A violência de gênero contra dominicanas
PALAVRA CRUZADA - 06/05

A agressão física contra as mulheres dominicanas dentro de suas próprias casas depende do lugar onde reside no país, do grau de escolaridade, religião, trabalho, níveis de informação, idade e estado conjugal. Mas, o mais preocupante é o incremento do número e tipo de violência cometida contra as mulheres. O estudo "Violência Conjugal na República Dominicana", da Associação Dominicana Pró Bem-Estar da Família (Profamilia), revela ainda que aumentaram a violência contra as filhas, mais que os filhos, e os suicídios dos homens assassinos de suas companheiras.

O estudo do Profamilia considera 14 características, analisadas de forma conjunta, que põe de manifesto que o risco de que uma mulher seja maltratada por seu cônjuge ou ex-cônjuge é multi-casual. O fato de uma mulher ser agredida fisicamente depende de 11 desses fatores, enquanto que a agressão emocional também é função de 11 características. Além das características da mulher, são levadas em conta atributos do companheiro ou ex-companheiro, como grupo ocupacional, escolaridade, idade e efeito na relação do consumo de álcool.

As mulheres mais propensas a converter-se em vítimas de maus tratos físicos são as residentes nas regiões do Distrito Nacional (Distrito Nacional e Província de Santo Domingo), Nordeste e Enriquillo, seguidas por aquelas com residência no contexto regional norte-central, leste, El Valle e Cibao Central. Elas vivem nas cidades; são, geralmente, trabalhadoras em serviços, trabalhadoras manuais e trabalhadoras em serviços domésticos; têm menos de 12 anos de estudo; são menos informadas; pertencentes a religiões diferentes da Católica; adultas jovens (20-34 anos); separadas e divorciadas, seguidas pela unidas consensualmente; e as esposas ou ex-esposas de trabalhadores do comércio e trabalhadores manuais, de homens com menos de seis anos de estudo e de consumidores de álcool.

O Profamilia justifica a elaboração do estudo, afirmando que a produção de conhecimento no intuito de reverter os níveis de violência perpetrados pelo homem contra a sua companheira e, portanto, liberar as mulheres, a família e a sociedade das conseqüências deste problema, implica, necessariamente, em superar estas limitações. "Apenas, através do conhecimento cabal da realidade, será possível desenhar os mecanismos e encontrar as ferramentas requeridas para mudá-la".

Números

Informações provenientes da Pesquisa ENDESA-2002, ainda com algumas limitações que possa ter referentes à omissão, ressalta o Profamilia, põem em evidência a gravidade do problema. Tem sido constatado que 24% da geração de mulheres com idades entre 15 e 49 anos foi vítima de agressões físicas depois de ter completado 15 anos. Esse risco de agressão pode alcançar valores de até 40% no caso das mulheres separadas ou divorciadas e 33% entre as trabalhadoras do serviço doméstico. Estas agressões provêm, basicamente, do marido ou ex-marido (63%) e, em menor medida, da mãe (14%), do pai (10%) e de outro parente (9%).

Quando se alude, de forma particular, à violência perpetrada pelo marido ou ex-marido, se verifica que 22% de quem tem o teve marido foram maltratadas fisicamente por seu companheiro, número que alcança um terço das trabalhadoras domésticas e das mulheres que terminaram a união conjugal e, agora, estão separadas ou divorciadas.

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