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| A vitória da ortodoxia |
| Luiz Antonio Magalhães* |
| Correio da Cidadania - 03/07 |
| A crise política que abateu o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está paralisando algumas ações governamentais, mas não todas. Após a queda do ex-todo-poderoso ministro José Dirceu, que ocupava a Casa Civil, é cada vez mais claro o fortalecimento do titular da pasta da Fazenda, Antonio Palocci. Na seara de Palocci, a crise ainda não parece ter chegado, antes pelo contrário: na semana passada, a equipe econômica divulgou as metas de inflação de 4,5% para 2006 e 2007, contrariando as reclamações de boa parte dos economistas brasileiros, especialmente os organicamente ligados ao partido do presidente Lula, cuja posição se refletiu na Carta ao Povo Brasileiro, divulgada também na semana passada. O moderado senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que faz parte da mesma tendência de Palocci, foi quem talvez mais tenha externado a preocupação com o problema, sugerindo um aumento na meta de inflação para no mínimo 5,5%, a fim de que o governo pudesse então baixar a taxa de juros e alavancar o crescimento do país de forma mais rápida. Antonio Palocci, como se pôde ver, prefere adotar uma outra estratégia. As metas fixadas para os próximos dois anos são ainda mais difíceis de cumprir do que a fixada para 2005, de 5,1%. Além disto, o Banco Central sinalizou na última quinta-feira, quando divulgou a ata da reunião do Copom, que a taxa de juros não deve cair tão logo. A crise política, na verdade, ainda não teve nenhuma interferência na condução da política econômica pelo ministro Palocci. Em tese, a saída de José Dirceu da Casa Civil tenderia a fortalecer as posições de Palocci, pois o ex-ministro era crítico freqüente do alto grau de ortodoxia presente nas ações da Fazenda e no Banco Central. Uma parte das alas de esquerda do PT, porém, acredita que a saída de Dirceu poderá gerar o efeito oposto, com um aumento da pressão sobre Palocci e Meirelles. O raciocínio é simples: enquanto Dirceu estava na Casa Civil, era ele quem fazia o contraponto a Palocci. Enfraquecido desde o Caso Waldomiro Diniz, o ex-ministro era uma voz dissonante sem capacidade de se impor no conjunto do governo. Com a sua saída, portanto, seria possível para a esquerda aumentar o tom das críticas ao conservadorismo de Antonio Palocci e obter algum resultado prático. Ainda dentro do PT, porém, há quem veja neste raciocínio mais “wishful thinking” do que análise política. A vitória do “paloccismo” teria sido de tal forma acachapante que não restaria espaço algum para qualquer tipo de concessão do presidente Lula às esquerdas, ainda mais em um momento tão delicado, em que ele é obrigado a negociar com aliados conservadores a seqüência de seu governo. A julgar pelas atitudes do ministro da Fazenda na semana passada, faz mesmo muito mais sentido acreditar que ele se fortaleceu na crise. A ortodoxia na política econômica vai continuar, com crise ou sem crise... *Luiz Antônio Magalhães é editor de Política do DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa (www.observatoriodaimprensa.com.br). |
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