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| Voto comprado tem que ser anulado! |
| Gilberto Maringoni |
| PALAVRA CRUZADA - 08/07 |
| O espectro da ilegitimidade ronda importantes votações do Congresso Nacional. A possibilidade de compra de votos coloca várias medidas aprovadas sob suspeição. O que temos na conjuntura de crise que acomete o governo Lula e sua base de apoio no Congresso, aí incluído o Campo Majoritário do Partido dos Trabalhadores? Pistas cada vez mais sólidas de um grande esquema de compra de votos de parlamentares – o chamado “mensalão” – irrigado através de um tortuoso esquema de malas pretas que sairiam de contas de um publicitário contemplado com contas milionárias de órgãos públicos. O que é lógico, mas não está evidente, é o propósito dessas compras de voto. O cruzamento de dados da Coafi (Coordenadoria Administrativa-Financeira) com a agenda de votações do Congresso, nesses dois anos e meio de gestão Lula, mostra que os polpudos saques do tal publicitário, sr. Marcos Valério de Souza, no Banco Rural de Belo Horizonte, aconteceram sempre às vésperas de importantes decisões congressuais. Sigamos o rastro. Que decisões eram essas? Previdência, transgênicos, blindagem... As votações importantes para o governo, nas quais jogou-se uma espécie de “tudo ou nada”, que motivaram expulsão de parlamentares, pressões, ameaças etc. foram as assim denomidas “reformas”, destinadas a acalmar o sistema financeiro e a pavimentar a senda de estabilidade rumo ao espetáculo do crescimento propalado pelo presidente da República. Foram as reformas da Previdência (que cortou direitos adquiridos do funcionalismo público), a Lei de Falências (que priorizou as dívidas financeiras em detrimento das pendências trabalhistas), a lei dos transgênicos (que favorece monopólios das sementes), o salário mínimo de R$ 300 (que contraria promessas de campanha), a blindagem em Henrique Meirelles (para proteger o presidente do BC de suspeitas fortes de corrupção) etc. etc. Faz sentido, a se confirmar o tal mensalão. Parlamentares recebiam respeitável dinheirama para votar em medidas um tanto distantes de interesses populares. Falemos claramente: o mensalão é corrupção. Os responsáveis por ele – se de fato existir – devem ser punidos com os rigores da lei! E as conseqüências do mensalão, como ficam? Seguem existindo, como se nada se passasse? As reformas, possivelmente aprovadas com compra de votos continuam valendo? Aprovação obscura É necessário deflagrar uma campanha nacional para que essa votação suspeita seja anulada! A população tem de ter claro que a corrupção tem um sentido: ela foi usada para aprofundar o modelo neoliberal em nosso país. Não se pode cair no moralismo oco, de achar que tais atos são vazios de significados e se prestaram apenas à possível engorda de contas bancárias pessoais. Assim, os resultados do mensalão são tão nocivos e condenáveis quanto a propina em si. Se o governo quiser, pode até colocar as reformas novamente em votação, agora num processo limpo e sem ameaças àqueles que porventura discordem delas. E não travar o debate em manobras obscuras, como foi feito. Uma coisa é certa: voto comprado tem que ser anulado! |
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