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| Sobre a carta do Secretariado do Birô da IV Internacional para a Coordenação nacional da DS |
| João Machado |
| PALAVRA CRUZADA - 20/3 |
| A carta de 17/03/2005, enviada pelo Secretariado do Birô da IV Internacional à direção da DS, responde à “Resolução da Coordenação Nacional da Democracia Socialista — Tendência interna do Partido dos Trabalhadores”, de 24/02/2005. De fato, a própria votação pelo Comitê Internacional (a instância de direção internacional da IV Internacional — o Birô, e o seu Secretariado, são seus órgãos executivos) da “Resolução sobre a situação brasileira”, em 27/02/2005, e da “Moção” de 01/03/2005 sobre a situação brasileira, já haviam sido uma primeira resposta aos argumentos da “Resolução da Coordenação Nacional da DS”. Faltava, no entanto, uma resposta direta a esta resolução, lacuna agora suprida pela carta de 17/03/2005. A carta reafirma, mais uma vez, o tema central da divergência entre a direção da IV Internacional e a maioria da direção da sua seção brasileira: a participação no governo Lula. Não há propriamente nenhuma novidade na argumentação neste aspecto: a afirmação de que a participação em um governo social-liberal é um erro profundo — e não é uma questão de ordem tática, não é um erro qualquer — já estava na Resolução votada pelo CI. Já estava, também, na carta dos companheiros Francisco Louçã, Daniel Bensaid e Michael Louçã aos militantes da DS, de janeiro de 2005, que serviu de base para a Resolução do CI. O objetivo da carta do Secretariado do Birô da IV Internacional é responder ao argumento de que a divulgação da carta dos três companheiros aos militantes da DS, bem como o envio de uma proposta de resolução para ser debatida no CI (depois aprovada como resolução) teriam caracterizado um profundo erro de método e um desrespeito à DS (temas que não haviam sido tratados na Resolução do CI). Além disso, a carta do Secretariado do Birô da IV Internacional insiste na questão central: a realização, pelo conjunto dos militantes da DS, desta discussão. Propõe o envio de uma delegação da IV Internacional à Conferência da DS, prevista para fins de abril, para prosseguir esta discussão. Se a maioria da direção da DS aceitar esta proposta, será um passo muito positivo. Afinal, até agora, o debate dos argumentos contrários à participação no governo Lula tem sido cuidadosamente evitado. A própria pauta da Conferência Nacional (1. a luta pela superação do neoliberalismo: América Latina e Brasil; 2. o Governo Lula; 3. a disputa no PT; 4. a construção da DS) não inclui explicitamente este tema (já que o item “o Governo Lula” pode significar muitas coisas), enquanto o anteprojeto de Resolução aprovado pela maioria da direção da DS para a Conferência já parte do pressuposto de que a participação da DS no governo Lula deve prosseguir. De fato, o que está em jogo é: os militantes da DS terão reconhecido pela maioria da sua direção o direito de debater se a participação de socialistas em um governo social-liberal como o de Lula é correta? Os militantes que têm posição contrária a esta participação poderão se expressar? O conjunto dos militantes terá o direito de ouvir todos os argumentos a respeito? É evidente que, sem isso, a Conferência da DS não terá nenhuma legitimidade. Aliás, como a primeira medida de preparação da conferência, tomada pela maioria da direção, foi a decisão de que os militantes da DS que estão no P-SOL não poderão participar, esta legitimidade já está gravemente comprometida — provavelmente de modo irreversível. |