Opinião de leitor
Juan Sanchez - 21/2

Embora saiba que o principal desafio político posto para a esquerda petista hoje seja a retomada da construção de um projeto de esquerda socialista e democrática - portanto fora do esquadro deste PT convertido em força tradicional - acredito ser necessário perguntar-se se aqueles que abandonaram a originalidade e a razão de esquerda de ser do PT não deveriam sair do Partido.

Além do sentido pedagógico, uma interrogação feita desta forma organiza o que é também hoje uma tarefa crucial para a retomada de um projeto verdadeiro de esquerda que queremos: a disputa pelo espólio do PT, nosso patrimônio coletivo que necessariamente deve ter sua enorme força social e ideológica que não capitulou canalizada para este esforço de reconstrução.

Do contrário, naturalizaremos o que é um sentimento difuso e de dispersão que toma conta de uma militância atônita que acredita que o "PT não tem mais jeito mesmo", e não só abandona o Partido mas também o exercício da Política com P maiúsculo e signo de um instrumento de disputa de poder transformador.

O complexo período que vivemos, numa sociedade tão complexificada como a brasileira, não permite a aplicação de fórmulas fáceis, saídas apressadas ou apelos sedutores de recorte ultra-esquerdista, que tendem ao seu esgotamento. Não imagino a possibilidade de nossa reconstrução sem preservarmos capacidade de audiência social e de disputa de hegemonia na sociedade, e evidentemente para tanto é essencial contarmos com uma base mínima para responder aos desafios dos tempos.

É no PT, nos movimentos sociais emergentes (o Fórum Social expressa a vitalidade e atualidade de uma esquerda social radicalizada), na intelectualidade orgânica e em setores médios que devemos mirar para nosso esforço de construção de novas alternativas - não só partidária, mas também de inserção política e de exercício cotidiano da política.

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