialista, com apresentação de candidaturas que possam expressá-las, novas definições de outras formas de participação no processo terão que ser discutidas. Entendemos ser prudente, uma vez que acreditamos na necessidade da construção da AMPLA FRENTE SOCIAL, definir em caráter preventivo uma opção partidária. Posto que, se criadas as condições, talvez seja necessário disputar também no campo institucional, onde teremos que travar brutal embate contra o atual governo e a direita neoliberal. Um dos movimentos de reorganização da esquerda socialista é o P-SOL, partido fundado por militantes expulsos do PT, tem se manifestado disposto a construir um espaço de debate mais amplo, embora em razão das circunstancias em que foi formado, seja ainda um partido com muitas dificuldades estruturais e com uma série de indefinições políticas. O debate e a decisão das uestões polêmicas acerca de: concepção e caráter de Partido, do programa da relação com a base popular, a relação com o Parlamento, o controle da base sob a direção etc é que irá revelar ou não, sua capacidade de se tornar uma referência de massas e, portanto uma alternativa real de reorganização da esquerda socialista. O dilema de disputar ou não o processo de 2006 e qual o papel da luta institucional, após a tragédia do governo Lula e a degeneração do PT, é uma questão que deve ser profunda e rigorosamente debatida. Saudações Socialistas Jorge Luís Martins – Núcleo Ação
e Reflexão Socialista de Franca |
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