P-SOL: Retomando o debate de 2006
João Machado
PALAVRA CRUZADA - 04/07

Vencida a etapa da obtenção do registro legal (como, esperamos, breve acontecerá), o P-SOL está entrando agora em uma nova etapa, de muita construção e muita discussão. A publicação de um artigo de Ricardo Antunes no Jornal do Brasil sobre “2006” é uma oportunidade para listar alguns dos temas cujo debate temos de enfrentar.

Há uma questão que provavelmente dominará as próximas semanas e meses, que é a da ampliação do partido ou — para falar de modo a ressaltar a importância que este processo poderá alcançar —, da convergência de setores políticos muito expressivos que estão se separando do PT ou de outros partidos da base governista com o P-SOL de hoje. Esta convergência poderá dar origem a um partido qualitativamente mais amplo do que o que já temos.

Também a partir das próximas semanas, e ganhando mais força no segundo semestre, o P-SOL se voltará para a preparação do seu 1º Congresso. Sua importância não pode ser subestimada, por pelo menos duas razões:

a) os documentos aprovados no I Encontro do partido, em junho de 2004, são provisórios: foram essenciais para referenciar a construção do P-SOL até agora, mas passaram por um processo de discussão relativamente reduzido (muito concentrado nas correntes e setores que assumiram a direção do processo), e não abordaram muitos temas fundamentais para a postura “radical e contemporânea” de que fala Ricardo Antunes;

b) já temos hoje um partido substancialmente maior do que o de junho de 2004 e, viabilizada a convergência com novos setores, a ampliação poderá ser, como foi mencionado, qualitativa. Muitas novas companheiras e muitos novos companheiros participarão da elaboração das definições políticas do partido.

Naturalmente, a ampliação do partido e a preparação do 1º Congresso terão de se fazer conjuntamente com o avanço na organização da militância e na construção das instâncias.

Finalmente, nos próximos meses, além de a vida do partido continuar a gIrar em torno das lutas cotidianas do povo trabalhador e da organização da resistência contra os ataques neoliberais do governo Lula e dos demais governos (estaduais e municipais), o tema das eleições de 2006 irá se tornando cada vez mais concreto. O partido ensaiou uma primeira discussão deste tema no fim de 2004 e no início de 2005 — esta etapa foi concluída com a aprovação da Resolução do II Encontro do P-SOL. Deste então, no entanto, muita água correu.

O artigo de Ricardo Antunes contribui para situar esta discussão no novo contexto político brasileiro; e a postura “radical e contemporânea” que ele defende pode servir de eixo para a elaboração da política do partido — lembrando que esta postura radical não exclui a identificação e o diálogo com todos os setores sociais que, mesmo não se considerando radicais, defendem uma orientação política favorável ao povo brasileiro.

Afinal, o problema do governo Lula e desta coisa que o PT se tornou não é de falta de radicalismo, ou de excesso de moderação: é, pura e simplesmente, de mudança de lado — de conversão à defesa dos interesses do grande capital. Conversão essa, aliás, bastante radical (radical pela direita, na política econômica).

Na campanha de 2006, não deveremos buscar representar apenas os setores radicais (de esquerda), mas sim todas aquelas e todos aqueles que se colocam do lado dos interesses populares legítimos.

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