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| Carta do companheiro João Alfredo ao GTn e a Coordenação Nacional da DS* |
| João Alfredo |
| PALAVRA CRUZADA - 12/04 |
| Brasília, 5 de abril de 2005 Aos (às) Companheiros (as) da Coordenação e do GTN da Democracia Socialista (DS) – Tendência Interna do PT. Surpreendido que fui com algumas informações e afirmações veiculadas pela convocatória da Coordenação Nacional do GTN para o seminário com a bancada federal da DS, onde se critica, no conjunto, os parlamentares que assinaram e participaram do seminário realizado em São Paulo, no último dia 20 de março, venho prestar os seguintes esclarecimentos: Não é verdade, ao contrário do que afirma a convocatória, que eu tenha retirado a pré-candidatura, pela DS, à Presidência Nacional do Partido. Sobre isso é importante dar conhecimento aos (às) companheiros (as) da DS dos seguintes fatos: 1. O meu nome, como provável pré-candidato à Presidência Nacional do PT surgiu, simultaneamente, em debates, inicialmente informais, na DS/Ceará e na bancada de esquerda partidária petista na Câmara dos Deputados; 2. A justificativa de apresentação do meu nome se deu a partir de três pontos: ser militante da maior corrente da esquerda petista (a DS); pertencer ao bloco de parlamentares de esquerda petista, que tem enfrentado as propostas do governo federal que se chocam com o programa histórico de nosso partido e o fato de representar a vitória de Fortaleza, onde a afirmação da democracia interna, de uma candidatura do campo da esquerda socialista veio a se confrontar com a força do planalto e da cúpula partidária; 3. Os (as) companheiros (as) do Ceará, aproveitando a presença do companheiro Raul Pont em Fortaleza, no início do ano, discutiram com ele a nossa candidatura, ocasião em que Raul afirmou que não viria a ser candidato; 4. Posteriormente, eu mesmo contatei por telefone com Raul, ocasião em que disse a ele que se ele viesse a ser candidato o apoiaria, mas mesmo assim ele, mais uma vez, afirmou que não disputaria o PED; 5. Abra-se, aqui, parênteses para dizer que até o presente momento não recebi nenhuma comunicação do próprio Raul de que seria realmente candidato (corrobora com isso a falta de uma afirmação clara da corrente em favor de sua candidatura: basta que se veja a redação da resolução aprovada pela CN da DS): 6. Assim é que os que defendem a nossa candidatura de sentiram à vontade para continuar trabalhando o nosso nome (já que Raul afirmara, repito, que não seria candidato) e pessoalmente tive o cuidado, antes da última reunião da Coordenação da DS, de me colocar perante o companheiro Joaquim Soriano, que , no entanto, descartou qualquer apoio ao nosso pleito; dado que o documento apresentado pelo GTN não citava sequer o meu nome e o clima de tensão (e de quase interdição do debate) na noite do primeiro dia, resolvi, então, não participar do segundo dia de reunião da coordenação. 7. Portanto, não é verdadeira a afirmação de que eu havia retirado meu pleito e apoiado a indicação de Raul Pont (apesar de considerá-lo um dos mais importantes quadros da DS e da esquerda partidária), até por não me encontrar presente à reunião e me sentir obrigado a rediscutir a questão com os (as) companheiros (as) da DS do meu Estado, que continuam a defender a indicação de nosso nome para o PED (aprovado, inclusive, na última conferência estadual da DS-Ceará); 8. É verdade que o meu nome, junto como o do companheiro Plínio de Arruda Sampaio – um dos nomes mais respeitáveis de nosso partido-, foi lembrado no seminário, mas, quando perguntado, sempre tenho me colocado como uma opção a mais para a construção da unidade de esquerda, de uma esquerda que faça uma disputa real dos rumos do nosso partido; 9. É preciso ainda lembrar que, no mesmo seminário, foram colocados também como opções para a esquerda os nomes dos companheiros Raul Pont e Walter Pomar. Quanto às críticas constantes ao Seminário do dia 20 (convocado pelos 28 parlamentares da DS, da AE e da APS, dentre outros) e ao lançamento do Bloco de Esquerda, entendo que elas decorrem dos equívocos da política implementada pelo GTN de nossa corrente, que efetivamente, com algumas exceções, não tem cumprido as resoluções da última conferência nacional, no que concerne às disputas de rumos no partido e no governo, bastando lembrar a pressão para que os (as) parlamentares da DS votassem a favor da Reforma da Previdência e do salário mínimo de menor valor (apesar de uma decisão da própria corrente de ser contra o salário mínimo proposto pelo governo); Aliás, a forma com que os companheiros do GTN se relacionam com os parlamentares da corrente não é , boa parte das vezes, pautada pelo diálogo e a construção unitária de posições, mas quase sempre de imposição da visão que orienta sua atuação, volto a dizer, recuada no que concerne à disputa interna; Quanto ao bloco de esquerda (BE) da bancada petista lançado no Seminário, é preciso que se esclareça, ainda, que: 1. Não é verdade que não tenha havido discussão prévia: praticamente todos os Deputados da DS (e da APS e de representantes de outros grupos e/ou independentes) fizemos esse debate, até pela necessidade desse grupo mais amplo se organizar de uma forma mais consistente na bancada petista e na relação com os movimentos sociais com os quais dialogamos em nossa ação parlamentar; 2. Tampouco é de se aceitar a afirmação de que não há “projeto partidário” no bloco: à simples leitura do “Compromisso Militante”, manifesto do Bloco de Esquerda, verifica-se que se trata, essencialmente, de um documento petista, que procura resgatar nossas bandeiras históricas e aponta, sim, para a verdadeira disputa de rumos do partido e do governo; Por isso tudo é que peço que se divulgue, não só o conteúdo dessa carta, para o conjunto da militância da DS, mas também a minha preocupação de que o seminário com a bancada possa vir a ser, com a utilização de métodos que condenamos, em uma espécie “enquadramento” de “rebeldes” que não seguem a linha do GTN. Saudações Democráticas e Socialistas, João Alfredo Telles Melo Dep. Federal PT/Ceará * Carta publicada na Circular da Coordenação Nacional da DS nº 4, 12/04/2005. |
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