Eleições portuguesas: efeito caipirinha?
João Machado
PALAVRA CRUZADA - 18/2

Os resultados das eleições portuguesas certamente interessam muito a toda a esquerda socialista brasileira.

O Partido Socialista conseguiu sozinho a maioria absoluta dos deputados (120 em 226, obtidos graças a 45% do total dos votos). O bloco PPD-PSD, que está no governo, teve 29% dos votos e elegeu 72 deputados. O bloco PCP-CDU (de fato, trata-se do próprio PCP) ficou como terceira força política, com 7,5% dos votos e 14 deputados, pouco acima do bloco mais à direita (CDS-PP), com 7,3% dos votos, e 12 deputados eleitos.

O Bloco de Esquerda, a esquerda anti-capitalista portuguesa, teve 6,4% dos votos (aproximadamente o dobro do que havia obtido nas eleições legislativas anteriores, em 2002), e elegeu 8 deputados (em 2002 elegeu 3 deputados). Francisco Louçã, líder do Bloco, foi re-eleito deputado pela circunscrição de Lisboa.

Durante a campanha, o Bloco de Esquerda havia declarado que uma maioria absoluta do Partido Socialista seria um “obstáculo à mudança” e levaria ao continuísmo; que a escolha nas eleições era entre o continuísmo e a mudança desejada, e que “esta mudança é o Bloco de Esquerda”.

Pesquisas eleitorais vinham dando ao Bloco uma votação um tanto superior à que realmente obteve (chegaram a lhe dar 8,1%). Como costuma acontecer, o “voto útil” deve ter pesado negativamente.

Assim, embora tenha tido um grande crescimento, o Bloco não pôde evitar que se criassem condições para o continuísmo. O futuro governo do Partido Socialista não deverá mudar as políticas do governo atual de forma significativa. Já vimos este filme em algum lugar.

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