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| Sai daí, Henrique, rápido! |
| Paulo Nogueira Batista Jr. |
Folha de São Paulo - 30/06 |
| Nada tenho contra a pessoa do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Não o conheço, nunca o vi mais gordo. E, no entanto, como brasileiro, preciso dizer o seguinte: tem que aparecer, urgente, algum Roberto Jefferson que, empostando a voz de barítono de ópera-bufa, diga em alto e bom som: "Sai daí, Henrique, rápido!". Como sabemos, essa exortação funcionou maravilhosamente contra o ministro José Dirceu. Além disso, as diretorias dos Correios e do IRB foram sumariamente demitidas. Mas Henrique Meirelles é um caso a parte. As denúncias contra ele são graves e antigas. Apesar disso, sobrevive. Pelo menos, por enquanto. Não vamos esquecer o óbvio: trata-se de um integrante do Sistema Financeiro. Merece, portanto, especial respeito e consideração. Todo lulista que se preza treme da cabeça aos sapatos quando encontra uma figura dessas. Henrique Meirelles foi acusado de sonegação fiscal, evasão de divisas e crime eleitoral. Reação do governo Lula: propôs, por medida provisória, que o acusado fosse promovido, isto é, que se desse status de ministro de Estado ao presidente do Banco Central. Com a aprovação dessa medida, Meirelles passou a gozar do direito de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Corre inquérito criminal contra ele no Supremo. A Folha noticiou anteontem, sem ser desmentida (até onde sei), que Henrique Meirelles está tentando evitar a quebra do seu sigilo bancário, pedida pelo procurador-geral da República. Hmmm... Corrupção. Até os corruptos a condenam (a culpa não é individual, mas do sistema político, explicam). Obviamente, ninguém é a favor do desvio de recursos públicos para benefício de empresários, políticos e outros espertalhões. Menos óbvio é o fato de que a política de juros do dr. Henrique deixa o "mensalão" no chinelo. Não é ilegal, mas representa um desvio muito maior e mais sistemático de recursos públicos para o bolso de banqueiros, proprietários de outras instituições financeiras, grandes empresários e demais minorias privilegiadas. Contra esse desvio, a indignação não é tão unânime. Sempre haverá economistas, bem remunerados, dispostos a dar guarida à selvageria que passa por política monetária responsável no Brasil. A razão é simples: os grandes beneficiários da política de juros são os donos do poder e as elites que se apropriam de grande parte da renda e da riqueza do país. Do ponto de vista da maioria da população, essa política traz mais custos do que benefícios. Controla a inflação, é verdade, mas a um preço exorbitante. O estrago nas finanças do governo está sendo gigantesco. Com os juros brasileiros escandalosamente altos em termos mundiais, aumentam as entradas de capital volátil, também conhecido como capitalmotel, provocando valorização perigosa do real com prejuízos para as exportações industriais, agrícolas e de serviços. A taxa de crescimento das exportações vem registrando acentuada diminuição. E os brasileiros voltaram a aumentar os seus gastos com turismo no exterior. Nesse ambiente monetário e cambial, não há economia que possa investir e crescer em ritmo adequado. Nos meses recentes, todos reduziram as projeções para o investimento produtivo e o crescimento do PIB. Teremos, na melhor das hipóteses, crescimento medíocre. A galinha está aterrissando. Combinação tenebrosa para um presidente que pretende (ou pretendia) candidatar-se à reeleição: denúncias graves de corrupção e economia praticamente estagnada. Alguém precisa dizer a Lula: "Presidente, a direção do Banco Central também está botando dinamite na sua cadeira". |
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