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| Lula e PT: nada será como antes |
| Emir Sader |
| www.alainet.org - 28/06 |
| Ninguém sai de uma crise como esta da mesma forma que entrou. Conforme o governo Lula e o PT reagirem à crise, será seu futuro. Há uma saída à direita: basta que o governo seja pautado pela oposição, através do lobby monopolista da mídia privada. Se trataria de cortar ainda mais os gastos do governo, manter firme e forte a política econômica, se substituir a Henrique Meirelles será por alguém que mantenha rigorosamente a ortodoxia que tem feito o governo perder popularidade e o Brasil perder a oportunidade de deixar de ser o país mais injusto do mundo. Nesta direção, o governo abrirá mão da nomeação de cargos de confiança, fará alianças com partidos que cobrarão duramente a conta com vários ministérios, com autonomia de nomeação – e todos os riscos de novos casos de corrupção. A reforma agrária andará ainda mais lentamente, os transgênicos mais rapidamente, projetos como a Ancinav serão definitivamente arquivados, enquanto que os exportadores conseguirão ainda mais isenções. Se optar por essa via, Lula fará a campanha eleitoral na defensiva, acusando os golpes que a oposição continuará – tendo a mídia na vanguarda – a assestar contra o governo. Há mesmo quem diga que os membros do Banco Central desatarão uma campanha de desestabilização, renunciando um após o outro, alegando que o governo e principalmente o PT os impedem de cuidar da moeda como crêem que deveriam fazê-lo. O cenário estaria pronto para o retorno da aliança PSDB-PFL e do seu programa de privatizações da economia e do Estado. Este é o caminho da derrota. Pode até não ser o da derrota do Lula nas eleições de 2006, mas será a derrota definitiva de um projeto de esquerda, aquele que acumulou forças ao longo das batalhas das últimas duas décadas e meia no Brasil. E o governo, mesmo contando com um novo mandato, não terá o que dizer aos movimentos sociais, à cidadania que o elegeu, aos eleitores – até mesmo para justificar por que pede um novo mandato. O PT se descaracterizará completamente como partido, fechando de uma vez por todas sua bela trajetória histórica. A alternativa está numa saída democrática à crise, apontando na direção da promessas até aqui não cumpridas – de prioridade do social, de expansão do mercado interno mediante o aumento substancial dos salários, aceleração da reforma agrária, liberação de recursos para as políticas sociais e culturais. Em suma, atendendo as reivindicações que os movimentos sociais – tendo à frente o MST e a CUT – fizeram chegar a Lula. A partir desse momento, a solução positiva da crise está em suas mãos, está na proposta que recebeu, vinda de um apoio que não lhe cobrará cargos, nem vantagens, que não lhe trará preocupações com novos casos de corrupção. Mas que, ao contrário, lhe permitirá transitar pelas grandes manifestações dos movimentos sociais, fazer uma campanha eleitoral de rua, contar com o apoio popular ativo e massivo. Dessa opção dependerão o futuro do governo Lula, do PT e do Brasil. |
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