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| Troca da dívida argentina deve terminar com aceitação de 70% |
| Agência Carta Maior - 25/2 |
| Iniciada em janeiro, a troca de bônus da dívida da Argentina sob moratória - US$ 81 bilhões - termina às 18h15 desta sexta-feira (25), horário de Buenos Aires, com uma boa notícia para o povo argentino e o governo do presidente Néstor Kirchner. Os números consolidados só devem ser divulgados na próxima semana, mas consultorias e corretoras do mercado estimam um nível de aceitação de 70% dos credores. Alguns falam até em 80%. Na prática, significa que cada detentor de bônus aceitou trocar o corresponde a um dólar por 30 centavos de dólar. Mais do que uma vitória econômica, o apoio dos credores à troca da dívida significa uma conquista política para o presidente Kirchner, que já conta com altos níveis de popularidade no país. Indica também que a moratória da dívida, tão demonizada por defensores da ortodoxia econômica, foi um bom negócio para os argentinos. Pouco mais de três anos após a decretação da moratória, em dezembro de 2001, como forma de superar a crise causada pela dolarização da economia, o PIB argentino cresce a níveis de fazer inveja a qualquer outro país sul-americano – no ano passado, avançou mais de 7%. Em um ato realizado nesta sexta-feira (25) na Casa Rosada, Kirchner se mostrou confiante no sucesso da negociação da dívida. E disse uma frase que já repetiu várias vezes: "será a melhor negociação da dívida da história". Já o ministro da Economia, Roberto Lavagna, afirmou que os bancos privados devem aceitar ofertas de troca de bônus até o último minuto. "Recebemos informações de que alguns bancos locais recusaram ordens de troca sob o argumento de que não teriam tempo para processá-las. Mas eles tem de atender ao público até o último minuto e, se for o caso, processá-las depois da hora", disse Lavagna. Pressão continua A Task Force Argentina (TFA), grupo que defende os investidores italianos em títulos argentinos, prometeu aos credores que não aderiram a proposta de troca de títulos de Buenos Aires que "irá aos tribunais". Esta foi a declaração do presidente da TFA e co-presidente do Comitê Global de Credores de Títulos Argentinos (GCAB), Nicola Stock, durante uma intervenção no programa televisivo da RAI "Uno mattina". "Deveremos recorrer também ao Ciadi, organismo arbitral internacional, contra a Argentina", afirmou Stock. Ele completou que o organismo, vinculado ao Banco Mundial, pode beneficiar os credores de forma mais rápida. “Suas sentenças são inapeláveis e vinculantes”, afirmou. Segundo ele, a Argentina assinou uma carta de intenção com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que não foi respeitada. O que Nicola Stock evita comentar é que muitos italianos adquiriram bônus da dívida argentina incentivados por bancos, que já desconfiavam, no final dos anos 90, das dificuldades enfrentadas pelo país para fazer os pagamentos. Já há na Justiça da Itália sentenças favoráveis a credores, principalmente aposentados, que conseguiram ser ressarcidos pela instituição bancária que lhes vendeu o papel. (Com informações da Agência Ansa e do jornal Clarín.) |