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| Porque somos favoráveis à CPI dos Correios |
| Plínio de Arruda Sampaio* |
| PALAVRA CRUZADA - 31/05 |
| A Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios pode se tornar um divisor de águas no governo Lula. Por isso somos favoráveis a ela. Houve uma intensa disputa, no Congresso Nacional, na semana passada, em torno de sua instalação. Os mais diversos interesses se cruzam nesse embate. De um lado, temos a oposição conservadora – um conluio que abriga desde apoiadores da extinta ditadura militar, até os mais notórios representantes do governo financista e desnacionalizante de FHC. De outro, tentando impedir a Comissão, há setores do governo e do Partido dos Trabalhadores. Os primeiros não têm a menor autoridade para exigir a moralidade da coisa pública. Notabilizaram-se por abafar investigações durante oito anos, desde o escândalo do Sivam, até as denúncias de compra de votos para garantir a reeleição de seu líder. A imprensa chegou a divulgar que a vontade de cada parlamentar era negociada por até R$ 200 mil. Os segundos perdem-se na tentativa de evitar uma investigação mais profunda não em seu chamado patrimônio ético, mas nas catacumbas da organização de um estado patrimonialista e fisiológico. O que está em jogo? Um pequeno vivaldino foi pego com a boca na botija se lambuzando no recebimento de uma possível propina de três mil reais. Tudo acabaria aí, não fosse o elemento ter sido indicado por dirigentes de um dos partidos da base governista, conhecido por suas práticas heterodoxas no trato da coisa pública. Temeroso em perder o apoio daquela agremiação no Congresso, o governo federal apressou-se em externar solidariedade ao chefe do partido e em buscar turvar as investigações. De outra parte, ansiosos por escândalos que lhes rendam frutos eleitorais, PFL e PSDB brandem o espectro do quanto pior melhor na tentativa de desestabilizar o governo. É preciso que se diga com todas as letras: a questão deve ser investigada! Temos certeza que o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores nada têm a temer com um exame criterioso nessa área. O que está em jogo, de fato, é outra coisa. É o fato do governo Lula, eleito com 56 milhões de votos de brasileiros que optaram pela mudança, ter de fechar acordos para ter como base de apoio partidos fisiológicos e conservadores, contra os quais o PT sempre se insurgiu. E a causa de tal comportamento é uma só: por ter optado, desde seu início, em manter a política econômica de seu antecessor, subordinada ao capital financeiro, a exigir crescentes cortes orçamentários para financiar a especulação e o pagamento de juros. Política que concentra renda, pauperiza nosso povo e torna o próprio governo refém de seus adversários. Para levá-la adiante, a administração federal precisa contar com aqueles que sempre apoiaram tais práticas em gestões anteriores. Ou seja, essa política necessita de barganhas e negociações pouco claras no Parlamento. Em segundo lugar, deve ficar claro que o verdadeiro escândalo de malversação de recursos públicos não está nos Correios, mas no Banco Central. Somente a escalada de juros altos, iniciada em agosto de 2004, resulta numa sangria de mais de R$ 9 bilhões nos cofres públicos. Aí mora a gastança e a falta de ética! Sem mudar essa política, o governo Lula continuará a se enredar numa teia de pequenos e grandes interesses e não corresponderá ao voto depositado nas urnas em 2002. Para mudar essa política, o governo deve fazer um chamamento à nação, aos setores organizados da sociedade, a começar pelos próprios partidos de esquerda, passando pelas entidades democráticas – CUT, MST, UNE, associações religiosas, intelectuais etc. É na mobilização social que encontrará apoio ao seu programa de transformações sociais e a uma governabilidade de novo tipo. A CPI dos Correios pode ser a chance de exibir o comportamento de falsos aliados, arejar a base parlamentar e ser o ponto de apoio para uma sólida mudança de rumos, tanto na economia, quanto na política de alianças. Ameaçar com punições, ou até mesmo expulsão, os dignos parlamentares petistas que, coerentes com nossa história, querem levar essa investigação adiante constitui-se em atitude das mais condenáveis. Apoiamos e somos solidários aos 15 parlamentares de nosso partido que não cederam às pressões e mantiveram suas assinaturas no requerimento da CPI. Puní-los equivale a punir uma parte significativa da militância do PT. * Candidato da Esquerda Pestista a Presidente Nacional do PT |
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