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| Manifesto aos Sindicalistas de Esquerda |
| PALAVRA CRUZADA - 13/05 |
A eleição de Lula foi fruto do acúmulo de luta e organização da classe trabalhadora no Brasil, no entanto seu governo confronta-se com os interesses da mesma classe que o elegeu. Desde quando o Governo atual tomou posse, a CUT tem sido desviada da tarefa de defesa intransigente dos interesses da classe trabalhadora e tem enveredado pela lógica do consenso com patrões e governos. Esta lógica tem imposto um engessamento à organização da classe condenando os trabalhadores à ditadura do capital. Repudiamos o sindicalismo governista. A ação sindical deve ser determinada pela busca constante pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores, a abertura de espaços independentes de organização, a elevação da consciência da classe e os princípios de luta socialista para derrotar de vez com a opressão do capital. Nós não cederemos aos pactos. Todas os pactos trazem prejuízo para os que vivem do trabalho, principalmente em períodos de intensa exploração do Capital. As forças populares acumularam um conjunto de ações internacionais e nacionais contra o neoliberalismo, mas não alteramos a correlação de forças. Nesse período de profunda crise do capital, os remédios clássicos estão sendo usados pelos burgueses: guerra, redução dos direitos sociais e trabalhistas, arrocho salarial, retrocessos democráticos. Esses têm sido os objetivos das contra-reformas neoliberais implementas por FHC e Lula: as administrativa e previdenciária de 1998; a Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000; a previdenciária de 2003 e a universitária, sindical e trabalhista de 2004/2005. Não há saída para a classe a não ser rejeitar, na luta, o conjunto das medidas neoliberais e se manter unida na defesa dos direitos sociais e trabalhistas. Esse é o período de luta contra o neoliberalismo e, como conseqüência, contra todos os governos que dêem sustentação a esse projeto. A Esquerda da CUT atuará no confronto a qualquer ação, de qualquer governo ou patrão, que tenha como objetivo retirar direitos sociais ou trabalhistas. Seremos intransigentes na defesa dos mesmos e convocamos todos os trabalhadores e tendências socialistas a se juntarem na mesma empreitada, reforçando nosso combate na CUT e na luta de classes em geral. Nossa ação será pautada pelos princípios fundadores da CUT independência de classe, luta pelo socialismo, unidade dos trabalhares da cidade e do campo. O setor majoritário – Articulação, CSC e CSD – aplicou um golpe contra a classe trabalhadora, aprovando uma resolução que propõe emendas a PEC 369. A resolução propõe a manutenção da atual estrutura dos sindicatos, abrindo mão de um dos princípios históricos da CUT. A resolução também nega as decisões das varias plenárias estaduais e de centenas de sindicatos que não só votaram contra a PEC 369 como já estão em luta contra essa reforma. Tal ação serviu para que o setor governista na central continue atuando para aprovar a reforma sindical e trabalhista do Governo Lula, no entanto não fechou a crise estabelecida dentro da CUT. A Esquerda da CUT, portanto, sai da 11ª Plenária da CUT convencida da necessidade da unidade para lutar contra as reformas neoliberais do governo. Convocamos todos que se orientem pelos pontos aqui colocados a se somarem numa luta sem tréguas com o conjunto do movimento sindical. É necessário que se organize encontros, reuniões, seminários nos estados para organizar nos locais de trabalho e nas ruas grandes mobilizações para derrotar essa reforma. Fruto de todas essas ações realizaremos ainda em 2005 um grande Encontro Nacional. Fazemos um chamado a centenas de sindicatos cutistas que não abandonaram o compromisso com sua classe a junto conosco dizerem que NÃO EM NOSSO NOME A ESSA REFORMA DOS PELEGOS E DOS PATRÕES. . Vamos, na luta, derrotar as contra-reformas neoliberais de Lula e constituir uma vigorosa unidade, com a diversidade socialista e libertária que foi forjada na luta de classes no Brasil. Contra a PEC 369! Pela liberdade e autonomia sindical! São Paulo, 13 de maio de 2005. Assinam esse Manifesto:
Jorge Luiz Martins – executiva nacional da CUT |
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