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| Esquerda do PT busca alternativa e discute com P-SOL |
| João Machado |
| PALAVRA CRUZADA - 18/07 |
| A matéria abaixo já havia sido publicada em O Globo há alguns dias, antes do depoimento de Delúbio Soares e de Lula à Rede Globo. Foi ligeiramente atualizada para o Globo Online . Provavelmente a matéria tem imprecisões, mas certamente seu sentido geral é correto: setores do Bloco de Esquerda, ou talvez o Bloco como um todo, já estão discutindo uma alternativa ao PT. E esta alternativa passa pelo P-SOL (como opção de partido propriamente ou, pelo menos, como base para uma frente política, que poderia se concretizar na forma de uma “filiação democrática” ao P-SOL — isto é, uma filiação para a disputa eleitoral de 2006, sem compromisso de integração ao partido). De fato, já estavam debatendo esta alternativa há algumas semanas. O agravamento da desmoralização do PT com as declarações (obviamente combinadas entre si) de Marcos Valério, Delúbio Soares e Lula vem reforçar, sem nenhuma dúvida, esta busca. Aliás, não é apenas o Bloco de Esquerda do PT, que é um bloco parlamentar, que discute neste momento qual deve ser a alternativa ao PT. Diversos setores de esquerda de militantes do PT (e de outros partidos da base do governo) estão compartilhando o mesmo debate. Afinal, a operação para livrar Lula (que disse a clara mentira de que não vinha tendo nada com o PT desde sua eleição) e o governo, e para jogar o desgaste inteiramente para o PT e, em alguma medida, para os outros partidos, torna ainda mais difíceis as coisas para os que pretendem recuperar o PT como um partido minimamente sério (para nem falar da sua reconstrução como partido conseqüente de esquerda, claramente impossível). Aliás, a entrevista que Lula gravou especialmente para o Fantástico (disfarçada como entrevista para uma jornalista brasileira que trabalha na Europa, supostamente adquirida depois pelo Fantástico) foi particularmente insultante para todos os petistas sérios. Aliás, ao contrário do distanciamento em relação ao PT que Lula diz ter, seu controle sobre este partido aumentou muito desde o início do seu governo — o PT foi obrigado a funcionar como correia de transmissão das orientações social-liberais do governo — e está aumentando ainda mais agora. Os quatro novos dirigentes principais do PT (Tarso Genro, Ricardo Berzoini, Humberto Costa e José Pimentel) foram ungidos por Lula; três são ministros seus, e o outro foi o relator da contra-reforma neoliberal da Previdência (ou seja, já se prestou a fazer um serviço sujo a mando de Lula). Há cada vez menos margem para dúvidas de que a reconstrução da esquerda brasileira, depois da grave crise em que o governo social-liberal de Lula a jogou, tem de se fazer fora do PT. As discussões feitas no P-SOL, desde o início da sua organização, indicam o caminho que deverá seguir, neste quadro: defender que os setores da esquerda socialista que vierem a se afastar do PT ou de outros partidos governistas integrem plenamente nosso partido, e se somem à sua construção — sem prejuízo da possibilidade de que alguns setores possam apenas compor uma frente política e realizar uma “filiação democrática”. Pois uma das idéias-força da construção do P-SOL foi justamente a de que ele deve ser “um abrigo para a esquerda socialista brasileira”, uma alternativa partidária para os que não aceitam abandonar a perspectiva socialista e se contrapõem decididamente, portanto, ao curso neoliberal seguido por Lula e pelo “campo majoritário” do PT. |
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