Contra o Neoliberalismo e a Corrupção!
Frente de Esquerda Socialista
PALAVRA CRUZADA - 15/06

Pela mudança da política econômica, em defesa dos direitos sociais e da soberania nacional.

O país vive uma crise muito grave, com a ofensiva da burguesia, facilitada pela política de alianças do governo Lula e por sua opção pela continuidade do modelo econômico!

Lula foi eleito pelo voto de mais de 53 milhões de brasileiros e brasileiras para mudar o modelo econômico, criar empregos, valorizar os serviços públicos, fazer a reforma agrária etc.; dá continuidade à mesma política praticada por FHC, que levou o país à maior submissão ao grande capital internacional. Impõe superávits recordes (no último levantamento, o superávit chega a mais de 7,5% do PIB (Produto Interno Bruto)) para pagar os agiotas internacionais, enquanto o país não tem dinheiro para cumprir as obrigações básicas com seu povo, ou seja, educação, saúde, moradia, etc.
Este mesmo modelo tem levado países da América Latina a se levantarem em revoltas populares, como são os casos do Equador e da Bolívia recentemente. Os EUA continuam seus ataques criminosos contra o Iraque, suas sucessivas tentativas de golpes contra Hugo Chávez e suas tentativas de estrangular Cuba.

O Brasil, até mesmo no cenário internacional, numa tentativa frustrada de assegurar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, cumpre o triste papel de enviar tropas ao Haiti, ao invés de enviar ajuda humanitária e respeitar a soberania daquele país e a autodeterminação do seu povo.
Reafirmamos, portanto, aos povos em luta em todo o mundo, em especial no nosso continente, a nossa solidariedade internacional.

Sobre as Denúncias de Corrupção.
EXIGIMOS UMA RUPTURA COM A BURGUESIA E SEUS MÉTODOS

Não faremos pré-julgamentos a quem quer que seja, no entanto, não aceitamos que após 500 anos de saque e dominação do nosso país e, mais recentemente, duas décadas de desgoverno, privatizações e corrupções praticadas pelos governos Collor e FHC, práticas de distribuição de cargos públicos e de compra de votos de parlamentares corruptos para votar medidas e reformas contra o povo, continuem a ser uma possibilidade real, conforme denúncias de corrupção para favorecer partidos. Inadmissível, também, que relações entre parlamentares e o governo federal, possam chegar a espetáculos deploráveis, com acusações gravíssimas, como as do chefe da tropa de choque do Collor, Roberto Jéfferson, hoje aliado de primeira linha do governo Lula, amplamente divulgadas nos meios de comunicação e transmitidas para todo o país, em seu depoimento na Comissão de Ética da Câmara – onde o citado deputado denunciava um suposto esquema de “mensalão” (30 mil reais mensais para parlamentares da base aliada (PP e PL) atribuído a dirigentes do PT).

O PSDB e o PFL, que não têm nenhuma autoridade moral ou política, portam-se como se fossem os arautos da moralidade pública, esquecendo-se de que estavam no centro das manobras da compra de votos para a reeleição do ex-presidente FHC, do escândalo Sivam, do Proer, das privatizações e de muitos outros. Não têm a menor autoridade para falar em lisura no trato da coisa pública.

No entanto, não nos calaremos, exigimos que todas as denúncias sejam rigorosamente investigadas por todos os meios possíveis: Ministério Público, Polícia Federal e Comissão Parlamentar de Inquérito. Organizaremos o debate e a mobilização junto aos sindicatos e entidades da sociedade civil, não só para que tudo seja apurado e os culpados sejam punidos, como pela mudança da política econômica, em defesa dos direitos trabalhistas e sociais, dos serviços públicos e da soberania nacional.

Entendemos que as denúncias de corrupção em curso são conseqüência da opção consciente do governo Lula, em fazer aliança com setores corruptos da burguesia nacional, para implementar as políticas neoliberais, abandonando, inclusive, seus aliados históricos: os movimentos e setores sociais do campo popular e democrático.

Lula neste momento governa de costas para o povo e em favor dos bancos, dos especuladores, do grande capital financeiro e do FMI.
As provas mais cabais dessa postura são os cortes no orçamento/2005, relativos aos investimentos sociais, a negativa do Governo não só em cumprir os acordos firmados com o funcionalismo público na greve do ano passado, mas em não negociar com parte deste setor em greve há quase 20 dias. Demonstração dessa política é, também, o não-cumprimento das metas de reforma agrária e o caos nas políticas públicas de saúde, educação, com aumento do desemprego e o crescimento da violência.

MOBILIZAR CONTRA O NEOLIBERALISMO E EXIGIR
REFORMAS POPULARES

Defendemos neste momento a constituição de um amplo movimento, uma frente antineoliberal, que recoloque a luta de classes no centro das mobilizações, que resgate a importância da luta e busque a construção de um programa de reformas populares que atendam as reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras. Um movimento que sirva como instrumento de unificação dos setores do movimento sindical, estudantil, popular; que de um lado não se confunda com as tentativas de golpe da direita (PSDB e PFL) ou de agentes externos, como os EUA, que cumprem um nefasto papel em nosso continente, nem por outro lado com o governismo cego, que capitulou à política econômica neoliberal do governo Lula. Um movimento que busque dialogar com as organizações sociais e que busque resgatar as bandeiras históricas da esquerda socialista, construídas ao longo destes mais de 20 anos, como o movimento pela ética na política, o fim da corrupção e da impunidade, o controle social e políticas públicas universalizantes, a defesa da soberania nacional, dentre outras. Um movimento que exija mudanças no modelo econômico, que defenda a ruptura com a ALCA e com as imposições do FMI e com esse criminoso superávit fiscal, ao mesmo tempo em que amplie suas ações de solidariedade às greves em curso, exigindo imediata abertura de negociação.


Um movimento de defesa das empresas estatais contra a tentativa de privatização, a começar pelos Correios e pela Petrobrás.

No interior do movimento, defendemos ainda:

  • Todo apoio às greves, lutas e mobilizações em curso!
  • Repúdio às decisões da Justiça contrárias à luta dos/das trabalhadores/trabalhadoras e em defesa do irrestrito direito de greve!
  • Pelo fim da política de superávit primário e por investimentos em políticas públicas!
  • Rompimento com a política de submissão ao FMI, de juros escorchantes e superávit primário!
  • Por salário digno, emprego e terra!
  • Fim da impunidade! Pela apuração e punição exemplar de todos os corruptos e corruptores!
  • Por uma reforma política democrática! Contra a cláusula de barreira, que impede a livre organização dos partidos. Por uma reforma que incorpore os plebiscitos e referundum populares.

S. Paulo, 15 de junho de 2005.

Bernadete Meneses
Francisvaldo Mendes
Jorge Luis Martins
Lujan Miranda

<<< voltar >>>
Hosted by www.Geocities.ws

1