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| Sobre o Exemplo Britânico, ou Sobre como as Idéias Socialistas Merecem RESPEITO |
| Alexandre Costa |
| PALAVRA CRUZADA - 07/05 |
| A sigla é estranha, temos de admitir. Não consigo imaginar um Partido ou uma Coalizão, no Brasil, denominada “Respeito, Igualdade, Socialismo, Paz, Ambiente, Comunidade e Sindicalismo” (RISPACS ?). No idioma de Shakespeare faz mais sentido... Nestes tempos estranhos, em que “trabalhistas” são a favor da guerra imperialista, em que “comunistas” apóiam planos privatizantes, e em que até pretensos “quadri-internacionalistas” compõem governos social-liberais, talvez possamos começar oferecendo aos ideais socialistas e revolucionários, um pouco de respeito, ou... RESPECT (“Respect, Equality, Socialism, Peace, Environment, Community and Trade-Unionism”). RESPECT é o nome de uma coalizão de esquerda britânica, lançada no ano passado. Sua plataforma é profundamente progressista, abordando questões fundamentais como o fim da ocupação no Iraque e o apoio à Palestina, o fim da política privatista e a revisão das privatizações das estradas de ferro e outros serviços públicos, educação e saúde gratuitas em todos os níveis, aumento do salário mínimo, impostos sobre os ricos, fim das leis anti-sindicais aproadas pelos Tories (conservadores) nos tempos de Margareth Tatcher e mantidas por Tony Blair, a oposição a todas as formas de preconceito (envolvendo desde as questões de gênero e sexualidade até as de etnia, muito importantes face ao peso importante das minorias originárias da Índia, Paquistão, Bangladesh, etc.), a defesa do ambiente contra os ataques dos Estados e das corporações capitalistas, o perdão da dívida do Terceiro Mundo, etc. Ela é composta por setores dissidentes do Partido Trabalhista (que foram expulsos ou deixaram o Partido em virtude das acirradas divergências acerca da Guerra do Iraque), militantes sindicalistas, representantes islâmicos e pelo Partido Socialista dos Trabalhadores, dentre outros grupos socialistas revolucionários. O sistema eleitoral britânico é restritivo e aqueles que formaram a coalizão sabiam do tamanho do desafio que iriam enfrentar. Há imposições severas sobre financiamento de campanha, o que, combinado ao voto distrital, leva à ausência de representação das minorias políticas. Em 1945, o Partido Comunista havia eleito dois representantes para o parlamento. Desde então, não se tinha notícia de nenhum parlamentar eleito com uma plataforma à esquerda dos Trabalhistas... Foi assim até a semana passada, quando, no distrito de Bethnal Green and Bow, George Galloway, expulso do Partido Trabalhista e candidato pela RESPECT, derrotou numa disputa acirrada o seu ex-partido (RESPECT recebeu 38,9% dos votos contra 36,9% dos Trabalhistas e 15,3% dos Tories). Isto assegurou à coalizão de esquerda um representante no parlamento. Claro que o que mais repercutiu na imprensa foi, de um lado, a reeleição de Blair - ou B-liar (mentiroso) – como foi “carinhosamente” apelidado o primeiro-ministro e, do outro, o crescimento na votação dos Liberal-Democratas, que se travestiram de anti-guerra. Mas a eleição de Galloway não foi um fato isolado. Em vários outros distritos, RESPECT também conseguiu uma votação significativa (27,5% em Birmingham Sparkbrook and Small Heath, com Salma Yaqoob; 20,7% em East Ham, com Abdul Khaliq Mian, 19,5% em West Ham, com Lindsey German, e 16,8% em Poplar and Canning Town, com Oliur Rahman) No Brasil, muitos dos que advogam as idéias do Socialismo e uma profunda e revolucionária transformação social precisam dar um pequeno passo adiante para criar condições de reacender essa chama em nosso País. E este passo é descolar-se do social-liberalismo; é romper com a disciplina por ele imposta; é perceber que o apoio ao Governo Lula ou o medo, a prostração e o recuo diante de suas medidas só os torna cúmplices do misto de vilania e covardia por ele praticada, prestando serviços inestimáveis ao grande capital especulativo internacional. No fundo, realizar esse rompimento político virou até uma questão de dar-se ao RESPEITO. |
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