Seminário marca a luta por mudanças já!
Jorge Almeida
PALAVRA CRUZADA - 20/3

Um sentimento sobre a gravidade e a urgência dos problemas do país, bem como a consciência clara de que é preciso uma mudança imediata na política econômica, foi o que predominou no Seminário de avaliação de dois anos do governo Lula, 25 anos do PT e rumos da esquerda, realizado em São Paulo, neste domingo.

O Seminário foi um sucesso e demonstrou que existe uma forte disposição de luta no interior do PT. Convocado por deputados federais petistas e pelo Jornal Correio da Cidadania, o evento reuniu em torno de mil militantes, entre eles, deputados federais e estaduais, prefeitos, dezenas de vereadores, dirigentes sindicais e representantes de vários movimentos sociais.

O deputado Ivan Valente abriu o seminário destacando a importância da reunião de inúmeros lutadores sociais, companheiras e companheiros de primeira linha na construção do partido, e que a atividade teve o objetivo claro de aprofundar o debate, buscando alternativas à política econômica em curso. Reafirmou ainda que o maior patrimônio petista, aquele do qual não podemos abrir mão, são os seus próprios militantes que hoje estão na defensiva em função das opções feitas pelo governo e pelo partido.

Nas mesas de debate Emir Sader, Paulo Nogueira Batista Jr. e Fábio Konder Comparato fizeram uma análise muito rica sobre os dois anos de governo, as conseqüências das escolhas feitas e a necessidade de unificar os lutadores numa frente anti-neoliberal que pressione por mudanças imediatas na política econômica.

João Pedro Stédile, Plínio de Arruda Sampaio e a prefeita de Fortaleza Luizianne Lins falaram logo a seguir sobre os rumos do PT e mudança social. Apontaram os problemas que o partido vem acumulando no último período, a domesticação do discurso, o distanciamento das lutas sociais, a opção pelas eleições a qualquer custo, o mito da governabilidade. Destacaram também a necessidade imediata da esquerda voltar a ter um trabalho consistente e pela base, estimulando e organizando o movimento social debaixo pra cima.

Após as falas dos companheiros, os deputados petistas lançaram oficialmente o chamado Bloco de Esquerda da bancada federal. Este bloco pretende ser uma voz de luta e resistência no parlamento, resgatando as bandeiras históricas do partido e se posicionando contrário a qualquer projeto ou medida que implique em perdas de direitos dos trabalhadores. Além do manifesto do Bloco Parlamentar de Esquerda, foi lançado também um Manifesto dirigido à militância petista.

Este manifesto cobra a necessidade de se retomar a ofensiva política em torno de uma plataforma de mudanças para o governo e para o PT, destaca o documento: “No atual momento o nosso programa deve conter a exigência histórica do presente. A implementação do programa democrático-popular continua sendo a nossa referência. Mas o governo poderia implementar imediatamente medidas que visassem o rompimento com o caminho conservador que vem sendo trilhado. A redução dos juros que permitiria a retomada do crescimento; a redução do superávit primário, a fim de garantir recursos para investimentos em saúde, educação, saneamento; a retomada do papel do Estado; reforma agrária que possibilitasse avançar nas metas de assentados já causariam impacto positivo na nossa base social. Seria um caminho a que se somariam milhares de lutadores do povo na sustentação e avanço das medidas do governo.”

O seminário foi sem dúvida um passo fundamental para organizar a resistência da militância petista, em especial, às vésperas do partido abrir o processo de eleições diretas para as suas direções, e deve se desdobrar em outras ações e atividades que fortaleçam a luta por mudanças já!

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