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| Não em nosso nome! |
| Roberto Morales – Coordenação da Campanha Contra a ALCA |
| PALAVRA CRUZADA - 15/07 |
| Como é de conhecimento público, o Deputado Federal do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB e corrupto confesso, Roberto Jefferson, após a exibição de uma filmagem na qual é apontado como responsável por um esquema de desvio mensal de dinheiro público da Empresa de Correios e Telégrafos – ECT para seu partido e diante de sua cassação iminente, decidiu levar junto com ele outros políticos governistas envolvidos em esquemas de corrupção dentre os quais o “mensalão”, a escandalosa mesada de 30 mil Reais distribuída por dirigentes petistas a diversos parlamentares e partidos políticos. A onda de denúncias que se seguiu e as investigações que apenas estão começando já deixaram à mostra um esquema de corrupção que inclui a compra de bancadas inteiras de partidos políticos, desvio de verbas públicas, superfaturamentos e todo tipo de falcatrua cuja origem aponta vários dirigentes petistas integrantes da equipe de governo e de fora dele como responsáveis. Evidentemente, estes fatos atingiram o PT e o Governo Lula em cheio, caindo por terra a imagem ética do Partido dos Trabalhadores e seus dirigentes, fragilizando o próprio Governo e as perspectivas de reeleição que vinha acalentando. É neste cenário que fomos surpreendidos com a “Carta ao povo brasileiro” assinada por diversas entidades mais ou menos governistas – o que não chega a ser uma surpresa – e na qual se reconhece que Lula vem governando com uma política neoliberal que não serve para o povo, mas, afirma que sua política internacional é progressista e independente. A seguir denuncia um suposto “golpe das elites” que estaria em marcha e que teria como objetivo derruba-lo ou evitar a reeleição de Lula em 2006, finalizando com algumas propostas de mudanças na orientação econômica. E para nossa surpresa, no meio das assinaturas, inexplicavelmente aparece a assinatura da Campanha Contra a ALCA, sem que isto fosse sequer discutido nos organismos que organizam a Campanha. É necessário esclarecer que Lula tem governado com o PT e partidos fisiológicos como o PMDB e de nítido perfil conservador e de direita como o PTB, o PL e mais recentemente com o PP de Maluff, Severino e da Ditadura Militar que infelicitou o país por longos anos. Além disso, tem governado com Henrique Meirelles, banqueiro internacional, para os banqueiros, para os empresários do “Agro-negócio” e para a classe dominante que sempre governou o país, razão pela qual não existe motivo algum para que esta tente derruba-lo. A política internacional do Governo Lula, ao contrário do que diz a infeliz “Carta”, tem se pautado pela subserviência ao imperialismo estadunidense salvando a ALCA quando esta naufragava ao tirar da “cartola” a proposta da ALCA light, correndo para criar um “Clube de Amigos da Venezuela” quando a direita daquele país e os Estados Unidos tentavam derrubar o presidente Hugo Chávez - clube este formado entre outros pelos próprios golpistas estadunidenses e o fascista Aznar, então presidente espanhol. Ainda no terreno internacional e como exemplo deste “lado progressista” do Governo Lula, o Brasil dirige a invasão do Haiti que segundo recentes informações teria assassinado e ferido dezenas de pessoas em duas favelas, inclusive crianças e mulheres, fazendo o papel sujo que o imperialismo estadunidense desgastado com a invasão do Iraque lhe ordena. Ao mesmo tempo, cumpre através da Petrobrás na Bolívia e no Equador, um papel imperialista na América Latina. Assim sendo, desautorizamos a colocação da assinatura da Campanha Contra a ALCA neste vergonhoso documento e repudiamos a atitude destas supostas “lideranças inquestionáveis” que se colocam acima da militância que constrói a Campanha junto aos movimentos sociais. No passado, esta prática levou à destruição dos projetos socialistas na Europa e atualmente, presenciamos o triste fim do Partido dos Trabalhadores como conseqüência da burocratização e arrogância de seus dirigentes e do afastamento da militância das esferas decisórias do partido. Reafirmamos nossa disposição
de luta contra qualquer governo que implemente o projeto neoliberal em
acordo com o que exige a ALCA, mantendo o povo na miséria para
saldar pontualmente os compromissos com o FMI e chamamos à unidade
de todos os companheiros e companheiras da Campanha para mantê-la
longe da lama que brota do Palácio do Planalto. |
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