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| Peleguismo sofisticado se instala nas centrais |
| Waldemar Rossi |
| Correio da Cidadania - 08/06 |
| “Os fundos de pensão surgem como o mais novo recurso dos sindicatos para se sustentar, ganhar força política nas negociações e fincar pé no mercado financeiro. Os planos fechados de previdência complementar serão até incluídos nas convenções coletivas de categorias. A permissão para que sindicatos, associações de profissionais liberais e cooperativas montem seus planos fechados de previdência levou as duas maiores centrais sindicais do país, a Força Sindical e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) a entrar no negócio”.(Folha de S. Paulo – 15/05/05) Nos anos iniciais da ditadura militar - com a cassação dos dirigentes sindicais legitimamente eleitos e a nomeação de pelegos como interventores - deu-se início no Brasil, a uma nova etapa do sindicalismo tupiniquim. Aos poucos, a pelegada foi transformando os principais sindicatos em órgão de assistência médica, de cooperativas habitacionais, de colônias de férias e de cooperação de classe, em substituição às verdadeiras razões de ser dos sindicatos: organizar e defender os interesses coletivos dos trabalhadores ante a exploração do capital. Foram anos duríssimos para o conjunto dos trabalhadores brasileiros devido ao avanço da dominação ideológica e da exploração econômica imposta pelo capital com o apoio das armas dos militares. Foi necessário desenvolver um amplo trabalho de resistência, de denúncia da ação pelega, de enfrentamento da repressão e de organização de base clandestina para que, com o tempo, fôssemos acumulando forças, visando derrotar a ditadura e o peleguismo e restaurar os sindicatos de lutas. Essas resistências, denúncias e a organização de base deram resultados a partir do ano de 1978, com a eclosão da greve da Scânia que, tendo se alastrado por centenas de fábricas do ABC e de São Paulo, inaugurou uma nova etapa de lutas e conquistas para os trabalhadores. Aos poucos, principalmente pela ação das Oposições Sindicais, os pelegos foram sendo enxotados dos principais sindicatos brasileiros e o sindicalismo assistencialista sendo substituído pelo sindicalismo combativo. Foi desses movimentos que surgiu a CUT, a central sindical construída de baixo para cima, democrática e classista. Assim, a década de 80 e parte da década de 90 se tornaram anos gloriosos para o movimento sindical brasileiro, que passou a ser referência para os demais sindicatos da América Latina. Passados poucos mais de 20 anos dessa retomada, somos surpreendidos por um novo movimento que visa restaurar o assistencialismo nos nossos sindicatos e, o que é pior, coopera com a brutal exploração capitalista que vai ganhando espaço no Brasil. Não esqueçamos que a Previdência privada é uma das exigências do Consenso de Washington para a implantação do Estado mínimo nos países da América Latina, repassando toda a poupança pública para o capital. FHC já havia iniciado o processo de privatização da Previdência social. Lula deu um passo além introduzindo-a na Constituição brasileira com o aval do setor majoritário da CUT nacional, uma total afronta à sua base sindical que a ela se opôs veementemente. A CUT dá um passo a mais ao implantar o CUT-Prev, consolidando a privatização da Previdência e dando uma guinada ultrapelega, superando até o peleguismo do famigerado “Joaquinzão”. Vejam o que diz Gilmar Carneiro, coordenador do grupo responsável pela criação do CUT-Prev. “A idéia é criar uma entidade própria que, inicialmente, terá parceria com os três maiores fundos de pensão do país; o Previ (Banco do Brasil), o Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica Federal). A gestão do nosso fundo seria feita em parceria com eles”, (Folha de S. Paulo, idem) Quais as razões que levam as centrais sindicais a querer implantar os “seus” fundos de pensão? São basicamente duas: dinheiro, muito dinheiro, e poder. Os fundos de pensão que já existem administraram no ano de 2004 a “bagatela” de 280 bilhões de reais, equivalentes a 16% do PIB (Produto Interno Bruto). Como já alertamos em artigos contra o projeto da reforma sindical defendido pelas centrais, o que elas pretendem é ter muito dinheiro do trabalhador em suas mãos para poder impor aos próprios trabalhadores seus acordos espúrios com os empresários, como já vem acontecendo. Se considerarmos que com os 10% das arrecadações da taxa assistencial de todos os trabalhadores e dos sindicatos a elas filiados, por ocasião dos acordos anuais, as centrais terão seu orçamento quadruplicado, já que está previsto que essa taxa possa chegar a 1% do ganho anual (13% de um salário mensal) de cada assalariado. Somados com o que podem lucrar com seus fundos de pensão, veremos que as razões são significativas. Dinheiro e poder de barganha concentrados = peleguismo de alta categoria. CUT: quem te viu, quem te vê! |
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