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| O rei está nu! |
| Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro |
| resistir.info - 14/07 |
| A crise do governo Lula é o óbvio resultado da sua escolha política. O quadro político tem se agravado diariamente, numa esteira interminável de denúncias, depoimentos e acusações. O partido do governo, o PT, foi posto no centro do turbilhão que atingiu o seu núcleo dirigente, culminando com a queda do seu presidente nacional, José Genoíno. A reação do governo Lula e do PT à crise se resume a tentar recompor sua base de sustentação parlamentar para dar continuidade a sua política antipopular, de subserviência ao capital financeiro. O espetáculo constrangedor que o Presidente Lula proporcionou ao país, ao tentar cooptar o PMDB com mais ministérios, e a ameaça da Executiva deste partido de expulsão dos seus filiados que porventura assumam cargos federais, demonstra a perda de rumo do PT e do governo. O resgate do deputado Delfim Netto, de sinistra lembrança, expressa a sua opção preferencial pelo capital financeiro e pelo rentismo. A nomeação de Luis Marinho, presidente da CUT, para o Ministério do Trabalho, longe de ser um retorno às bases operárias, significa, objetivamente, a ressurreição das reformas sindical e trabalhista, que golpearão as conquistas históricas dos trabalhadores. Como sabemos, o senhor Marinho tem sido o timoneiro da conciliação de classe, que levou ao banco de horas e outras flexibilizações dos direitos trabalhistas, materializando o conluio com o patronato e a traição aos trabalhadores. Em que pese o aceno do presidente Lula aos movimentos sociais, o giro político do governo é, de fato, em direção aos setores conservadores e reacionários da sociedade. Isso fica evidente quando setores significativos do Campo Majoritário do PT sinalizam com um acordo com o PSDB, em nome da garantia de uma pretensa governabilidade. A reengenharia da Executiva do PT fortaleceu a viabilidade dessa proposta. A análise deste quadro político põe a nú a falácia de uma “conspiração da direita”, golpismo e quejandos. O objetivo do PSDB é, no máximo, desgastar o governo com vistas às eleições de 2006. Porém, a crise está fugindo ao controle, atingindo os partidos da chamada oposição, com os últimos acontecimentos envolvendo um deputado do PFL. Os comunistas entendem que a atual crise vai além da febre de denúncias, pois a corrupção é inerente ao sistema capitalista. Ao se propor a administrar o capitalismo, em sua fase monopolista e financeirizada, como a mão esquerda do capital, o PT mergulhou nas mazelas da ordem burguesa. O PT ignorou as lições da história e cumpre as tarefas dos partidos socialdemocratas, liquidando seus compromissos com os trabalhadores. A saída para a crise também não se encontra no campo da oposição burguesa. Pelo contrário. O governo do PSDB/PFL promoveu uma brutal concentração de renda, com uma política econômica perversa, da qual este governo é continuador. Realizou privatizações escandalosas e dissipou o patrimônio nacional. Fez uma contra-reforma da Previdência, que o atual governo concluiu. Construiu sua base parlamentar calcada na corrupção, através da compra de votos e farta distribuição de cargos e verbas. É sabido que o PSDB é representante direto do grande capital, que tem por interesse a preservação da política econômica praticada nos últimos quinze anos. Nesse sentido, as soluções apontadas para a crise caem como uma luva na tática tucana. A solução burguesa, assumida pelo governo Lula, elimina, definitivamente, as diferenças entre os dois programas. Cabe aos setores populares a saída para a crise! Somente a ampla mobilização das forças conseqüentes, comprometidas com a democracia e com o socialismo, possibilitará um salto de qualidade, na perspectiva do povo trabalhador. Neste contexto, entendemos que o conjunto dos trabalhadores deve constituir um campo de oposição classista. O PCB propõe a construção de um Bloco de Esquerda, como alternativa de poder popular, contrário ao neoliberalismo, à socialdemocracia e seus aliados. Iniciativas como a Assembléia Popular realizada no dia 9 último, em São Paulo, devem se reproduzir por todo o país. Conclamamos as forças populares para a consolidação de uma unidade programática e de ação, que norteie a saída para a crise, na perspectiva do socialismo. Rio de Janeiro, 11 de julho de 2005. |
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