A surpresa: Bloco crescente
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A Caixa Económica Operária, onde o Bloco de Esquerda acompanha a noite eleitoral, rebentou em palmas quando a RTP, a ser projectada num ecrã gigante, previu um resultado de 25 a 29 por cento para o PSD.

De imediato se ouviu o slogan «O povo não se engana e não votou Santana», mas foi por pouco tempo, porque quando a mesma estação televisiva anunciou que provavelmente o CDS/PP ficará atrás do BE a casa quase «veio abaixo». A palavra de ordem mudou para «Toca a andar, toca a andar, Paulo Portas a marchar».

O primeiro a falar foi Luís Fazenda. Salientou a «significativa alteração do sentido de voto dos portugueses registada nestas eleições e a mobilização do eleitorado, com uma redução substancial da abstenção». E rematou que, perante as projecções feitas pelas televisões às oito da noite, não há dúvidas: «foi plenamente justificada a decisão do Presidente da República de dissolver o Parlamento».

Seguiu-se Ana Drago. Com estes resultados, a dirigente garantiu que «o BE irá continuar a protagonizar no Parlamento, na nova legislatura, uma viragem à esquerda». A candidata por Lisboa não tem dúvidas ao considerar que o seu partido viveu hoje «uma vitória histórica, quase esmagadora» - duplica o número de votos e de deputados. Considerando que a derrota da direita é também uma vitória para o Bloco - fez desse objectivo uma das suas bandeiras de campanha – Ana Drago rematou com um contundente: «Hoje é um dia muito especial: dizemos adeus a Santana Lopes.»

E por fim, last butnottheleast, Francisco Louçã, que fez questão de anunciar já a sua primeira proposta: apresentar nas próximas duas semanas um projecto-lei para convocação de um referendo sobre a despenalização do aborto até Julho de 2004.

Segundo o dirigente bloquista, o projecto será discutido «numa das primeiras sessões do Parlamento» saído das eleições de hoje.

«Seria impensável que um partido que se comprometeu com a alteração da actual lei, como o PS, viesse agora adiá-la, com o argumento inaceitável de que podemos esperar mais dois anos». Se isso vier a acontecer, adiantou, o Bloco optará então por alterar a lei no próprio parlamento, onde «há uma maioria para impedir que haja a continuação de uma situação de atraso única em toda a Europa».

Este foi um dos dois desafios lançados por Louçã ao PS, juntamente com o da concentração de todas as políticas económicas e sociais no combate ao desemprego, exclusão e pobreza. Em todas estas áreas, disse Francisco Louçã , o Bloco apresentará propostas que representam a maioria social do país. Uma maioria social que é, segundo o dirigente, uma das armas de que o BE dispõe para combater os perigos que, na sua opinião, a maioria absoluta acarreta, nomeadamente em termos de conservadorismo e de não resposta aos problemas fundamentais do país.

Questionado sobre o facto de não ter alcançado a sua meta de tornar o BE na terceira força política, Louçã frisou que isso foi conseguido em alguns distritos e noutros ficou pela primeira vez à frente da CDU.

«Nenhum partido subiu tanto em termos relativos e em expressão política quanto o Bloco. Hoje tem mais força, maior confiança do país e compromissos assumidos para as batalhas da esquerda.»

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