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| Comentários a "Porto Alegre resistirá?" |
| João Machado |
| PALAVRA CRUZADA - 13/04 |
| A análise de Marco Aurélio Weissheimer, da Agência Carta Maior, é uma boa contribuição para a compreensão das dificuldades que a esquerda gaúcha tem vivido desde o início do governo Lula. As hipóteses de Rigotto vice de Lula, comentada por M.A. Weissheimer, e a de apoio do PT à recandidatura de Rigotto, muito presente nas especulações da imprensa, dão bem a medida da humilhação que o “campo majoritário” do PT nacional pode vir a impor à esquerda gaúcha. Neste quadro, o risco de esta esquerda deixar de representar a referência internacional que tem sido até agora é bem real. Vale a pena notar, no entanto, que M.A. Weissheimer não apontou um dos principais problemas da esquerda gaúcha do PT: a tendência à suavização das críticas ao governo Lula. Ou seja, o curso de adaptação aos rumos deste governo que tem dominado as maiorias das direções tanto da Democracia Socialista quanto da Articulação de Esquerda — as duas principais correntes da esquerda do PT no estado (e no Brasil). De fato, esta tendência de adaptação aos rumos do governo Lula é a conseqüência mais ou menos inevitável da falta de coragem de assumir a necessidade de romper com ele e, a partir daí, de encarar a necessidade de uma recomposição da esquerda brasileira. Esta recomposição (para a qual o lançamento do P-SOL deu um impulso inicial) terá de se dar fora do PT, já que o PT se tornou uma correia de transmissão acrítica das posições do governo Lula, e já que é impossível libertar este partido do controle que sofre nas mãos do “campo majoritário”. A reconstrução da esquerda brasileira fora do governo Lula e do PT não é um processo fácil (especialmente para uma esquerda que se acostumou a ter um grande peso institucional). Quem não se dispõe a enfrentá-lo fica tentado a pensar que, afinal, ainda que social-liberal, o governo Lula não é tão ruim assim... Daí à negação do óbvio (o caráter social-liberal do governo Lula) vai apenas um pequeno passo. A esquerda gaúcha corre, de fato, o risco de ser destruída pelo governo Lula. Daí que o debate nas suas fileiras e a insatisfação com a orientação das maiorias das suas direções venham crescendo muito. Afinal, mudar esta orientação é uma questão de sobrevivência. |
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